2020/02/23

Cuba: 56 anos de bloqueio criminoso

Nos media corporativos passam duas versões autorizadas sobre o criminoso bloqueio norte-americano à ilha dos Vencedores do Impossível: ou o bloqueio não existe ou é apenas um conjunto de medidas esparsas e ineficazes. Mentira, o bloqueio é uma realidade que mata, uma realidade ilegal à luz do direito internacional e humanamente criminosa. Dele podemos encontrar noticias nos meios de informação que o capital ainda não comprou.

Os 15 chefes de governo do Caricom rejeitaram o recrudescimento do bloqueio e condenaram a campanha contra a cooperação médica fornecida por Cuba -- O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, agradeceu na quinta-feira o apoio prestado pelos países que compõem a Comunidade do Caribe (Caricom) na sua pretensão de acabar com o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos (EUA). ) na ilha.(2020/02/22)

Bloqueio dos EUA a Cuba afeta tratamento do cancro em crianças -- Hoje Cuba cumpre todos os protocolos de tratamento do cancro infantil e juvenil, apesar dos obstáculos impostos pelo governo dos Estados Unidos para impedir a entrada de medicamentos na ilha.

Cooperação cubana mostrou que um país pequeno pode fazer muito pela humanidade -- O encarregado de negócios na Embaixada de Cuba no Brasil alertou numa entrevista para o «recrudescimento do bloqueio por parte dos EUA» contra o país caribenho, que afecta a cooperação médica.(2020/02/17)

183 Nações Votaram Contra o Bloqueio Norte-Americano -- Cuba apresentou uma proposta que mereceu o apoio massivo da Assembleia Geral da ONU. Com 187 nações a favor, 3 votos contra e 2 abstenções, o mundo disse ao imperialismo estado-unidense que já basta. Chega! Disse-o de forma contundente e massiva. Disse-o pelo 28º ano consecutivo. Sempre de forma crescentemente massiva. O que é que os eua ainda não perceberam? É pura burrice ou medo de ver florescer ali ao lado da miséria de Miami, um paraíso socialista de bem estar e direito sociais e humanos? Direitos Humanos? Sim, importa falar de Direitos Humanos e da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Autoridades cubanas repudiam relatório dos EUA sobre tráfico de pessoas -- Os EUA incluíram a Ilha noutra das suas «listas negras»; o governo cubano respondeu que a Casa Branca não tem «autoridade política e moral para julgar estados soberanos ou emitir certificados de conduta».

2020/02/21

Colômbia: um estado assassino dos barões da cocaina

Janeiro ainda não acabara e na Colômbia já tinham sido assassinados 27 ativistas sociais, fevereiro chega ao fim com mais de 50 assassinatos. Nesta rolha sul-americana, onde os EUA mantêm 9 bases militares, em três anos foram assassinados 480 ativistas sociais e 173 ex-elementos das extintas FARC. A dualidade de critérios com que os media corporativos noticiam uma agressão num aeroporto venezuelano e omitem mais de 600 assassinatos na Colômbia só tem um nome: censura corporativa paga em cocaina colombiana.

Mais de 50 dirigentes sociais assassinados na Colômbia em 2020 -- Nos primeiros 49 dias do ano, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz registou o assassinato de 51 dirigentes sociais e defensores dos direitos humanos e de dez ex-combatentes farianos. Já são perto de 700 em menos de 4 anos. (2020/02/23)

2020/02/19

Da Série: Miséria do Capitalismo V

Doentes endividados vão parar à cadeia num condado do Kansas
(AbrilAbril, 2020/02/18)

Em Coffeyville, EUA, doentes com dívidas às seguradoras são obrigados a comparecer em tribunal a cada três meses. Se faltarem a duas audiências seguidas, vão parar à prisão, com uma fiança de 500 dólares.

O condado rural de Coffeyville, no estado norte-americano do Kansas, apresenta uma taxa de pobreza duas vezes superior à média nacional. É aqui que o juiz David Casement preside a casos de pessoas com dívidas médicas e que são levadas a tribunal para enfrentar as seguradoras de saúde às quais «devem dinheiro». Nas audiências, os endividados são sujeitos a um «exame de devedores» em que têm de provar a sua pobreza.

2020/02/15

Ninguém Quer Matar Ninguém!

A morte medicamente assistida a pedido do paciente «não obriga ninguém a morrer, tal como o aborto não obriga ninguém a abortar, o divórcio não obriga ninguém a divorciar-se e o casamento homossexual não obriga ninguém a casar-se com alguém do mesmo sexo. [...] Os direitos não são obrigações.»

Dito isto, e clarificada a minha posição de principio sobre o "meu" direito sobre a "minha" vida, nada obsta, muito pelo contrário, a que: 1. Se apresentem projetos de lei que superem as insuficiências dos existentes. 2. Se invista mais na saúde, na investigação e num sns de qualidade 3. Se invista mais e melhor em cuidados paliativos. 4. Se o que acima ficou escrito é motivo de preocupação, amarre-se por lei o "nosso" direito a «tomar nas nossas mãos os destinos das nossas vidas» ao digno financiamento e a uma gestão pública de um SNS livre de lucros.

Dito de forma mais abstrata: Exceptuando a ganância do capital, nada obsta a que a sociedade faça tudo o que entenda necessário para que eu não escolha usufruir do meu direito de acabar com a minha vida.

Para quem, como eu, veja na história da luta de classes a história da emancipação das forças produtivas a opção é sempre por mais e melhor liberdade, por mais e melhores direitos. O limite é sempre e só a liberdade dos outros.

A "minha" decisão sobre o momento da "minha" morte não é do foro da moral de terceiros.

Sobre o devoto e evangélico pedido de que se não mate, resta esclarecer que 1. Nenhum dos projectos de lei defende a morte de ninguém. 2. Todos eles pretendem legalizar o "meu" direito de "eu" me pronunciar sobre o momento em que "eu" queira pôr fim à "minha" vida e 3. Só pretendem que, não podendo "eu" fazê-lo pelos "meus" próprios meios e necessite de pedir a ajuda de terceiros, esses não sejam, como atualmente, acusados de assassinio por "me" ajudarem a "mim" a livrar-me do "meu" sofrimento.

Não vejo onde é que no meio de tanto "eu", "meu", "minha" alguém consegue meter a moral de terceiros.

Não se pretende que "ninguém" mate ninguém. Não se pretende que "ninguém" ajude ninguém a morrer contra a sua vontade e sem a sua consciente, lúcida e expressa vontade.

Tudo o que vos peço é que por instantes se deitem, fechem os olhos e não se movam. Imaginem-se imóveis por um dia, um mês, um ano, dois, dez, vinte ...

Serviu este escrito para introduzir uma série de textos, pró e contra os projetos de lei em discussão, nos quais reconheço argumentos válidos.

Cuidado com a Huawei

CRYPTO CIA, A ESPIONAGEM COMO GUERRA GLOBAL
(Lourdes Hubermann, Berna; Exclusivo O Lado Oculto, 2020/02/14)

O escândalo explodiu na “neutral” Suíça. Uma empresa com sede no país, denominada Crypto, dedicou-se a produzir e exportar, desde os anos setenta do século passado, aparelhagens manipuladas para descodificar comunicações secretas em mais de cem países. Embora actuasse como uma outra qualquer sociedade, neste caso registada no Liechtenstein, Crypto era propriedade da norte-americana CIA e dos serviços secretos da Alemanha Federal (BND). “É o golpe de espionagem do século”, considera o Washington Post.

2020/02/11

A História do Neo-liberalismo em 40 Minutos

Vale mesmo a pena tirar uns trinta quarenta minutos para ler esta breve história dos últimos noventa anos, e depois voltar a ler e a reler.

«É essencial tomar consciência da «assimetria fundamental» que resulta da «globalização assimétrica» e que Ulrich Beck sintetiza magistralmente: a «assimetria entre poder e legitimidade» («um grande poder e pouca legitimidade do lado do capital e dos estados, um pequeno poder e uma elevada legitimidade do lado daqueles que protestam».)

É essencial levar a sério a luta ideológica, que nos ajuda a combater os interesses estabelecidos e as ideias feitas e que é, hoje mais do que nunca, um factor essencial das lutas políticas e das lutas sociais que fazem andar o mundo»

Primeira parte (para quem goste de história e de aprender com ela)

Segunda parte (para quem tenha pressa de chegar aos dias de hoje)

Venezuela: Cada Dia Que Resiste É Um Dente Partido ao Imperialismo

Sobre a guerra de baixa intensidade movida pelos EUA contra a Venezuela os media corporativos construiram uma imensa muralha de um estrondoso silêncio. Nesses media ninguém fala, escreve ou mostra o bloqueio financeiro que impede a Venezuela de fazer transações em dólares, os assaltos às embaixadas, o roubo dos ativos venezuelanos no estrangeiro, as tentativas de golpes de estado, as infiltrações de mercenários pela fronteira colombiana. Para os media comprados pelos EUA nada disso existe, sobre tudo isso caiu o muro da censura corporativa. "Et puoro si muove" dizia Galileu há mais de 500 anos.

Venezuela denuncia irregularidades e Portugal promete investigar -- A Venezuela pediu formalmente a Portugal que investigue as circunstâncias em que foi possível a um tio de Juan Guaidó transportar substâncias químicas perigosas num voo da TAP, entre Lisboa e Caracas.(2020/02/16)

2020/02/09

Assange - Preso e Torturado sob Falsas Acusações

O julgamento começou na passada segunda feira e a campanha negra com origem nas Agências de Informação Centralizada já está em campo. Vale tudo até desenterrar falsas acusações, datadas de 2010, em que as alegadas vítimas são agora promovidas a menores de idade e que a justiça sueca já deu como não comprovadas. O importante é extraditá-lo para um país que vive debaixo de um regime totalitário (1)(2)(3). Estaremos nós à altura de defender O Homem que já passou 8 anos preso numa embaixada e mais um em isolamento, numa prisão de alta segurança, por nos mostrar a verdadeira face dos verdadeiros torturadores?

O Relator especial da ONU sobre Tortura revela pela primeira vez as descobertas chocantes que fez durante as investigações do caso Julian Assange. Tortura, prisão e fraude judicial são a regra num caso que pode pôr em risco a liberdade de imprensa.

Violação fabricada e manipulação de provas na Suécia, pressão do Reino Unido sobre a Suécia e tortura psicológica: Nils Melzer, relator especial da ONU para a Tortura fala pela primeira vez das descobertas chocantes que fez durante a sua investigação sobre o caso Assange.

Em entrevista ao jornal alemão Republik, o representante explica que o caso Assange é fundamental para o seu mandato, que consiste em combater a tortura em todas as suas formas. Para ele, apesar das denúncias de torturas sistemáticas contra o jornalista, quem está a ser perseguido é a vítima, e não os torturadores. "Assange denunciou a tortura, ele próprio foi torturado, e pode vir a ser torturado até a morte se for para os Estados Unidos", disse Melzer. Caso seja extraditado para os EUA, Assange pode ser condenado a até 175 anos de prisão.(4)

A defesa do ativista denuncia que Assange foi algemado 11 vezes, despido e levado para 5 celas diferentes no primeiro dia do julgamento de extradição -- A defesa do ativista denuncia o tratamento que o fundador do WikiLeaks está a receber durante o julgamento e durante a sua prisão e que existe um "alto risco de suicídio".
Assange foi algemado 11 vezes, despido e levado para 5 celas diferentes no primeiro dia do julgamento de extradição. Os advogados do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, denunciaram nesta terça-feira, perante o tribunal, o tratamento excessivamente rigoroso a que o ativista foi submetido no primeiro dia do julgamento sobre a sua extradição para os Estados Unidos. (2020/02/25)

Manifestação em Londres pela libertação de Julian Assange -- Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado, em Londres, contra a extradição para os EUA de Julian Assange, co-fundador da WikiLeaks. Temendo que essa decisão se concretize na audiência marcada para a semana que vem, gritaram palavras de ordem contra a extradição e mostraram cartazes em que lia «Prendam os criminosos de guerra! Liberdade para Julian Assange». Praça do Parlamento, Londres, Reino Unido. (2020/02/22)

Os deputados australianos Andrew Wilkie e George Christensen visitaram Julian Assange na prisão de Belmarsh -- Dois parlamentares australianos dizem que a visita à cela de Julian Assange confirmou o seu medo de que o fundador do Wikileaks tenha sofrido tortura psicológica. Falando aos jornalistas após a visita, o deputado Andrew Wilkey disse: “Saio de Belmarsh absolutamente sem dúvida que ele se tornou um prisioneiro político neste país e que os EUA estão determinados a extraditá-lo para se vingar. Não houve espionagem. Não houve hackers. Era apenas uma pessoa fazendo a coisa certa e publicando informações importantes para o interesse público e, francamente, é um escândalo internacional que ele esteja preso nessas condições como prisioneiro político. ” (2020/02/18)

Relator da ONU revela fatos chocantes sobre caso e alerta que Assange pode ser torturado até a morte -- Relator especial da ONU sobre Tortura revela pela primeira vez as descobertas chocantes que fez durante as investigações do caso Julian Assange. Tortura, prisão e fraude judicial são a regra em um caso que pode colocar a liberdade de imprensa em risco.(2020/02/05)

(1) Para a História de um Estado Totalitário
(2) Para a História de um Estado Totalitário (II)
(3) Os EUA como Paradigma da Democracia
(4) «Caso de Violação na Suécia - O início do ataque à imagem de Assange começou com as alegações do Estado sueco de que uma mulher o acusaria de violação. Melzer, que fala sueco fluentemente e testemunha ter lido todos os documentos relacionados com o processo, faz uma revelação inquietante: não há acusação de violação contra Assange e a declaração da suposta vítima foi reescrita pela polícia. "Em agosto de 2010, uma mulher chamada S.W [...] foi a uma esquadra da polícia em Estocolmo relatar ter tido relações sexuais com Julian Assange sem o uso de preservativos. Disse que estava com medo de ter sido infectada com o HIV e queria solicitar que Assange fizesse um teste de detecção da doença [...] antes que o interrogatório pudesse ser concluído, ela é informada de que Assange será preso por suspeita de estupro [...] A mulher recusa-se a continuar o interrogatório e vai para casa. S. W não acusou Assange de violação", relata Melzer. Mas em poucas horas, o caso já estava na imprensa. De acordo com Melzer, o próprio promotor de justiça vazou o caso para um tablóide sueco, em violação às leis do país, que proíbem a publicação do nome de suspeitos de envolvimento em crime sexual.»