2019/01/15

Nasceu uma nova realidade politica na Palestina e, na medida em que pode potenciar o fim da ocupação israelita, tal como seria de esperar o facto foi amplamente noticiado nos media corporativos! Não? Ninguém viu nada? Ninguém leu nada? Nem jornais, nem televisões? Nada? De certeza? Nem acredito, felizmente O Lado Oculto fala-nos do facto.@Refer&ncia


Palestina - Nasce Alternativa à FATAH e ao HAMAS
(José Goulão com Edward Barnes, O Lado Oculto, 2018/01/10)

Dirigentes das cinco organizações constituintes e independentes encabeçam uma das primeiras manifestações promovidas pela nova Aliança Democrática Palestiniana.

Aliança Democrática Palestiniana é a nova força política do povo da Palestina, que pretende quebrar o domínio bipartidário estabelecido pela Fatah e pelo Hamas. Resulta da coligação de cinco organizações da esquerda palestiniana, integra personalidades independentes e tentará conseguir que sejam ultrapassadas as divisões internas enquistadas entre as organizações dominantes.

A coligação será dirigida pelos cinco partidos constituintes e não terá um dirigente único como rosto identificativo. As organizações integrantes, entre elas algumas das mais históricas e carismáticas que deram corpo à resistência palestiniana e à Organização de Libertação da Palestina (OLP), são a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), a Frente Democrática de Libertação da Palestina (FDLP), o Partido Popular Palestiniano (PPP), o Partido Democrático Palestiniano (PDP) e a Iniciativa Nacional Palestiniana (PNI, sigla anglo-saxónica). Entre as personalidades independentes estão Mahmud al-Akr e Omar Assaf.

A apresentação aos jornalistas decorreu simultaneamente em Gaza e em Ramallah, na Cisjordânia. No texto sobre a nova organização lê-se que “a aliança tem o objectivo de se transformar num órgão político capaz de por simultaneamente fim à divisão palestiniana e ao domínio das duas principais forças políticas, a Fatah e o Hamas”.

Mariam Abu Daqqa, membro da Comissão Política da FPLP, declarou à publicação Al-Monitor que a criação de uma terceira força palestiniana, ao lado dos movimentos Fatah e Hamas, visa promover a causa palestiniana e quebrar o monopólio das duas entidades em relação à condução dos assuntos palestinianos.

Mustafa Barghouti, secretário-geral da PNI, declarou à mesma publicação que os mecanismos de intervenção da Aliança Democrática Palestiniana assentarão no princípio de participação colectiva nos processos de decisão.

Concentrações e manifestações

Khaled Mansour, membro da Comissão Política do Partido Popular Palestiniano e da Comissão Fundadora da Aliança Democrática, acrescentou que nas primeiras semanas do ano estão previstas grandes concentrações populares na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Além disso, os palestinianos serão chamados a participar em marchas pacíficas de oposição aos ataques israelitas contra os territórios.

A actividade política nos territórios da Autonomia Palestiniana e da própria Resistência Nacional tem estado estagnada pelo antagonismo cada vez mais expressivo, e incentivado tanto por países árabes como por Israel, entre o Hamas, que governa a Faixa de Gaza, e a Fatah, que domina o poder em Ramallah.
A vida quotidiana das populações está à mercê da violência israelita, enquanto permanece refém, não apenas do antagonismo entre as duas forças principais, como da colaboração de cada uma destas com o próprio poder israelita e países árabes com poder financeiro, como o Qatar e a Arábia Saudita. Além do Egipto, por seu turno mais próximo de Israel do que nunca, sobretudo na asfixia imposta ao território de Gaza.

Perda de independência

A prolongada dicotomia política e o fracasso do processo de autonomia têm tido repercussões gravíssimas na diáspora palestiniana, onde a resistência se dilui enquanto o dinamismo que lhe era inerente se tem transferido para a confrontação entre os dois movimentos e também para o envolvimento em guerras que não têm a causa palestiniana no horizonte imediato, como as do Iraque e da Síria. Conflitos estes que, por acréscimo, têm repercussões negativas nas duas maiores comunidades palestinianas no exílio – as do Líbano e da Jordânia.

Além disso, a aliança cada vez mais evidente entre Israel e Estados da Península Arábica, designadamente do Golfo, tem-se reflectido na existência de enormes pressões, divisões e dependências que caracterizam hoje as práticas políticas em Ramallah e em Gaza.

Por exemplo, as negociações existentes entre o Hamas e Israel têm decorrido através do Qatar, o país onde aquele movimento palestiniano tem a sua sede e do qual recebe cerca de 100 milhões de dólares mensais para administrar o território. A entrega destas verbas agravou o contencioso entre o movimento islâmico palestiniano e a Fatah, que cortou a verba mensal destinada à administração de Gaza.

A criação da Aliança Democrática surge, por isso, também como uma tentativa para restaurar o espírito original da OLP, que é o de gerir a Resistência Palestiniana, enfrentando Israel e salvaguardando a independência em relação a todos os países árabes. Neste facto assentou o segredo da histórica afirmação independente do problema palestiniano, transformando-o na causa central do Médio Oriente.

Os confrontos sem solução entre o Hamas e a Fatah têm contribuído para diluir o problema palestiniano entre muitos outros conflitos surgidos no Médio Oriente, designadamente as guerras provocadas pelos Estados Unidos. Tal facto reduziu a sua projecção interna e externa, protelando uma solução digna para os palestinianos e deixando-os à mercê dos Estados Unidos, de Israel e de um “processo de paz” que ignora os seus direitos legítimos, reconhecidos no Direito Internacional.

2019/01/12

Por uma Europa dos Trabalhadores e dos Povos

Apelo comum para as eleições para o Parlamento Europeu
(Gabinete de Imprensa do PCP, 2019/01/11)

Apelo comum para as eleições para o Parlamento Europeu «Por uma Europa dos trabalhadores e dos povos»

As eleições para o Parlamento Europeu realizam-se numa conjuntura em que os trabalhadores e os povos dos Estados-membros da União Europeia (UE) enfrentam enormes problemas e impasses. Os trabalhadores são confrontados com a precariedade no trabalho e a fragilização da sua situação social, com as desigualdades, com a pobreza, com os ataques aos salários, às pensões e aos seus direitos. Os povos e, em particular, os jovens são confrontados com o desemprego, a migração económica forçada, o acesso cada vez mais difícil à educação, à saúde e à habitação. Realidade que é reflexo das políticas de intensificação da exploração e de empobrecimento promovidas pela UE.

Aprofundam-se as assimetrias e as desigualdades de desenvolvimento entre os Estados-membros da UE. A própria UE permanece em crise e enfrenta uma séria turbulência.

A UE, as classes dominantes e as forças que as representam já não podem dissimular o descontentamento social provocado pelas suas políticas: o neoliberalismo na economia, a natureza anti-democrática e centralizada do seu funcionamento, o militarismo e o intervencionismo nas relações internacionais. Hoje, alastra o reconhecimento de que as declarações e promessas da UE e das forças que a lideram foram refutadas. A realidade com que os povos dos nossos países estão confrontados é bem diferente.

Em vez de "prosperidade", os povos na UE contam aos milhões o número de desempregados, de sem-abrigo e de pobres, ao mesmo tempo que biliões de euros estão a ser canalizados para socorrer os bancos. Os serviços públicos e as empresas públicas estão a ser privatizadas. Os bens sociais são comercializados. As perdas dos bancos estão a ser transformadas em dívida pública, a ser arcada pelos trabalhadores.

Em vez de "democracia e liberdade", estão a ser criados novos mecanismos para monitorizar e catalogar dados dos cidadãos e controlar a Internet. As liberdades democráticas, incluindo os direitos sindicais, estão sob ataque. A extrema-direita e o neo-fascismo, que tinham sido derrotados pela luta dos povos no século XX, estão a surgir de novo na Europa, ao mesmo tempo que o anti-comunismo e a falsificação da História europeia estão a assumir um carácter institucional. Em certos Estados-membros, forças de extrema-direita participam no governo, enquanto o sistema permite que elas espalhem o veneno do ódio racista, da xenofobia, do chauvinismo, do sexismo e da homofobia, questionando a própria ideia de igualdade.

Em vez de "paz", a UE está em constante militarização e a aprofundar a sua ligação orgânica à NATO. Com a criação da cooperação estruturado no domínio militar (PESCO), abre-se uma nova fase do militarismo, o que, entre outros aspectos, significa mais gastos militares e uma 'transferência de investimentos' para a indústria armamentista e o negócio das armas. Ao mesmo tempo, a UE está envolvida numa escalada de intervenções e agressões contra Estados e povos, de que é exemplo a sua cumplicidade com Israel face ao drama vivido pelo povo palestiniano.

Em vez de defender o meio ambiente, a UE subordina as suas políticas ambientais às leis do mercado. Os escândalos de empresas multinacionais que violam a legislação sobre o meio ambiente e a incapacidade em tomar as decisões necessárias para o combate às alterações climáticas e às dramáticas consequências para os povos dos problemas ambientais, comprovam a clivagem entre as palavras e os actos.

Em vez de solidariedade e de enfrentar as causas que levam milhões de pessoas a sair dos seus países, a UE prossegue políticas que agravam e deterioram a situação. O seu envolvimento em intervenções imperialistas no Médio Oriente e no Norte de África multiplicou o número de refugiados. A herança do passado colonial em conjunção com as políticas neocoloniais de exploração de países de África e da Ásia criaram um ciclo vicioso de pobreza e subdesenvolvimento que leva os seus povos a procurar uma vida melhor na Europa. Ao mesmo tempo, o grande capital nos países europeus considera os refugiados e migrantes como mão-de-obra barata que deseja explorar para minar as relações de trabalho. Ninguém duvida que a migração e a crise de refugiados é uma questão complexa e multidimensional. Mas, o militarismo, o racismo e a xenofobia nunca podem ser a resposta. As forças progressistas são chamadas a lutar em cada Estado-membro da UE para encontrar respostas de acordo com o Direito Internacional e que prevaleçam os princípios de solidariedade, do internacionalismo e da unidade de classe dos trabalhadores.

Os povos querem e precisam de outra Europa – Uma outra Europa é possível!

Para além do quadro dos Tratados, das Políticas Comuns e do Pacto de Estabilidade, a UE criou nos últimos anos um mecanismo draconiano para exercer um controlo sufocante sobre os orçamentos e as políticas fiscais dos Estados-membros através do Tratado Orçamental, da 'Governação Económica' e do 'Semestre Europeu'. A União Económica e Monetária aprofunda-se, as relações económicas e políticas de dependência estão a ser institucionalizadas, a soberania para exercer uma política diferente ao nível nacional está a ser anulada, a democracia e o direito dos povos ao desenvolvimento sócio-económico estão a ser minados. A 'União Bancária' está a impulsionar uma gigantesca concentração de capital e o controle sobre os sistemas financeiros dos Estados. Acordos de livre comércio com os centros poderosos do mundo (como o CETA com o Canadá), combinados com uma política comercial neo-colonial com as periferias em desenvolvimento do mundo, constituem a expressão externa de um modelo económico profundamente injusto e explorador.

A democracia, a soberania dos Estados e dos povos são postas em causa com a imposição de relações de dominação política e económica ditadas pelo directório de grandes potências e determinadas pelos interesses dos grupos económicos e financeiros. Governos eleitos são sujeitos a ameaças gritantes e são alvo de chantagens. Referendos são ignorados ou repetidos até que os povos votem como a UE pretende.

Revelam-se verdadeiras as advertências feitas pelas forças do progresso sobre o carácter, as políticas e o rumo da UE – tal como definido pelos seus Tratados e aprofundado com as políticas que a direita e a social-democracia da Europa implementaram. Mas, não só a UE não ouve as vozes dos povos, como está a intensificar o ataque aos níveis de vida e aos direitos dos nossos povos. Com o slogan 'Mais Europa', os líderes da UE não estão a propôr um rumo diferente ou uma Europa diferente, mas a discutir a velocidade com que a UE dos monopólios, da militarização e dos directórios continuará a ser reforçada. Por outro lado, não só o racismo e o nacionalismo da extrema-direita não é uma alternativa, como representa a face mais reaccionária do capitalismo, reminiscente das eras mais sombrias da Europa.

A crise na UE – que resulta do capitalismo e das suas contradições – trouxe à tona de forma dramática todos os problemas e mostrou que a construção da UE não é na sua essência reformável, pois os seus Tratados definem uma estrutura e um processo neoliberal e militarista. Um caminho de efectiva cooperação na Europa terá necessariamente que ser baseado nos princípios da soberania, da liberdade, da democracia, do progresso social, da paz.

Uma outra Europa é possível, necessária e mais urgente do que nunca. Uma outra Europa – uma Europa que sirva os trabalhadores e os povos e que responda às suas necessidades – pode nascer através de uma transformação radical dos alicerces sobre os quais a UE foi construída. Uma transformação radical concebida e decidida pelos trabalhadores e os povos da Europa.

A História do continente europeu está repleta de legados militantes e revolucionários. Isso comprova que os povos – com os trabalhadores e a juventude como força pioneira – podem, com as suas lutas, deter os actuais ataques e medidas bárbaras; que podem de novo barrar o caminho à extrema-direita e ao fascismo; que podem abrir a via de grandes transformações sociais de carácter anti-monopolista e anti-imperialista; que podem proporcionar uma alternativa ao capitalismo e aos seus becos sem saída; que podem de novo projectar a visão da construção de novas sociedades, de progresso, paz e justiça social.

Nós unimos forças. Nós fortalecemos as lutas.

As forças comunistas, progressistas, anti-capitalistas, anti-neoliberais, de esquerda e ecológicas co-signatárias deste Apelo consideram que as próximas eleições para o Parlamento Europeu, em Maio próximo, representam uma significativa oportunidade para afirmar a luta pelo presente e futuro dos nossos países e do nosso continente.

Sabemos que o perigo da extrema-direita representa hoje uma grande ameaça para o nosso continente e os seus povos, o que também é incentivado pela Administração Trump nos Estados Unidos da América. As forças e interesses dominantes da UE não podem conter esta ameaça porque são as suas políticas que adubam o terreno de onde aquela brota, enquanto algumas delas até colaboram abertamente com a extrema-direita. Só as forças do progresso, as forças que lutam pelos direitos laborais e sociais, bem como pela soberania dos povos, podem ser o bastião da resistência à extrema-direita e ao fascismo. É por isso que o seu fortalecimento é a opção para todos os cidadãos democratas e progressistas de cada um dos nossos países.

Apelamos aos trabalhadores, aos jovens, às mulheres e, em geral, aos povos dos Estados-membros da UE para que expressem as suas reivindicações, aspirações, lutas e visões através do seu voto nas eleições para o Parlamento Europeu, fortalecendo as forças que – como nós, os partidos signatários deste Apelo – estão na linha da frente das lutas laborais e sociais e que se comprometem a continuar a luta:

Por uma Europa dos direitos sociais

Que sirva aqueles que produzem a riqueza e fazem mover a economia, nomeadamente os trabalhadores; que assegure empregos permanentes, estáveis, a tempo inteiro e dignos para todos; que reponha e promova as conquistas e direitos sociais; que defenda e promova os serviços públicos; que garanta o direito à educação e ao trabalho para a jovem geração e níveis de vida dignos para os idosos e grupos sociais vulneráveis; que reconstrua e alargue as infra-estruturas sociais que proporcionam apoio às famílias, às crianças, às pessoas com deficiência.

Por uma Europa de progresso económico e social e ecologicamente sustentável

Por um caminho de desenvolvimento económico e social para o nosso continente que promova uma convergência real e crescente entre os diferentes países; que tem de basear-se em programas de investimento público para políticas sociais, no uso sustentável dos recursos naturais e na protecção do meio ambiente; que tome medidas radicais contra as alterações climáticas, ao mesmo tempo que assegura a justiça social; que promove o potencial produtivo de cada país, respeitando o direito ao desenvolvimento e um modelo de desenvolvimento sustentável; que assegure a soberania e segurança alimentares; que defenda o carácter público dos sectores estratégicos de cada país e apoie as pequenas e médias empresas; que ponha fim aos paraísos fiscais, aos fluxos livres e desregulamentados de capital e que combata e tribute as actividades especulativas do capital.

Por uma Europa de paz e cooperação com todos os povos do mundo

Uma Europa que respeite a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, incluindo os princípios da auto-determinação dos povos e a soberania e a integridade territorial dos Estados; que rejeite a corrida armamentista e a militarização das relações internacionais; que aja pelo fim das ingerências e das agressões externas; que ponha fim a alianças militares agressivas, como a NATO, e à existência de bases militares estrangeiras e que pugne pelo desarmamento, incluindo a remoção de todas armas nucleares do território dos Estados-membros e a total abolição das armas nucleares. Por uma Europa que promova a amizade e a cooperação entre os povos de todo o mundo, igual e mutuamente benéfica – uma cooperação política, económica, social, cultural.

Por uma Europa de democracia, de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos

Por uma Europa que respeite a democracia e a participação democrática, a soberania e a igualdade de direitos dos seus Estados, a diversidade cultural e a identidade de todos os povos, os direitos das minorias; uma Europa que não seja governada por directórios, lobbies e Estados mais poderosos, mas pelos seus povos.

Por uma Europa de liberdade, direitos e solidariedade

Por uma Europa que defenda as liberdades democráticas, como os direitos sindicais, os direitos cívicos e sociais – incluindo os direitos digitais dos cidadãos, a privacidade, a protecção de dados pessoais e a neutralidade da Internet; que rejeite mecanismos repressivos, de controlo e vigilância; que garanta na prática a igualdade de todas as pessoas, independentemente do género, etnia, cor da pele, religião, deficiência e identidade sexual; que combata todas as formas de discriminação contra as mulheres e consolide os direitos das mulheres, incluindo os seus direitos sexuais e reprodutivos;

Trabalhamos em conjunto e reforçamos o Grupo da Esquerda no Parlamento Europeu

Para este fim, desenvolveremos ainda mais a nossa cooperação e comprometemos-nos a continuar o trabalho do Grupo da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica (GUE / NGL) no Parlamento Europeu com base na igualdade e no respeito mútuo pelas nossas diferenças, caminhos, experiências e particularidades; a continuar a nossa acção conjunta através do GUE / NGL como um espaço de cooperação que se centra no muito que nos une na luta por uma outra Europa.

Reafirmamos o carácter e a identidade deste Grupo parlamentar como um espaço confederal de cooperação entre forças comunistas, operárias, progressistas, de esquerda e ecológicas cujo objectivo comum é dar voz no Parlamento Europeu às lutas dos trabalhadores e dos povos; afirmar, propor e defender políticas progressistas e claramente distintas daquelas que a direita e a social-democracia prosseguiram e continuam a prosseguir; dar expressão e conteúdo à luta por um outro rumo para a Europa.

Ao assinar este Apelo, comprometemos-nos a defender estes objectivos e orientações. Quanto mais força tivermos, mais fortes serão as lutas por uma Europa de cooperação, progresso social e paz.

Partidos que assinam o Apelo comum para as eleições para o Parlamento Europeu

Partido Comunista Português – PCP
Partido Comunista Alemão – DKP
A Esquerda – Die Linke (Alemanha)
Partido Comunista da Áustria – KPŐ
Partido do Trabalho da Bélgica – PTB-PVDA
Partido Comunista da Boémia e Morávia – KSČM (República Checa)
Partido Progressista do Povo Trabalhador – AKEL (Chipre)
Partido Comunista da Dinamarca – DKP
Partido Comunista na Dinamarca – KPiD
Partido Comunista de Espanha – PCE
Esquerda Unida – IU (Espanha)
Esquerda Unida e Alternativa – EUiA (Espanha)
Anova Irmandade Nacionalista – anova (Espanha)
Comunistas da Catalunha
Partido Comunista da Finlândia – SKP
Partido Comunista Francês – PCF
Partido Comunista Italiano – PCI
Partido da Refundação Comunista - Esquerda Europeia – PRC-SE (Itália)
Partido Comunista do Luxemburgo – KPL
Partido Comunista de Malta – PKM

O Apelo Comum continua aberto a novas subscrições
10 de Janeiro de 2019


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Francês
Este mesmo texto, apesar de ausente da página ficial do PCF pode ser lido em francês no site do lepcf.fr em "Appel commun pour les élections au Parlement européen"

Inglês
No site do PCP em "Common Appeal for the European Parliament Elections"

Espanhol
No site da esquerda unida LLAMAMIENTO COMÚN PARA LAS ELECCIONES   AL PARLAMENTO EUROPEO ou do Rebelion.org

Alemão
Bo site do AKEL (cipriota) "Gemeinsamer Aufruf zu den Wahlen zum Europäischen Parlament"

2019/01/11

Mundo Real 2019/01/11

Quando um patriota social-democrata toma posse na América-Latina, não importa se gostamos ou não dele, importa dar-lhe o destaque que os media corporativos lhe roubam. Maduro foi eleito com 67% dos votos numa eleição em que houve 53% de abstenção. Só como comparação, o Trump foi eleito com 47% numa eleição em que houve 44% de abstenção e o Marcelo num sufrágio com 52% de abstenção. Factos são factos.

VENEZUELA
Maduro: «Estou pronto para levar a Pátria a um futuro melhor»: Nicolás Maduro tomou posse, esta quinta-feira, como presidente da Venezuela. O mandatário comprometeu-se a conduzir o país a «um destino melhor», a defender a paz, a soberania e a integração regional.

«Imperialismo não impedirá Nicolás Maduro de tomar posse»: O governo da Venezuela repudia a «declaração extravagante» do Grupo de Lima e as «acções hostis» promovidas pelos EUA, reafirmando que o imperialismo não impedirá Nicolás Maduro de assumir o cargo.

Nicolas Maduro toma posse entre ameaças e ingerências: O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolas Maduro, toma hoje posse para um novo mandato, que, garante, marcará uma nova etapa na «construção do socialismo» no país.

ÁFRICA-CHINA-INDIA
A África Oriental avança: Enquanto a China constrói estradas, ferrovias, oleodutos, aeroportos, portos marítimos e fábricas em toda a África, os EUA vendem armas e instigam conflitos internos e entre Estados africanos.(António Abreu)

BRASIL
Gente que «regula bem» com Deus e o grande capital:
O primeiro Conselho de Ministros do governo Bolsonaro decidiu demitir funcionários públicos que defendam ideias «comunistas». E três centenas, com contratos no executivo, vão já ser demitidos.(Jorge Seabra)

Bolsonaro oferece base aos EUA, irrita militares brasileiros: O estabelecimento de uma base militar dos EUA no Brasil, oferecido por Jair Bolsonaro, apanhou de surpresa os militares brasileiros. Estes estão contra e defendem zelosamente a soberania nacional.

Bolsonaro no Planalto, Brasil na tormenta: Já começou a contar o tempo do poder do governo de extrema-direita no Brasil, saído das eleições presidenciais de Outubro, em que Lula foi impedido de participar. Bolsonaro tomou posse dia 1 de Janeiro e é o dono que se segue do Palácio do Planalto da capital brasileira, projectado por Oscar Niemeyer. (Luis Carapinha)

CHILE
Aumenta a pressão sobre o ministro chileno do Interior: Os pedidos de demissão sucederam-se após a morte do jovem mapuche Camilo Catrillanca. Novas revelações sobre o caso fragilizam a posição de Andrés Chadwick, considerado figura-chave no governo de Piñera

CUBA
Cuba regista a mortalidade infantil mais baixa da sua história: Quando se assinalam os 60 anos do triunfo da Revolução, uma das principais conquistas do povo cubano – a Saúde Pública – continua a somar sucessos, neste caso na área materno-infantil.

PCP saúda Revolução Cubana por ocasião dos seus 60 anos: A Revolução Cubana e o seu exemplo de firmeza, dignidade e abnegação são um elemento de esperança e confiança no futuro, um estímulo para a luta libertadora dos trabalhadores e dos povos.~

ESPANHA
Grande adesão à greve na Amazon de San Fernando de Henares: A paralisação de 32 horas convocada no maior armazém da Amazon em Espanha teve uma adesão de 60% a 70%, segundo os sindicatos, que denunciam as práticas da empresa para minorar os efeitos da greve.

EUA
Mais de 50 mil migrantes presos nos EUA em dezembro: É um número recorde. 50753 pessoas em situação irregular foram presas em dezembro do ano passado. No ano de 2017 a média tinha sido apenas 13 mil. Os migrantes são cada vez mais em família e pedem asilo devido à violência dos seus países de origem.

FRANÇA
Governo francês ameaça mais força contra protestos: Ameaçando utilizar mais força, o governo francês acusou os manifestantes que há semanas protestam contra as políticas do presidente Macron, do uso de "extrema violência contra a República».

INDIA
Índia: segundo dia da greve geral contra as políticas de Modi: Milhões de pessoas aderiram à greve convocada por 10 centrais sindicais. Foi a maior convergência de sempre contra o aumento de preços e para reclamar a subida do salário mínimo e segurança social para todos.

ISRAEL
Israel escuda-se em aviões civis para atacar a Síria. Onde está a ONU?: A omissão das instituições internacionais é mais grave ainda nesta situação, uma vez que existe também a utilização das vidas de seres humanos inocentes como reféns de uma operação militar agressiva. (José Goulão)

NICARÁGUA
A Nicarágua Venceu o Golpe de Estado Mas Enfrenta Dificuldades Económicas:
O presidente da Bolívia, Evo Morales, saiu em defesa do governo da Nicarágua nesta quarta-feira (25), dando a entender que a onda de desestabilização que assolou o país desde abril se tratou de uma tentativa dos Estados Unidos de tentarem um novo golpe de Estado no continente, desta vez contra Daniel Ortega.(António Abreu)

PALESTINA
Ataques de colonos israelitas contra palestinianos triplicaram em 2018: A violência de colonos e militantes de direita israelitas contra palestinianos na Cisjordânia triplicou o ano passado. Até meados de Dezembro, registaram-se 482 ataques, quando em 2017 ocorreram 140.

Israel abre a «Estrada do Apartheid» em Jerusalém: Israel abriu a Estrada 4370 em Jerusalém, separando os palestinianos dos colonos provenientes de colonatos judaicos ilegais na Cisjordânia ocupada. Estes últimos têm o acesso facilitado à cidade.

SÍRIA
Ataques da coligação liderada pelos EUA provocam duas dezenas de mortos na Síria: Pelo menos 21 civis morreram em dois ataques aéreos realizados em menos de 24 horas pela chamada «coligação internacional» – liderada pelos EUA – contra localidades na província síria de Deir ez-Zor.

PM russa inicia patrulhamento da região de Manbij: A Polícia Militar (PM) russa começou a patrulhar os acessos à cidade síria de Manbij, no Norte da província de Alepo, perto da fronteira com a Turquia, para garantir a segurança e evitar confrontos

INGLATERRA
Londres planeia abrir novas bases militares no estrangeiro: O ministro da Defesa britânico, o conservador Gavin Williamson, quer abrir uma base militar nas Caraíbas e outra na Ásia, após a saída do Reino Unido da União Europeia

Câmara dos Comuns vai votar dia 15 acordo de saída da União Europeia: A primeira-ministra britânica, Theresa May, fixou o dia 15 de Janeiro como a data para a Câmara dos Comuns decidir sobre o acordo relativo à saída do Reino Unido da União Europeia, estabelecido entre o governo de Londres e Bruxelas, a 25 de Novembro de 2018.

DITADURA BURGUESA
Polícias eleitorais ou as duas faces da mesma moeda: As fake news e as novelas das supostas ingerências externas em actos eleitorais são o pretexto para a criação de corpos transnacionais de polícia eleitoral e o reforço do neoliberalismo como fascismo social. (José Goulão)

Em memória de dois heróis comunistas: No próximo dia 15 de Janeiro, passam cem anos sobre o assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknetch. Trata-se de um acontecimento trágico que não pode cair no esquecimento. (Albano Nunes)

AGRICULTURA FAMILIAR
Decénio da Agricultura Familiar contra fome, pobreza e desigualdades: O novo ano marca o início do Decénio da Agricultura Familiar (2019-2028) proclamado pela ONU para assegurar acções mundiais contra a fome, a pobreza e as desigualdades, fixadas como metas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

DIGITALISMO e COMUNICAÇÕES
«Mecanismo Interligar Europa» rejeita interesses nacionais: Na última sessão plenária de 2018 foram votadas as primeiras posições do Parlamento Europeu (PE) relativas a regulamentos associados ao próximo Quadro Financeiro Plurianual da UE para o período 2012-2027. Um dos regulamentos sobre os quais o PE se pronunciou, e para o qual os deputados do PCP apresentaram alterações, foi o «Mecanismo Interligar Europa». (João Pimenta Lopes)

As Policias do Capital

Polícias eleitorais ou as duas faces da mesma moeda
(José Goulão, O Lado Oculto, 2019/01/10)

As fake news e as novelas das supostas ingerências externas em actos eleitorais são o pretexto para a criação de corpos transnacionais de polícia eleitoral e o reforço do neoliberalismo como fascismo social.

A par da convergência dos populismos e neofascismos para as muitas campanhas eleitorais que aí vêm no plano internacional, está também em campo uma variante aglutinadora que contribui para replicar, mais coisa menos coisa, as eleições presidenciais norte-americanas de 2016. Incluindo aquilo a que o mainstream parece reduzir a política de hoje: as fake news e as novelas das supostas ingerências externas em actos eleitorais. Tudo a funcionar como nevoeiro para disfarçar o grande objectivo em jogo: reforçar o neoliberalismo como fascismo social – com mais ou menos fascismo político.

Chama-se Comissão Transatlântica para a Integridade Eleitoral, funciona no âmbito de uma denominada Aliança para as Democracias, com sede em Copenhaga e, entre muitas outras coisas, afirma dedicar-se a combater as informações falsas e as interferências externas em eleições; para isso, parte do princípio de que nenhum dos lados do Atlântico está verdadeiramente preparado para os riscos que ameaçam os cerca de 20 actos eleitorais que se realizam até 2020. Entre as notáveis e recomendáveis figuras que desempenham estas missões estão membros das administrações Bush e Obama, um ex-secretário geral da NATO e um organizador de esquadrões da morte na América Latina, além de José María Aznar e Tony Blair.

A Comissão Transatlântica para a Integridade Eleitoral diz que nasceu para acabar com a desinformação e as interferências estrangeiras em actos eleitorais norte-americanos, latino-americanos e europeus. Junta políticos no activo, ex-presidentes, vice-presidentes e vários ministros de vários países, jornalistas, apresentadores e editores de alto gabarito, algumas fundações, homens de negócios e também figuras de proa de impérios tecnológicos globais como o Facebook e a Microsoft, além de instituições indubitavelmente sintonizadas pela CIA, como o Conselho do Atlântico.

Esta comissão define-se a si mesma como «bi-partidária», entendendo-se por isso não apenas a formatação política norte-americana mas também o tradicional «arco da governação» do regime globalista neoliberal, isto é, os sociais-democratas liberais e a direita da área do Partido Republicano/Partido Popular Europeu.

O seu objectivo central está plasmado na panóplia de discursos e declarações proferidos e aprovadas na primeira «Cimeira das Democracias», realizada em 22 de Junho de 2018 em Copenhaga: combater tudo o que perturbe «o livre desenvolvimento das democracias em todo o mundo e a instauração de mercados livres». A cimeira nasceu das iniciativas do ex-secretário geral da NATO Anders Fogh Rasmussen e do vice-presidente de Obama, Joseph Biden. As notas finais do encontro foram redigidas por Tony Blair, acusado no seu país de ter mentido para provocar a invasão do Iraque; e que já discursara anteriormente, tal como o ex-chefe do governo espanhol, o neofranquista José María Aznar, que participou na encenação da mesma mentira feita em Março de 2003 na Cimeira das Lages, nos Açores.

Combater a interferência interferindo

Monitorar os riscos eleitorais que vão sendo detectados, de modo a ajudar os países a identificar as vulnerabilidades que facilitam as ingerências eleitorais externas, é uma das linhas de acção da Comissão Transatlântica, que promete disponibilizar soluções tecnológicas «contra a desinformação» e ferramentas baseadas em inteligência artificial que sejam «destrutivas em relação a conteúdos falsos», além de reduzirem as possibilidades de intromissão externa.

Segundo os apuramentos feitos pela Cimeira das Democracias, na sequência de actividades de monitorização, 80% das intromissões externas em eleições são de origem russa, como ficou provado, segundo a Comissão Transatlântica, nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016, nos Balcãs e também no México, em 2018.

Embora não haja qualquer alusão ao que se passou no Brasil de Bolsonaro, sabe a Comissão Transatlântica que as eleições mexicanas ganhas pelo progressista e anti-neoliberal Lopez Obrador foram alvo de ingerências do Irão, da Venezuela e, claro, da Rússia.

E sabe ainda que, nos Balcãs, casos graves envolvendo igualmente Moscovo foram detectados no referendo sobre a mudança de nome na Antiga República Jugoslava da Macedónia e que abriu a porta às futuras integrações do território na União Europeia e na NATO.

Ora o que também está absolutamente comprovado – mas fora do âmbito de acção da Comissão Transatlântica – é que tanto o referendo macedónio como as recentes eleições gerais da Bósnia-Herzegovina decorreram sob comando directo dos embaixadores dos Estados Unidos e dos representantes locais da União Europeia, passando inclusivamente pela compra de votos de deputados para obtenção, por via parlamentar, do que não foi possível pelo caminho referendário. Terão sido estas acções inseridas já no âmbito da «monitorização» montada pela Comissão Transatlântica? Nada obsta, tanto mais que um dos objectivos expresso por esta é estar «um passo à frente dos acontecimentos», onde cabe perfeitamente o princípio de combater a interferência interferindo por antecipação.

Convergência no fascismo ucraniano
«Trabalhar com empresas tecnológicas na criação de ferramentas inovadoras para combater a desinformação e os conteúdos falsos» é um dos mandamentos de topo da Comissão Transatlântica para a Integridade Territorial, no âmbito da Aliança das Democracias.

Por isso, na lista de nomes sonantes que dão corpo a estas novas instituições supranacionais é possível encontrar, a par de famosos leitores de telepontos na ABC e na CNN e da editora do Bild, o expoente dos tablóides europeus, um dos mais graduados directores da Microsoft na Europa, John Frank, e também Richard Allan, vice-presidente da divisão de Soluções Políticas Globais do Facebook. Tendo já sido detectadas actividades desta catedral das redes sociais pouco compatíveis com a liberdade de expressão, a democracia e o equilíbrio eleitoral, não será difícil prever agora uma dinâmica reforçada no combate às chamadas fake news, tendo no horizonte as eleições até 2020, a começar pelas europeias de Maio próximo. Chegados a este ponto fica a faltar saber como vão as novas ferramentas distinguir entre conteúdos falsos ou aqueles que apenas contradizem democraticamente quem as manipula. Os famosos algoritmos estarão fiavelmente ensinados para distinguir o que é verdadeiro do que é falso ou é apenas contraditório?

Sabemos que a extrema-direita e o neofascismo, arrebanhados atrás da figura carismática de Steve Bannon, o homem que fez de Trump presidente dos Estados Unidos e de Bolsonaro presidente do Brasil, trabalham activamente nas estratégias para próximas eleições na Europa e Américas.

A Comissão Transatlântica, dentro da Aliança das Democracias, surge igualmente a marcar terreno na área do neoliberalismo, parecendo contrapor o globalismo do chamado «Partido de Davos» – o classicismo neoliberal que tem prevalecido – a uma ortodoxia do regime que vai beber às suas raízes em Pinochet e ao fascismo chileno.

Mas se este pode ser confundido com a figura de Steve Bannon, não é difícil encontrar almas gémeas na Comissão Transatlântica como Michael Churtoff, secretário para a segurança interna na administração de George W. Bush e, sobretudo, o inigualável John Negroponte, há muito defendendo a democracia com Reagan, Bush pai e filho, Clinton, Obama, Trump e até como embaixador na ONU. Esteve na saga dos «combatentes da liberdade» apoiando terroristas como os da Unita, somozistas na Nicarágua, Mujahidines e al-Qaida, sem esquecer os métodos de falsificação de eleições, designadamente nas Honduras, de que houve novo exemplo bem recentemente. O mesmo Negroponte que não hesitou em coordenar a formação e actuação de esquadrões da morte na América Latina, enquanto embaixador dos Estados Unidos, quando a sua «democracia» estava supostamente em perigo, mesmo que fosse através de eleições livres e democráticas. Agora reencontramo-lo disponibilizando inesgotáveis recursos à Comissão Transatlântica para a Integridade Eleitoral, sendo legítimo supor que a sua cartilha democrática, tão testada e aplicada, apenas se reforçou, não se alterou.

Pelo que não é surpresa observar as hostes de Bannon e Biden, Rasmussen e Negroponte – erigidas em polícias eleitorais – convergindo na figura de Porochenko nesta nova fase para reforço da institucionalização do fascismo ucraniano, nas eleições presidenciais de Março.

Será talvez difícil apurar qual das polícias, ou se foram ambas, recorreu à ferramenta nada inovadora da provocação no Estreito de Kerch, no passado dia 25 de Novembro, que permitiu ao presidente Porochenko declarar a lei marcial para se posicionar como favorito inquestionável. Ele que não passava dos 8% antes do conveniente «incidente». Não tenhamos dúvidas, porém, de que as próximas eleições ucranianas, decorrentes de um estado de excepção e organizados por metade de um país que impõe o terror militar fascista a outra metade, encaixa tanto no figurino «democrático» do «Partido dos Populistas» de Steve Bannon como no do «Partido de Davos» de Blair, Aznar, Biden e Negroponte, mais esquadrão da morte, menos esquadrão da morte. Donde não nos será difícil ter uma ideia dos critérios que vão seleccionar a informação expurgada de toda a desinformação e falsidade a servir aos eleitores envolvidos na escolha de duas dezenas de governos, parlamentos e presidentes em pouco mais de 12 meses.

Para estes corpos transnacionais de polícia eleitoral, com as suas divergências, que não são de fundo – longe disso – o que vai jogar-se é somente a manutenção do sistema de exploração garantido pelo capitalismo selvagem, o neoliberalismo económico, o fascismo social. Mais ou menos fascismo político, isso depende apenas do doseamento de meios para obter o mesmo fim.

Na verdade, estes campos são fáceis de identificar. Assim as pessoas queiram vê-los e combatê-los.

2019/01/10

Venezuela - A Tomada de Posse que o Capital Censurou (1)

Do muito que tenho aqui visto sobre a tomada de posse de Nicolas Maduro,há algumas coisas que me saltam à vista :

A imprensa do capital diz que Nicolas Maduro está isolado,no entanto 98 países enviaram delegações à sua tomada de posse.

Jair Bolsonaro foi contemplado com 46 delegações,entre elas,para vergonha nossa,a portuguesa.

Marcelo disse que se recusou a ir à tomada de posse de Maduro porque a sua eleição não representa a vontade da maioria dos venezuelanos,recordo que Maduro ganhou as presidenciais de Maio com 67% dos votos expressos,já Marcelo ganhou a sua presidência com 52% dos votos expressos.No entanto Marcelo diz que a eleição não vincula os venezuelanos pois só 47% votaram,é curioso que pela narrativa de Marcelo a sua própria eleição também não vincula os portugueses pois "apenas" votaram 48,66% dos portugueses em 2016.

O hilariante aconteceu no Uruguai,uma manifestação com milhares de pessoas de apoio ao mandatário venezuelano,teve o mesmo impacto que a manifestação dum anormal em frente à embaixada da Venezuela em Montevideu.

No fim de contas,estou-me nas tintas para tudo isto pois aquilo que mais dou valor é ao Povo venezuelano,e esse está nas ruas de Caracas apoiando o seu mandatário presidencial.

Por fim,recordo as palavras de Hugo Chávez para esta trupe política reaccionária :
"¡Váyanse al carajo, yanquis de mierda, que aquí hay un pueblo digno".
Agora é só trocar o "ianques" por "capitalistas"!
Para nota mesmo final,eu não sou apoiante de Maduro,sou apoiante do Povo venezuelano e se eles gritam "Viva Maduro",então eu grito com eles!
Texto de : Rui Miguel torres.

O Euro É Um Instrumento Neoliberal ao Serviço do Capital

20 Anos do Euro
(Miguel Viegas, Café Central, 2019/01/08)

Assinala-se neste momento 20 anos sobre a criação do euro. A moeda única foi apresentada na altura como o instrumento fundamental que iria acelerar a convergência social e territorial dentro da União Europeia. A realidade das últimas duas décadas demonstra que o euro, longe de cumprir com as expectativas, promoveu a divergência social e económica, convertendo-se num instrumento de domínio que impôs aos Estados nacionais as receitas neoliberais prescritas pela União Europeia. Neste sentido, a libertação dos constrangimentos que decorrem da presença de Portugal na União Económica e Monetária é hoje mais do que nunca indissociável do nosso projecto de uma política patriótica de esquerda.

No dia 1 de Janeiro de 1999, 11 países que integram a União Europeia, entre os quais Portugal, resolveram fixar as suas taxas de câmbio, lançando uma nova moeda: o euro. Este começou por ser uma moeda electrónica utilizada nos mercados financeiros. As notas e moedas do euro entraram em circulação três anos depois. A criação do euro foi um desastre para a nossa economia. Ao delegar a política monetária no Banco Central Europeu, cedo se percebeu que este iria defender sobretudo os interesses da Alemanha promovendo um euro forte que minou a competitividade das nossas exportações. A rigidez cambial alimentou o nosso défice externo. Por fim, as regras do Pacto de Estabilidade, reforçadas mais tarde com o «six pack», o «two pack» e o Tratado orçamental, colocaram a nossa política orçamental ao serviço da moeda única congelando o nosso crescimento económico.

Mas esta é apenas uma faceta da história que até os economistas do sistema têm dificuldade em esconder. O euro e os seus instrumentos foram na realidade um instrumento de domínio sobre a nossa soberania política e económica. Os critérios do défice e da divida serviram no fundamental para promover a privatização de empresas públicas estratégicas nas áreas da finança, da energia, dos transportes ou das telecomunicações. Sob a falsa premissa da «superioridade» do funcionamento dos «mercados», cortou-se nos serviços públicos e nas funções sociais do Estado e liberalizaram-se as relações laborais. Nestes 20 anos não foi apenas o PIB que estagnou. Portugal tornou-se mais pobre e dependente. Perdeu alavancas fundamentais que fragilizam a sua capacidade de poder imprimir políticas de desenvolvimento ao serviço dos trabalhadores e do povo.

O Governo PS e a legião de comentadores que o suportam andam inebriados com os actuais números do défice esquecendo-se, deliberadamente, que esta performance é meramente conjuntural. Com a quebra do crescimento económico e o fim dos estímulos do BCE todo o peso da nossa dívida pública acumulada durante a vigência do euro virá logo ao de cima.

As ameaças e chantagens da União Europeia voltarão a pairar sobre o nosso País e a «austeridade» voltará a cair sobre os trabalhadores, os reformados e os pequenos e médios empresários. O euro é inseparável da matriz neoliberal da União Europeia. Nas próximas eleições para o Parlamento Europeu importa vincar bem as diferenças que nos separam daqueles que, ingenuamente ou não, continuam a defender uma ilusória «reforma do euro» em «benefício» de Portugal e da Europa.

A Privatização como Roubo Instituido

O esbulho da propriedade estatal tem sido constante e seguido sempre o mesmo guião. Degradar a empresa para criar mau estar, descapitalizar a empresa para lhe baixar o preço, retirar-lhe os setores improdutivos ou menos lucrativos para a tornar atraente e finalmente vender aos amigos ao preço da banana. Repescamos aqui mais um artigo sobre o golpe em preparação na CP.

Respostas aos afãs da Direita
(Manuel Carvalho da Silva in JN, 2018/09/01)

Os trabalhadores da CP e forças de Esquerda há muitos anos denunciam o crescendo de bloqueios à manutenção da capacidade operacional e à modernização desta empresa, e de outras que com ela se articulam, no contexto da afirmação da ferrovia como excelente solução para o transporte em geral e para a mobilidade das pessoas em particular.

2019/01/08

Não é populismo, é fascismo

Não é populismo, é fascismo
(Carvalho da Silva, DN, 2019/01/06)

É surpreendente que sociedades carregadas de injustiças e desigualdades, polarizadas em guetos, se tornem perigosas? Sociedades onde uma ínfima minoria é muita rica e manipula todos os poderes, uma grande parte é extremamente pobre e não tem voz, e no meio fica um enorme massa de seres humanos a deslizar para o lado da privação e da desesperança são sociedades em perigo. Neste contexto, será surpresa surgirem messias providenciais que, prometendo autoridade e segurança, encontram um público disponível para os apoiar e até para lhes propiciar vitórias eleitorais? Não, não é. Está a acontecer hoje o que já aconteceu no passado.

A Agressão Imperialista em Curso

EUA Assumem ataque a Venezuela
Confirmado: os EUA reconhecem que as sanções visam o colapso da Venezuela
(Missão Verdade in ODiario.info, 2018/02/09)

O Estado profundo no confessionário

[...] O chefe da CIA, Mike Pompeo, confessou num fórum do think-tank neoconservador American Enterprises Institute que o aparelho de informações que dirige trabalhou lado a lado com Trump as componentes operacionais das sanções contra a Venezuela.

Os media internacionais que registaram a declaração extraíram dela a parte mais rentável para as suas conveniências, encobrindo os detalhes que durante quase uma hora Pompeo expôs sobre o trajecto que deu lugar à institucionalização de sanções financeiras mediante uma Ordem Executiva (13692) e várias suspensões de reconhecimento por parte da OFAC/Departamento do Tesouro a mais de 30 funcionários de alto nível do Estado venezuelano.

2019/01/07

Mais-valia

Mais-valia
(António Vilarigues, O Castendo, 2018/12/14)

A jornada de trabalho divide-se em duas partes: trabalho necessário e sobretrabalho.

Na parte chamada trabalho necessário o trabalhador produz para si próprio, isto é, produz uma quantidade de valor correspondente ao valor dos seus meios de subsistência.

No sobretrabalho o trabalhador produz a mais-valia, ou seja, um valor a mais, que antes não existia e que, através da sua apropriação privada pelo capitalista, forma o lucro.

Se numa jornada de trabalho de 8 horas 2 são de trabalho necessário e 6 sobretrabalho, nesse caso a mais-valia equivale a 6 horas