2019/02/15

10 Mentiras Sobre A venezuela

Dez mentiras sobre a Venezuela que, de tanto se repetirem, se tornaram base para opinião
(Katu Arkonada, in Crónicas do Sul, 12/02/2019)

A Venezuela entrou numa nova fase de um golpe que se iniciou em 11 de abril de 2002, se intensificou em 2013 depois da morte de Chávez, e recrudesceu com a violência opositora das “guarimbas” em 2014 e 2017. A guerra híbrida que a Venezuela vive tem a desinformação e a manipulação mediática como armas de combate. Lemos e escutamos mentiras que analistas que nunca estiveram na Venezuela repetem tantas vezes que se convertem em realidade para a opinião pública.

1. A Venezuela tem 2 presidentes. Falso. A constituição Venezuelana estabelece no artigo 233 como falta absoluta de Presidente os casos de morte, renúncia, destituição pelo Supremo Tribunal Federal, incapacidade física ou mental decretada por uma junta médica, o abandono do cargo ou a revogação popular de seu mandato, além disso, se houver absoluta falta do Presidente é o Vice-Presidente que assume a presidência e convoca eleições. Guaidó não tem nenhum argumento Constitucional para se auto-proclamar Presidente.

2. Guaidó tem o apoio da comunidade internacional. No dia 10 de janeiro, na tomada de posse de Maduro, houve representações diplomáticas de mais de 80 países, da Rússia à China, passando pelo Vaticano, a Liga Árabe e a União Africana. Esses países continuam a manter relações diplomáticas com o governo liderado por Nicolás Maduro. Guaidó tem o reconhecimento dos mesmos países que em 10 de janeiro não reconheciam Maduro: os Estados Unidos, o Grupo Lima (exceto o México) e a maioria dos estados da UE, também a Geórgia (devido à sua disputa territorial com a Rússia), Austrália e Israel aderiram.

3. Guaidó é diferente da oposição violenta. Guaidó é deputado do Voluntad Popular, partido político que ignorou as eleições presidenciais de 2013 e cujo líder, Leopoldo López, é condenado por ser o autor intelectual de “La salida”, que promoveu as “guarimbas” de 2014, com saldo de 43 mortos e centenas de pessoas feridas.

4. A Assembleia Nacional é o único órgão legítimo. Não é verdade. O artigo 348 da Constituição venezuelana autoriza o Presidente, no Conselho de Ministros, a convocar uma Assembleia Constituinte, e o Artigo 349 define que os poderes constituídos (Assembleia Nacional) não podem de modo algum impedir as decisões da Assembleia Constituinte. A decisão de convocar a Assembleia Constituinte foi um ato de astúcia do chavismo para superar o bloqueio da Assembleia Nacional, que pode ou não gostar, mas foi realizado no estrito respeito pela Constituição.

5. Maduro foi reeleito de forma fraudulenta, em eleições sem oposição. Outra mentira que se repete como mantra. As eleições de 20 de maio de 2018 foram convocadas pela mesma Justiça Eleitoral e usando o mesmo sistema eleitoral com o qual Guaidó se tornou deputado. Havia 3 candidatos da oposição que reuniram 33% dos votos e seguiram as regras acordadas na mesa de diálogo realizada na República Dominicana entre o governo venezuelano e a oposição, com o ex-presidente espanhol Zapatero como mediador, que também, subsequentemente, participou como observador nas eleições presidenciais.

6. Na Venezuela não há democracia. Desde 1998, foram realizadas 5 eleições presidenciais, 4 eleições parlamentares, 6 eleições regionais, 4 eleições municipais, 4 referendos constitucionais e uma consulta nacional. 23 eleições em 20 anos. Todos com o mesmo sistema eleitoral, considerado o mais seguro do mundo pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

7. Na Venezuela há uma crise humanitária. Sem dúvida alguma que na Venezuela há uma crise económica no momento, resultado de uma guerra económica que começou logo após a morte de Chávez e foi agravada pelas sanções do Congresso dos Estados Unidos (dezembro de 2014), a ordem executiva de Obama declarando a Venezuela um perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos (março de 2015), prorrogada e ampliada (agosto de 2017) por Trump com sanções que impedem a compra de alimentos e medicamentos. Esta crise levou a uma migração económica que se destinava a dissimular o exílio político, algo que os dados negam (entre janeiro e agosto de 2018, a Comissão Mexicana de Assistência aos Refugiados recebeu 3.500 solicitações de refúgio de venezuelanos, para um total de 6.523 pedidos. Em refúgio para os cidadãos hondurenhos, quase o dobro).

8. Na Venezuela, os direitos humanos são violados. Vamos analisar os números das repressões de 2017: 131 pessoas mortas, 13 das quais foram baleadas pelas forças de segurança (compostas por 40 membros presos e processados); 9 membros da polícia e da Guarda Nacional Bolivariana mortos; 5 pessoas queimadas vivas ou linchadas pela oposição. Os restantes morreram na sua quase totalidade enquanto manipulavam explosivos ou tentavam contornar as barricadas da oposição.

9. Na Venezuela não há liberdade de expressão. Basta ver as imagens de Guaidó falando com dezenas de microfones no meio das ruas públicas, ou dando entrevistas aos média internacionais todos os dias para saber que isso não é verdade. Na Venezuela, além disso, diferentemente do México, os jornalistas não são assassinados ou desaparecem por fazer seu trabalho.

10. A comunidade internacional está preocupada com o estado da democracia na Venezuela. A “comunidade internacional”, representada pelos Estados Unidos e pelo Grupo Lima, não está preocupada com os prisioneiros torturados em Guantánamo; ela não está preocupada com os líderes sociais e defensores dos direitos humanos que são mortos todos os dias na Colômbia; ela não está preocupada com as caravanas de migrantes que fogem da doutrina de choque neoliberal em Honduras; ela não se importa com as relações dos filhos de Bolsonaro com as milícias que assassinaram Marielle Franco. Não, ninguém julga as graves violações dos direitos humanos nos países do Grupo Lima e seu aliado, os Estados Unidos. O que está escondido por trás dessa preocupação não é chamado de democracia, é chamado de petróleo, é chamado de ouro, é chamado de coltan.

*Katu Arkonada é cientista político, autor de livros relacionados à política latino-americana e membro da Rede de Intelectuais na Defensa da Humanidade

2019/02/11

A Guerra Que Eles Tanto Querem

Os sociopatas e os seus seguidores
(José Goulão, AbrilAbril, 2019/02/08)

Para os países alinhados com Washington já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

Houve ocasiões – raras – em que os principais governos da União Europeia se distanciaram do comportamento boçal, truculento e neofascista da administração norte-americana gerida por Donald Trump. É certo que as razões nem eram louváveis, uma espécie de escrever direito por linhas tortas porque contrapor à política de fortaleza comercial de Washington o neoliberalíssimo «comércio livre» global, que serve meia dúzia de grandes conglomerados económico-financeiros, não é propriamente um comportamento honroso.

Ainda assim, essa situação foi suficiente para os que fazem política e comunicação navegando à vista nas vagas do oportunismo situacionista tentarem fazer crer que entre Washington e alguns dos principais aliados existiam saudáveis divergências, recomendáveis pelo facto de «parecer mal» estarem associados aos desmandos trumpistas.

Porém, o que tem de ser tem muita força, a realidade impôs os factos, as máscaras caíram, o globalismo ditou as suas leis, embora já periclitantes, e deixou de haver lugar para disfarces.

A harmonia entre Washington e os aliados restabeleceu-se quando foi preciso por mãos à obra e cuidar do que interessa a quem manda: o domínio sobre as matérias-primas e a vantagem militar planetária para, em última instância, assegurá-lo.

Bastou o aparecimento de provas de que a superioridade militar da NATO e respectivas ramificações pode estar em causa; eis que entra na ordem da actualidade uma disputa mais cerrada pelas riquezas naturais do mundo – e logo a boçalidade e o desprezo militante de Trump por qualquer coisa que tenha a ver com democracia e direitos humanos deixaram de ser problema.

A harmonia chegou com os psicopatas
Esbateram-se os limites, desapareceu a vergonha. Se o caminho mais eficaz para garantir a sobrevivência do «nosso civilizado modo de vida» é o recurso à autocracia, então que seja, desde que o discurso oficial assegure as melhores intenções democráticas e humanistas.

«A harmonia entre Washington e os aliados restabeleceu-se quando foi preciso por mãos à obra e cuidar do que interessa a quem manda: o domínio sobre as matérias-primas e a vantagem militar planetária para, em última instância, assegurá-lo»

Mesmo que a harmonia entre a NATO e a gestão do Pentágono, a comunhão de ideais entre quem manda na União Europeia e a administração de Washington se tenham restabelecido no momento em que, depois de muitos tumultos e convulsões, a equipa que traça a doutrina Trump seja agora um sólido núcleo de psicopatas.

John Bolton, o conselheiro de Segurança Nacional do presidente; Michael Pompeo, o secretário de Estado, por inerência o tutelar dos Negócios Estrangeiros; Michael Pence, o vice-presidente, formam um triunvirato de fascistas com provas dadas em carreiras onde o recurso ao terrorismo político, declarado ou clandestino, nunca foi um problema.

Se lhes associarmos as figuras de um comprovado assassino e fora-da-lei como Elliott Abrams, agora escolhido como enviado especial para gerir o golpe na Venezuela; e de um expoente da «supremacia branca» como Steve Bannon, que corre mundo unindo as hordas fascistas, xenófobas, populistas e nacionalistas para manter a pressão, de modo a que o neofascismo seja a solução e nunca um problema, teremos um quinteto de psicopatas à altura de Trump, de tal modo que torna o próprio presidente descartável.

União Europeia ao lado de Trump contra a Venezuela

Pois foi precisamente na hora da estabilização do fascismo e da sociopatia como doutrina norte-americana que a NATO e a União Europeia – com o governo de Portugal fazendo questão de destacar-se – decidiram prestar-lhe vassalagem. Certamente não foi para que o governo português encarreirasse na esteira do terrorismo político e da guerra nuclear que os portugueses votaram.

Para os devidos efeitos e para memória futura registemos o desprezo assumido pela equipa de António Costa em relação à democracia, aos direitos humanos, à paz e ao direito internacional. Não existe outra interpretação possível do apoio ao golpe contra a Venezuela; não há hipótese de concluir outra coisa do alinhamento pleno com a NATO nos caminhos da guerra nuclear que estão a ser abertos por Washington.

É terrorismo, não é democracia

Aquilo que está a acontecer na Venezuela, e que tem proactivamente a mão do governo de Portugal, é terrorismo, é tentação fascista, é jogar com a vida de milhões de pessoas.

Não se trata apenas da entronização como «presidente interino» de um arruaceiro que os Estados Unidos treinam e pagam há 15 anos para servir como instrumento numa operação de golpe de Estado. Juan Guaidó é um entre vários que se formaram numa escola de terrorismo na Sérvia financiada pelos Estados Unidos, conhecida como Otpor/CANVAS1, para organizar «revoluções coloridas» e mudanças de regime em geral, de que são exemplos casos como o da Ucrânia, Geórgia, Egipto, Líbia, Síria, Honduras, Paraguai, Brasil.

E não se trata igualmente do recurso ao pretexto das supostas «irregularidade» e «ilegitimidade» das eleições presidenciais de Maio do ano passado, que decorreram segundo normas democráticas comprovadas por entidades independentes e de reconhecida idoneidade que acompanharam todo o processo. Ao contrário do que fizeram, por exemplo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a alta comissária europeia, Federica Mogherini, que recusaram os convites para serem ou enviarem observadores, partindo do princípio de que as eleições seriam fraudulentas muito antes de se realizarem.

O que está verdadeiramente em causa como consequência do comportamento das personalidades, entidades e organizações que apoiam a estratégia de mudança de regime montada pela equipa de psicopatas de Trump é a tragédia que paira sobre todo o povo venezuelano – comunidade portuguesa obviamente incluída.

Uma tragédia anunciada, uma vez que os promotores da operação tiveram o cuidado de não deixar margem de recuo. A parada é alta e todo o processo foi montado de modo a que não haja outra saída que não seja a destruição da Revolução Bolivariana, sufragada em mais de uma vintena de consultas populares legítimas realizadas durante os últimos 20 anos.

Solução: banho de sangue

Ora a capitulação do governo de Nicolás Maduro – que não tem de se demitir ou de convocar eleições porque a Constituição, a única lei pela qual responde, não o obriga – só pode ser alcançada por estas vias: golpe militar interno, agressão estrangeira directamente pelos Estados Unidos ou por procuração (Brasil, Colômbia e Argentina estão prontos), ou colapso absoluto do Estado devido às sanções, extorsão e roubo de que os bens do povo venezuelano são vítimas – a começar pelas 31 toneladas de ouro de que entidades bancárias estrangeiras se apropriaram abusivamente, também com responsabilidade do Banco Central Europeu, para que conste.

Sejam quais forem os caminhos seguidos pelos responsáveis do golpe, o resultado será um banho de sangue com extensão imprevisível. Esse é o preço que Estados Unidos e aliados estão dispostos a pagar para deitarem as mãos aos 300 mil milhões de barris de petróleo venezuelano – as maiores reservas mundiais conhecidas – às poderosas reservas de ouro, nióbio, tântalo e outros elementos e metais preciosos.

Não há pretextos e máscaras que sirvam para a ocasião. O que, através do golpe, os Estados Unidos, a União Europeia e aliados puseram em andamento foi a compra que um valiosíssimo lote de riquezas naturais e estratégicas pago com sangue humano, na quantidade que for precisa. Afinal, tal como no Iraque, na Líbia, na Síria ou Afeganistão.

O caminho para a guerra nuclear

A fuga para a frente com o objectivo de garantir a sobrevivência do neoliberalismo, conduzida pelo gang de tiranos sociopatas de Washington, não hesita, como se vê, perante a repugnante e desumana traficância em curso na Venezuela.

Fuga essa que começa a adquirir velocidade própria numa outra direcção até aqui vedada pelos mais compreensíveis instintos de sobrevivência colectiva: a da guerra nuclear.

Não há outra leitura para a decisão norte-americana de abandonar o Tratado de Armas de Médio Alcance (INF2), assinado há 30 anos pelos Estados Unidos e a União Soviética.

Não há outra leitura do apoio a essa posição manifestado pela NATO e pelo sempre «bom aluno», o governo de Portugal.

Os pretextos invocados para o abandono do Tratado são falsos ou, no mínimo, desconhecidos. Nem os Estados Unidos nem a NATO apresentaram, até ao momento, qualquer prova de que a Rússia estaria a violar esse acordo. Em paralelo, também não se regista qualquer interesse, tanto dos dirigentes norte-americanos como da NATO – e da comunicação social com eles sintonizada – em aceitarem os convites de Moscovo para visitarem os locais onde supostamente estariam a ser construídas as armas que violam o Tratado.

Ao invés, a parte russa já divulgou provas de que os Estados Unidos estão a produzir armas proibidas pelo Tratado há pelo menos dois anos.

É objectivo dos Estados Unidos instalar os novos mísseis em países europeus como a Itália, a Alemanha e a Holanda, onde também está prevista a disponibilização de bombas nucleares de nova geração3.

«John Bolton, Michael Pompeo e Michael Pence formam um triunvirato de fascistas com provas dadas em carreiras onde o recurso ao terrorismo político, declarado ou clandestino, nunca foi um problema. [Com] um comprovado assassino e fora-da-lei como Elliott Abrams e um expoente da «supremacia branca» como Steve Bannon teremos um quinteto de psicopatas à altura de Trump, de tal modo que torna o próprio presidente descartável»

Trata-se de engenhos ditos de potência reduzida, isto é, com uma capacidade de destruição calculada em metade ou mesmo menos dos largados sobre Hiroxima e Nagasaki. Este facto tem ajudado a consolidar a tese perigosíssima segundo a qual as novas bombas poderão ser utilizadas em conflitos limitados e sem provocarem respostas equivalentes, o que as torna uma vantagem decisiva.

Torna-se evidente que o recurso a essas bombas implica a existência de mísseis vocacionados para transportá-las – e daí a quebra do Tratado INF.

Deduz-se, pois, que pelas cabeças doentes e sanguinárias de figuras como Bolton – que pretende enviar Maduro para Guantánamo – Pence e Pompeo passa, de facto, a ideia de vir a utilizar essa nova combinação de mísseis de médio alcance com armas nucleares de «potência reduzida» e tendo a Europa como um dos cenários de operações. Pelo que os países europeus sintonizados com os tiranos sociopatas de Washington não desprezam apenas a vida dos venezuelanos, mas também a dos seus próprios povos4.

Já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

1. Estas e outras revelações podem ser lidas no esclarecedor artigo «Para saber tudo sobre o golpista Juan Gaidó», publicado numa tradução exclusiva para Portugal pelo jornal digital O Lado Oculto, que se apresenta como um «antídoto para a propaganda global» e é dirigido pelo nosso colaborador José Goulão.

2. A sigla INF provém do nome do tratado em inglês, habitualmente designado, nessa língua, por INF Treaty (de Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty). Esta entrada da Wikipédia refere 20 de Outubro de 2018 como o ponto de partida para a derrogação do tratado INF, quando Donald Trump acusou a Rússia de «violá-lo há muitos anos». Na verdade, desde o início de Fevereiro de 2018 que os EUA tinham revisto a sua postura estratégica sobre a utilização de armas nucleares (Nuclear Posture Review). Nesse documento os EUA não descartam um ataque nuclear inicial por sua iniciativa e designam a Rússia e a China como inimigo principal. Na altura, o nosso colaborador André Levy alertou para os riscos desta agressiva evolução, que recolocou o perigo de holocausto nuclear na ordem do dia («A dois minutos da meia-noite», 16 de Fevereiro de 2018). Recentemente, também o nosso colaborador António Abreu se pronunciou sobre o tema («A guerra nuclear limitada, de novo», 4 de Fevereiro de 2019).

3. Um relatório do grupo de analistas militares Southfront, «INF Is Dead. Europe Is One Step Closer To Nuclear War», coloca como verdadeira razão para o abandono do INF não uma eventual ameaça russa ou chinesa mas a necessidade de a administração estado-unidense voltar a financiar massivamente o complexo militar-industrial americano, afim de este produzir avançados sistemas de mísseis e anti-mísseis que poderão vir a ser vendidos a alto preço no cenário europeu afectado pela «febre da ameaça russa». Pode ler e ouvir o relatório aqui.

4. A prestigiada ONG International Campaign to Abolish Nuclear Weapons (ICAN), que recebeu em 2017 o Prémio Nobel da Paz, considerou que a retirada dos EUA do tratado põe, antes do mais, a Europa em grave risco, dada a natureza da aliança militar entre aquele país e a União Europeia, consubstanciada na NATO. Se a Rússia for atacada nuclearmente os seus sistemas de Mútua Destruição Assegurada (Mutual Assured Destruction, ou MAD, acrónimo que tem a particularidade de significar «louco», em inglês) dispararão em segundos. Os sistemas MAD prevêm o disparo automático de todos os mísseis e armas nucleares disponíveis contra os potenciais atacantes (previamente definidos) mesmo que os sistemas de comando e a direcção político-militar do país tenham sido completamente destruídos. Tanto os EUA como a Rússia dispõem de um arsenal nuclear para destruir várias vezes o planeta.

2019/02/08

Quem é o pró-cônsul Guaidó?

Se não existisse tinha de ser inventado. O Lado oculto tornou-se uma ferramenta informativa essencial para quem pretenda saber como vai o mundo. Eis de onde vem o pró-consul nomeado pelo império e aceite por meia europa. @Refer&ncia

Para Saber Tudo Sobre o Golpista Juan Guaidó
(Max Blumenthal* e Dan Cohen**, The Grayzone Project/O Lado Oculto, 2017/02/05)

Antes do fatídico dia 22 de Janeiro, menos de um em cada cinco venezuelanos tinha ouvido falar de Juan Guaidó. Há apenas alguns meses, este homem com 35 anos era um personagem obscuro de um grupo de extrema-direita politicamente marginal e associado a tenebrosos actos de violência nas ruas. Mesmo no seu próprio partido, Guaidó não passara de uma figura de nível médio na Assembleia Nacional dominada pela oposição e que agora age como um órgão que despreza a Constituição da Venezuela.

Porém, após um único telefonema do vice-presidente dos Estados Unidos da América, Michael Pence, Guaidó proclamou-se presidente da Venezuela. Ungido em Washington como dirigente máximo do seu país, um personagem político anteriormente desconhecido foi colocado nos palcos internacionais como chefe de uma nação que possui as maiores reservas petrolíferas do mundo.

Porquê umas e não outras?

«Porquê umas e não outras?» Perguntava o Vitor Vieira num comentário a um post do Vitor Dias a propósito das declarações do Zapatero antes de o patrão lhos ter apertado. E deixava alguns dados que consultou nas duas CNE:

- O Maduro obteve 67,8% dos votos expressos, o que correspondeu a 31,7% do total de eleitores inscritos, com 54% de abstenção.

- O Marcelo obteve 52% dos votos expressos, o que correspondeu a 24,8% do total de eleitores inscritos, com 51,3% de abstenção

- O primeiro ganha em dois indicadores e até a abstenção foi semelhante, com uma diferença inferior a 3 pontos percentuais.

Qual a diferença? Respondo eu, a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo verificadas do planeta.

Não, não são todos iguais!

Porque estes desmentidos vão ter, nos media corporativos, uma visibilidade muito inferior à da peça de uma jornaleira em busca de fama fácil, preciso de os ter aqui bem à mão para os esclarecimentos que se avizinham. Mas a coisa resume-se assim:

- A Câmara Municipal não é das mais endividadas do país, pelo contrário, é dos municípios com melhor eficiência financeira (18º entre os 308 do país), maiores resultados económicos (9º), maior diminuição da dívida (13º) e maior diminuição do IMI (19º entre 308).

- Sobre a contratação de apoios técnicos aos vereadores com pelouro todos sabemos que ninguém em parte alguma do país os contrata por concurso público.

- Ainda importa frisar que «a contratação foi deliberada por unanimidade, em 23 de novembro de 2017, e nos termos da lei, com os votos dos vereadores da CDU, PS, PSD e BE. [...] Trata-se de uma deliberação semelhante à tomada em diversas câmaras municipais, de várias cores políticas, mas que fica muito aquém de outras, quer em termos do número de contratados, quer em termos dos valores que representa, dando como exemplo a Câmara Municipal de Lisboa, onde cada vereador tem direito a seis assessores e dois administrativos […] muito acima da Câmara Municipal do Seixal, não se questionando a legitimidade da Câmara Municipal de Lisboa a ter os apoios que considera necessários. O que se regista é a ostensiva opção da TVI de prosseguir com uma manipulação política, que a peça editada deliberadamente faz.»

- Dos veículos que a jornaleira afirma serem de luxo, um é uma carrinha, em tudo semelhante à que a jornaleira usou para se deslocar com a sua equipa técnica, o outro, veio substituir o veículo com 12 anos ao serviço da Presidência da Câmara, todos adquiridos através de concurso público num processo de renovação da frota automóvel. @Referência

Mais aqui ;-) copy/paste no browser:
https://referenciasemmais.blogspot.com/2019/02/nao-nao-sao-todos-iguais.html


Câmara Municipal do Seixal repudia e desmente peça da TVI
(CMS, 2019/02/07)

A Câmara Municipal do Seixal repudia e desmente as insinuações e acusações formuladas na peça da TVI, transmitida hoje, dia 7 de fevereiro, lamentando este tipo de jornalismo que em vez de informar e prestar o devido serviço público, deturpa, manipula e falta à verdade de forma deliberada.

Mais lamenta que passados quase 45 anos do 25 de Abril, a liberdade conquistada sirva não para defender os interesses das populações e do país, ou prestar as informações corretas, mas sim para denegrir o bom nome de pessoas sérias que vivem do seu trabalho, tantas vezes em prol dos outros.

Quanto aos pseudo factos apresentados, cumpre à autarquia esclarecer que todos os contratos referidos na peça da TVI são públicos, cumprem a legislação em vigor e estão disponíveis para consulta.

A Câmara Municipal do Seixal não poderia deixar de dar também nota da forma ostensiva e inapropriada na abordagem efetuada pela equipa da TVI junto do presidente da autarquia, à porta de sua casa, expondo desta forma a sua vida e a sua família que estava presente. Consideramos não se tratar de atitudes corretas nem dignas de um órgão de comunicação social de âmbito nacional, que deveria dar o exemplo, nem se compreendendo tal atitude, tendo em conta que esta é uma autarquia que sempre se mostrou disponível para falar à comunicação social, como se pode ver pela entrevista de quase uma hora dada à TVI.

Importa portanto apresentar a realidade dos factos e não ficção mais ou menos fantasiada, esclarecendo de forma séria e objetiva as contratações em causa:

Dr. Luís Miguel Franco
Trata-se de uma assessoria jurídica em regime de avença no âmbito do direito contraordenacional, cujo contrato foi celebrado a 15/02/2018, com uma remuneração anual de 30 800,00 € (2.200,00 € x 14 meses). Consultar procedimento.

Trata-se de responder a uma necessidade de tratar um volume crescente de processos de contraordenação. A Câmara Municipal do Seixal abriu entretanto concurso para a admissão de 3 advogados, pelo que até este estar concluído, necessitou de avançar com uma contratação deste tipo.

Este técnico superior, para além do apoio jurídico acima referido, é instrutor em processo de contraordenação tendo tido a seu cargo, em 2018, 151 processos (a média anual é de 125 processo por instrutor), para além do apoio direto prestado à chefe de divisão e outros instrutores.

Destaca-se do seu currículo a licenciatura em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e o exercício de anos como advogado. As suas principais áreas de intervenção são o Direito Constitucional, Penal e Processual Penal, Administrativo, RJUE, Regime Geral de Contraordenações, Direito Civil e Processual Civil e Direito do Trabalho.

Dr. Joaquim Judas
Está em causa uma prestação de serviços médicos especializados em medicina do trabalho, com contrato de 16/07/2018 e uma remuneração anual de 46 368,00 € (3 864,00 € x 12 meses) isentos de IVA. Apresenta um valor hora de 46,00 €, valor abaixo do praticado pelo outro médico ao serviço da Câmara Municipal do Seixal, 51,45 €, euros/hora. Consultar procedimento.

Trata-se de responder a uma necessidade legal de ter dois médicos do trabalho face aos 1600 trabalhadores da autarquia. A Câmara Municipal do Seixal só tinha uma médica, pelo que o fez através desta prestação de serviço com o Dr. Joaquim Judas.

De realçar que dos 1643 exames médicos realizados (admissão, periódicos e ocasionais) em 2018, 877 foram realizados pelo Dr. Joaquim Judas.

Destaca-se do seu currículo a Licenciatura em Medicina, com a especialidade de Medicina do Trabalho, tendo exercido a sua atividade na Câmara Municipal do Seixal, desde 1993 e em outras entidades como o Instituto Português da Qualidade, o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental e a Câmara Municipal de Lisboa, que presumimos não terem ligação ao Partido Comunista Português.

Contratação de apoios técnicos aos vereadores com pelouro

Importa esclarecer que a mesma foi deliberada pela Câmara Municipal do Seixal (órgão executivo) por unanimidade, em 23 de novembro de 2017, e nos termos da lei com os votos dos vereadores da CDU, PS, PSD e BE.

Determina essa deliberação que cada vereador com pelouro disponha de um apoio técnico para o exercício de funções técnicas no âmbito da sua formação e/ou experiência profissional. Mais foi deliberado que a remuneração máxima desses apoios técnicos (em caso de prestação de serviço) fosse de 41 330,94 € anuais, acrescidos de IVA à taxa legal, tendo sido delegada em cada vereador a competência para desenvolver os procedimentos de contratação.

Trata-se de um deliberação semelhante à tomada em diversas câmaras municipais, de várias cores políticas, mas que fica muito aquém de outras, quer em termos do número de contratados, quer em termos dos valores que representa, dando como exemplo a Câmara Municipal de Lisboa, onde cada vereador tem direito a seis assessores e dois administrativos. Na Câmara Municipal de Lisboa, os 9 vereadores com pelouro têm 55 assessores, muito acima da Câmara Municipal do Seixal, não se questionando a legitimidade da Câmara Municipal de Lisboa a ter os apoios que considera necessários. O que se regista é a ostensiva opção da TVI de prosseguir objetivos de manipulação política, que a peça editada deliberadamente faz.

No Município do Seixal, em 2018, para 8 vereadores com pelouro foram contratadas 4 pessoas para apoio técnico especializado. Para os 5 mandatos a tempo inteiro da CDU foram contratadas duas pessoas e para os dois mandatos a meio tempo do PS foram contratadas também duas pessoas, a saber:

Dr. José Gonçalves
Prestação de serviço para apoio técnico especializado à vereadora do Pelouro da Educação, Desenvolvimento Social e Gestão Urbanística. Contrato com data de 29 de dezembro de 2017 e uma remuneração anual de 41 330,94 € (2952, 21 € x 14 meses) acrescidos de IVA à taxa legal. Consultar procedimento.

Trata-se de um advogado experiente, em especial na área da gestão urbanística, tendo também em consideração as responsabilidades políticas assumidas na Câmara Municipal de Almada, em diversos mandatos.

Sr. José Carlos Pereira
Prestação de serviço para apoio técnico especializado ao vereador do Pelouro da Proteção Civil com contrato datado de 18 de janeiro de 2018 e a mesma remuneração mensal, ou seja, 41 330,94 € (2952,21 €x 14 meses) acrescidos de IVA à taxa legal. Consultar procedimento.

Foi eleito vereador na Câmara Municipal do Seixal, pelo Partido Socialista, no mandato 2017-2021, mas renunciou ao mandato em 27 de dezembro de 2017, para assumir o apoio ao vereador do PS.

Dr. Nelson Patriarca
Prestação de serviço para apoio técnico especializado à vereadora do Pelouro da Segurança Alimentar e Bem-Estar Animal, com contrato datado de 18 de janeiro de 2018 e a mesma remuneração mensal, ou seja, 41 330,94 € (2952,21 € x 14 meses) acrescidos de IVA à taxa legal. Consultar procedimento.

É eleito na Assembleia Municipal do Seixal, pelo Partido Socialista, no mandato 2017-2021.

Dra. Ana Sofia Carmo
Prestação de serviço para apoio técnico especializado ao vereador do Pelouro do Ambiente, Serviços Urbanos, Energia e Espaço Público, com contrato datado de 19 de junho de 2018 e a mesma remuneração mensal, ou seja, 41 330,94 € (2952,21 € x 14 meses) acrescidos de IVA à taxa legal. Consultar procedimento.

Contratação de empresas que operam na área do ambiente e salubridade

No período de 2014 a 2018, a Câmara Municipal do Seixal contratou diversas prestações de serviços, com várias empresas, nas áreas da higiene urbana e do abastecimento de água, face a necessidades verificadas.

Estas contratações são públicas, pois estão publicitadas no portal Basegov e cumpriram todas as regras legais de contratação, designadamente do Código dos Contratos Públicos (CCP).

Além da empresa visada pela peça da TVI, a Local & Ideias, com contratos no valor total de 429 341,00 € (+ IVA), foram celebrados mais de 80 contratos neste período, com 15 outras empresas, com um valor total superior a 5 000 000 € em que parte dessas contratações foram feitas através de ajuste direto.

O ajuste direto é um tipo de procedimento de contratação pública previsto no Código dos Contratos Públicos, logo perfeitamente legal e disponível de acordo com a circunstância da necessidade dos serviços.

A título de exemplo, foram contratadas por ajuste direto, entre outras, as empresas SUMA (10 contratos por ajuste direto) e ECOAMBIENTE (11 contratos por ajuste direto). A contratação destas duas empresas com o Município do Seixal, desde 2014, apresenta um compromisso acumulado de 1 814 875,00 €.

A SUMA pertence ao grupo Mota Engil, que tem como administradores ex-ministros de governos do PS, entre os quais Jorge Coelho, bem como outras figuras ligadas ao PSD e CDS, como é o caso de Luís Valente de Oliveira e Lobo Xavier.

A ECOAMBIENTE, que contou como administrador Pedro Passos Coelho, pertence ao Grupo Fomentinvest, liderado por Ângelo Correia, antigo dirigente e ex-ministro de governos do PSD.

Não consta do Código dos Contratos Públicos nenhuma norma de escrutínio político partidário dos titulares ou gerentes das empresas contratadas.

Não questionamos, naturalmente, no respeito pela Constituição da República Portuguesa, qual a opção político-partidária dos responsáveis das empresas a quem contratamos os serviços, não percebendo por que razão a TVI só questiona uma.

A Câmara Municipal do Seixal não está entre as mais endividadas do país

Esta é claramente mais uma informação falsa. Segundo o último anuário financeiro, o Seixal figura nos municípios com melhor eficiência financeira (o 18.º município entre os 308 municípios do país), maiores resultados económicos (o 9.º município do país), maior diminuição da dívida (13.º município) e maior diminuição do IMI (19.º município entre os 308 municípios do país).

Em cinco anos, a Câmara Municipal reduziu a sua dívida para cerca de metade. Em 2012, a dívida do Município era de 104,8 milhões de euros e no final de 2017 a dívida do Município totalizava 57,4 milhões de euros, com todos os compromissos pagos a tempo e horas, ainda aumentado a sua capacidade de investimento e obtendo um saldo de tesouraria de 19 milhões de euros no final do ano de 2018. Por isso se percebe que é mais uma mistificação da TVI.

Aquisição de viaturas

Esta é na realidade mais uma falsa questão. A Câmara Municipal do Seixal desenvolveu um processo de renovação da sua frota municipal superior a 3,8 milhões de euros, onde se incluem as duas viaturas referidas na peça, que custaram cerca de 110 000 € e que mais não são do que viaturas de trabalho para uso do executivo municipal, técnicos da autarquia e convidados ou visitantes.

Importa referir que um desses veículos veio substituir a viatura de apoio ao presidente da autarquia, uma vez que esta já tinha mais de 12 anos. A segunda viatura é uma carrinha de trabalho que permite a deslocação de 7 elementos, idêntica à viatura que transportava a equipa de reportagem da TVI, que abordou ostensivamente o presidente da câmara, quando levava o filho para a escola.

Estes são realmente os factos. Como tal, a Câmara Municipal do Seixal rejeita as insinuações que a peça jornalística da TVI pretende levantar, lamentando mais esta tentativa de pretender fazer crer que as instituições públicas e as políticas são todas iguais, procurando atribuir comportamentos menos éticos a quem não os tem.

A Câmara Municipal do Seixal tem como missão a defesa dos interesses da população do concelho do Seixal e do serviço público que presta e é assim que age em todos os momentos e continuará a agir no quadro das suas competências, respeitando sempre a legislação em vigor.

Insídia e mentira no comando editorial da TVI
(PCP, 2019/02/07)

A peça hoje editada, na esteira de anteriores construções de anticomunismo que a TVI e uma suposta jornalista têm derramado para o ecrã, tem um mérito: o de se perceber a operação que, sustentada nas mesmas mentiras e falsificações, percorre o objectivo pré-determinado de atacar os comunistas e o PCP.

As insinuações transformadas em acusações que hoje se repetiram não merecem mais que a dose de desprezo correspondente à desqualificação profissional e ética de quem a produz. A má-educação e a boçalidade em presença nas expressões que usa, a confrangedora ignorância revelada sempre que sai do guião de calúnias que estabeleceu, a ligeireza com que recorre à mentira patenteada na peça, a idiotice revelada quando inquisitorialmente insiste na pergunta se alguma vez o carro da autarquia o conduziu a casa, a intolerável e pidesca invasão de privacidade – são exemplo de tudo o que um mero candidato a um curso de jornalismo não pode cometer se aspirar a essa profissão.

Aos que ocorrerão a acusar o PCP de não desmentir as mentiras se responderá que, para lá do que documentadamente a autarquia esclarece, o conteúdo da peça desmente-se a si próprio. Não vale a pena insistir, porque a interlocutora não alcança a explicação, de que é mentira a Câmara Municipal do Seixal ser das mais endividadas (ignorando a relação dívida/receita) quando aquele município é o 18.º no ranking entre cem com melhor eficiência financeira como se pode consultar no Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses; não vale a pena tentar que perceba a definição de ajuste directo, contrato limitado ou contrato público; seria gratuita levá-la a constatar que os «carros de luxo» que alude são idênticos aos que a equipe da TVI usou aquando da entrevista com o presidente da Câmara Municipal; a impossibilidade cognitiva que torna inútil levá-la a conseguir distinguir a função de «eleito» com «emprego»; o esforço em vão de levar a protagonista a entender que não se contrata para funções técnicas de apoio à vereação por concurso (no Seixal como em qualquer outro município); e ainda menos tentar que o impulso odioso, persecutório contra o direito dos comunistas a terem vida ou trabalho lhe desapareça.

O que é lamentável é que por opção, e seguramente por orientação, a TVI dê abrigo ao que de mais rasteiro se tem produzido e editado no percurso da comunicação social nacional.

2019/02/07

Os EUA como Paradigma da Democracia

Após 25 eleições em vinte anos, das quais o chavismo venceu 23, os EUA decidiram que a Venezuela precisa de ser democratada. Vale a pena passar em revista a qualidade das "eleições" presidenciais no seio do império que decide quem deve e quem não deve ser democratado.

O ocupante da cadeira da casa branca não é nomeado em resultado de eleições directas "cada-pessoa-um-voto", mas por um colégio eleitoral. Lembram-se do salazarismo?

O tal colégio eleitoral emerge de uma eleições em que, tradicionalmente e principalmente pelos métodos valores financeiros envolvidos nas campanhas, só dois candidatos podem almejar à nomeação: o candidato do partido (neoliberal) democrático e o candidato do partido (neoliberal) republicano.

O actual ocupante da casa branca, que decretou a necessidade de democratar a Venezuela, teve 46% de votos nas urnas, menos 5% de votos do que a derrotada, do partido neoliberal democrático, mas "conseguiu" a maioria do colégio eleitoral.

Os dois últimos ocupantes da casa branca pelo partido neoliberal republicano foram nomeados pelo colégio eleitoral com menos votos nas urnas do que o candidato derrotado do partido neoliberal democrático.

Na primeira votação que conduziu à nomeação do Bush Jr. foram inúmeras as irregularidades e fraudes reportadas, tendo a recontagem dos votos sido suspensa pelo Supremo Tribunal quando o candidato Al Gore estava já prestes a ganhar o decisivo estado da Florida.

Algumas das irregularidades passaram pela remoção de milhares de afro-americanos dos cadernos eleitorais milhares nos estados do sul e pela utilização, na Florida, dos famosos boletins borboleta em que o eleitor premia o botão para votar num candidato e o cartão ficava perfurado noutro, de tal forma que num circulo de maioria judaica venceu um candidato neonazi.

O Bush Jr. foi nomeado pelo colégio eleitoral com menos 1% de votos e menos 500 000 votos do que o derrotada Al Gore, tendo este ficado conhecido como o primeiro ex-futuro presidente dos EUA.

O candidato do partido neoliberal democrático é nomeado por um colégio eleitoral em que 2/3 dos grandes eleitores são eleitos e 1/3 é nomeado pela nomenclatura do partido neoliberal democrático, o que permitiu que o candidato Bernie Sanders tivesse vencido as "directas" mas perdido a nomeação pelo colégio eleitoral do partido neoliberal democrático a favor de uma outra candidata mais neoliberal.

Alguém vê num regime destes alguma legitimidade para se pronunciar sobre a democraticidade do que quer que seja ou pela necessidade de democratar o que quer que seja?


Ajuda Humanitária à Venezuela Apreendida nas Fronteiras

O regime português de Costa tentou infiltrar paramilitares armados na Venezuela. Em resposta as forças da ordem venezuelanas limitaram-se a devolver ao remetente as armas e os paramilitares. Nenhum paramilitar ao serviço do palácio de São Bento foi preso por tentativa de ingerência militar num país soberano. Foi assim que a generalidade dos jornais nacionais noticiaram a forma como o governo da República Bolivariana da Venezuela impediu a tentativa de infiltração de paramilitares do regime de Costa. Não foi? Não foi assim? Não noticiaram? Pois, foi isso, a maioria esqueceu-se e o outro acusou os malditos venezuelanos de não deixarem entrar estrangeiros armado no seu território. Malandros!

A policia venezuelana apreendeu armamento enviado pelo regime de Trump destinado a terroristas infiltrados na Venezuela. Foi este o teor da abertura da generalidade dos telejornais de ontem, onde se fazia referência ao facto de Trump, nomeado presidente dos EUA por um colégio eleitoral, resultante de uma votação marcada por acusações de fraude e ingerência estrangeira, ter obtido apenas 46% de votos numa ida ás urnas com elevadíssima abstenção e com menos 5% do que a candidata da oposição democrática. Não? Não foi assim? Não disseram nada sobre as armas apreendidas? Só mencionaram o bloqueio da ponte por onde o regime de Trump quer infiltrar ajuda-militária na Venezuela? Malandros!

2019/02/06

Pergunta o Pedro Tadeu no DN

A queda de Maduro é boa para quem?
(Pedro Tadeu, Diário de Noticias, 2019/01/30)

Nicolas Maduro é um desastre político e o regime da Venezuela é condenável por se suportar no culto da personalidade, no abuso da autoridade, na burocratização, na corrupção e numa economia rentista, dependente do preço do petróleo.

E, no entanto, o que vejo nos jornais e nas TVs sobre a crise política venezuelana deixa-me cada vez mais certezas de que a oposição a Maduro conduz o país a um desastre, reforça-me a convicção de que a queda de Maduro, nestas condições, prejudica o povo da Venezuela e, sobretudo, aumenta-me o número de perguntas sem respostas

Diz o Domingos Lopes no Público

Venezuela, para que conste
(Domingos Lopes, Público, 2019/02/05)

Não há ninguém com o mínimo de honestidade intelectual que não aceite que a crise venezuelana, para além da incompetência e dos erros da ação governativa, enfrenta pressões e ingerências dos EUA. É para vergar o regime pela miséria que se juntam os que querem as riquezas daquele país.

Há, em torno da crise venezuelana, um redemoinho infernal de notícias. A grande maioria das notícias foca a realidade do que se passa naquele país do seguinte modo: há um ditador e uma ditadura nascida com o chavismo de um lado e, do outro, os opositores à ditadura, que, neste momento, têm Guaidó como cabeça, e que é o presidente da Assembleia Nacional (Parlamento). Isto é, há um Parlamento eleito democraticamente. Estranha ditadura... que chegou com Chávez, Presidente eleito em todas eleições a que concorreu, e reconhecidas por todo o mundo como tendo sido livres e limpas. Portanto, na Venezuela, não houve e não há uma ditadura.

Os Gostos Discutem-se e Muito

Sem Titulo
(Manuel Rocha, Forum "Pensar a Educação", 2019/02/03)

“Gostos não se discutem”, diz-se por aí como quem profere a mais límpida das verdades. Acontece, porém, que aqui dentro, e porque o tema é “pensar a educação”, os gostos discutem-se e muito, por ser a partir dos gostos que os lugares são assim ou assado, que a nossa relação com os demais é esta ou aquela, que a nossa visão do mundo tem mais ou menos futuro.

Nas notícias da passada semana dava-se conta de que um grupo de jovens portugueses presentes nas Jornadas Mundiais da Juventude, no Panamá, tinha adoptado como hino da sua passagem pelas américas a canção “Toda a Noite". Mau gosto, disse eu para comigo, que sou dos que acham que os gostos se discutem. Mas o pior da notícia viria a seguir, sob a forma de uma declaração do responsável do grupo que referiu que a canção, entretanto depurada do conteúdo brejeiro, “manifesta a alegria de sermos portugueses”.

2019/02/04

O que eles escondem

Venezuela: O que eles esquecem
(Romain Migus, Resistir.info, 209/01/28)

O presidente francês, Emmanuel Macron, ordena a Nicolas Maduro que não reprima a oposição MAS ELE ESQUECE as 3 300 prisões e os 2 000 feridos ligados à repressão do movimento dos coletes amarelos.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sanchez, dá oito dias a Nicolas Maduro para organizar eleições MAS ELE ESQUECE que não está no seu posto senão graças a uma moção de censura e não por eleições livres.

2019/02/02

A Cronologia de Uma Intervenção Estado-Unidense

« A culpa é toda tua ! » : Crise da Venezuela para totós
(Romain Mingus, 2018/11)

É óbvio que o motivo da crise se chama « Petróleo », o chamado « Ouro Negro ». A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo mundiais, bem como uma das maiores reservas planetárias de minério aurífero. O subsolo contém ainda outros recursos valiosos, como o denominado coltan – columbite/tantalite, minerais de onde se extraem o nióbio e o tântalo, tão em voga na fabricação dos nossos dispositivos electrónicos portáteis –, tório – potencial combustível nuclear, utlizado para fortalecer certas ligas metálicas e com inúmeras utilizações na indústria química –, bauxite – mezcla natural a partir da qual se extrai o alumínio –, minério de ferro, água doce, gás natural, diamantes…percebe-se assim o interesse e o apetite de alguns predadores.

Mas quais são as razões, para além das riquezas do subsolo, que levam a querer matar à fome e martirizar todo um Povo ?

2019/02/01

Mundo Real 2019/02/01

Numa semana marcada pela tentativa de golpe ainda em curso na Venezuela, é natural que mais do que um destaque, ocupemos o Mundo Real de hoje a tentar contrapor algum bom senso ao senso comum veiculado pelos media corporativos. Para o fim, ficou um artigo de Agosto de 2018 com uma síntese do que era a Venezuela antes do chavismo, e duas peças de Bruno Carvalho sobre a realidade que encontrou quando por lá passou recentemente, destinam-se principalmente aos que de entre nós ainda acreditam em democratações.

Venezuela prende grupo de terroristas contratados pela oposição: As autoridades venezuelanas revelaram ter capturado um grupo de mercenários contratados pela oposição venezuelana para cometer assassinatos selectivos, no âmbito da chamada «Operação Constituição» (AbrilAbril, 2019/02/01)

Falsas Bandeiras em Caracas: O presidente do parlamento autoproclamou-se presidente interino. Uma lufada de ar fresco na asfixia democrática na Venezuela? Engana-se quem acha que se apaga fogo com gasolina. (Joana Mortágua, esquerda.net, 2019/02/01)

Cabello denuncia acção «irresponsável» da UE ao promover ingerência na Venezuela: O presidente da ANC denunciou a «irresponsabilidade» da UE por fomentar a ingerência na Venezuela. Esta quinta-feira, o PE reconheceu Guaidó como «presidente interino legítimo» do país sul-americano.(AbrilAbril, 2019/01/31)

Trumpistas: Trump quer escolher o Presidente da Venezuela. Os fascistas Bolsonaro e Netanyahu também. A comunicação social das mentiras de guerra ladra em coro. Governos de países da UE proclamam ser contra Trump e o ascenso da extrema-direita. Mas o que os separa de Trump são 'oito dias'.(Jorge Cadima, Avante!, 2019/01/31)

Como se fabrica um golpe de Estado: A declaração do MNE português de que «não está em curso um golpe de Estado na Venezuela», para além da cínica hipocrisia que exprime, é um sinal do vergonhoso e efectivo alinhamento do governo PS nesta conspiração. Bastaria registar os intervenientes que os EUA nela colocaram - como o delinquente Elliot Abrams, com um longo historial criminoso e golpista - para desmentir Santos Silva. (Lidia Falcón, ODiário.info, 2019/01/31)

Mãos fora da Venezuela Bolivariana! O povo da Venezuela mantém o apoio ao presidente legítimo, Nicolás Maduro, face à tentativa golpista dirigida pelos Estados Unidos com o apoio de aliados e da oposição de direita venezuelana.

Os assaltantes de gasolineiras do mundo: John Bolton, conselheiro da Segurança Nacional dos EUA, fez saber na segunda-feira que a Casa Branca agravará a asfixia económica da Venezuela, desta vez através da imposição de sanções contra a sua empresa petrolífera estatal, a PDVSA. Entre «congelamento» de activos e perdas em exportações, o castigo dos EUA deverá custar mais de 18 mil milhões de dólares ao povo venezuelano.(António Santos, Avante!, 2019/01/31)

Venezuela - para a história da vigarice 2: Um pivot a falar em milhares de apoiantes e a mostrar meia-dúzia de tristes em redor do pró-consul, uma loira que aterrou em Caracas a por em cima da mesa o que o silva dos negócios estrangeiros empurrou para debaixo do tapete. (Rerer&ncia, 2019/01/31)

Supremo venezuelano congela contas de Guaidó e proíbe-o de sair do país: O Supremo Tribunal de Justiça decretou várias medidas cautelares contra Juan Guaidó, o autoproclamado «presidente interino» da Venezuela, após um pedido efectuado nesse sentido pelo Ministério Público.(AbrilAbril, 2019/01/30)

Abrams: Restabelecer democracias é com ele: Elliot Abrams, o enviado de Trump para a Venezuela com a missão de “assessorar” o “presidente interino”, Juan Guaidó, no golpe de Estado comandado de Washington, é dono de um dos currículos mais sinistros e sangrentos das intervenções norte-americanas no estrangeiro. Nicarágua, EL Salvador, Irão/Contras e duas condenações por mentir no congresso são alguns dos pontos fortes do individuo. (José Goulão, O Lado Oculto, 2019/01/29)

União Europeia ao lado de Trump contra a Venezuela: É importante, para memória futura e inevitável exigência de responsabilidades políticas e humanitárias, anotar os governos que, na Venezuela, virão a ser responsáveis por uma chacina de vidas humanas.
(José Goulão, AbrilAbril, 2019/01/28)

Trump brinca com o fogo: Ao contrário do que a barragem mediática quer fazer crer, o alinhamento internacional com a nova iniciativa golpista promovida pelos EUA na Venezuela é limitado. Compreende-se porquê: qualquer pessoa de bom-senso, mesmo muito anti-bolivariana, percebe que a aventura pode correr mal. E é lamentável que a social-democracia portuguesa, representada nomeadamente pelo governo PS e por António Guterres, tenha escolhido a subserviência face ao agressor em vez da solidariedade face ao agredido.(Atilio Borón, ODiário.info, 2019/01/26)

Não São Fake News é Mesmo Pura Vigarice : A operação de vigarização desinformativa em curso sobre a Venezuela é um exemplo paradigmático da completa ausência de credibilidade dos media corporativos. (Rerer&ncia, 2019/01/26)

OEA Não Apoia Golpe na Venezuela: A Organização dos Estados Americanos (OEA) não conseguiu reunir o número de votos necessários para aprovar uma declaração reconhecendo a auto proclamação de Juan Guaidió como “presidente interino” da Venezuela.(José Goulão, O Lado Oculto, 2019/07/25)

Venezuela - o golpe de Estado programado: Está em marcha uma nova etapa da ofensiva dos EUA e dos seus lacaios contra a Venezuela. O formato seguido é idêntico ao utilizado na Líbia e na Síria. A não ser derrotado, os resultados serão uma tragédia de incalculáveis proporções. É uma vergonha para o Portugal democrático que o governo do PS, com o seu inenarrável ministro Santos Silva, alinhe no apoio a esta monstruosa manobra. (Christian Rodriguez, ODiário.info, 2019/01/25)

O golpe estado na Venezuela: Está em desenvolvimento um golpe de estado iniciado pelo imperialismo norte-americano, os governos lacaios da América Latina e a direita servil-apátrida venezuelana, afirmou em 25 de Janeiro o secretário-geral do Comité Central do PCV, Oscar Figuera, em conferência de imprensa.(PCV, Resistir.info, 2019/01/25)

Os Dias Antes do Golpe

Trump Dispara Golpe na Venezuela: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disparou o golpe de Estado na Venezuela ao reconhecer o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como chefe de Estado "interino". O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, Brasil, Colômbia, Peru, Paraguai, Equador e Costa Rica, pronunciaram-se no mesmo sentido logo que Trump fez a declaração. Guaidó autoproclamou-se presidente alegando a "ilegitimidade" de Nicolás Maduro, vencedor das eleições de Maio com 67% dos votos, e afirma que vai nomear um "Conselho de Transição".(José Goulão, O Lado Oculto, 2029/01/23)

O BE defende um golpe militar na Venezuela? O Bloco de Esquerda publica um artigo inenarrável contra a Venezuela que defende um golpe militar, assinado por Tomás Marquez, que repete o argumentário utilizado pelos governos, partidos de direita e órgãos de comunicação social alinhados com o imperialismo.(Bruno Carvalho, Manifesto74, 2019/01/18)

«Quintal das traseiras» a ferro e fogo: A velha doutrina de Washington parece caminhar sobre rodas, mas uma agressão dos Estados Unidos e colónias contra a Venezuela soberana pode não ser uma simples e vingativa degola de inocentes.(José Goulão AbrilAbril, 2019/01/17)

Ao Arrepio dos Media Corporativos

A Venezuela que eu vi: Nos dias anteriores à minha chegada, dizia-se que a maioria dos semáforos em Caracas estavam avariados. Passaram-se dias até encontrar um que não funcionasse.(Bruno de Carvalho, AbrilAbril, 2019/12/08)

A Venezuela que eu vi (II): Jornais, rádios e televisões repetem até à exaustão que há uma ditadura e uma crise humanitária na Venezuela. E eu flutuo numa realidade paralela. Parto à procura dessa crise humanitária de que todos falam.(Bruno de Carvalho, AbrilAbril, 2019/12/16)

Para Entender a Venezuela Hoje É Preciso Saber Como Era Antes da "Revolução-Bolivariana": Não é possível se entender a atual crise da Venezuela e tampouco o regime chavista sem se compreender como era esse país antes da “revolução bolivariana” e qual o seu significado geopolítico para os EUA. (Marcelo Zero, Viomundo, 2018/08/08)

Entre o Trump e a UE Há 8 dias de Diferença

Trumpistas
(Jorge Cadima, Avante!, 2019/01/31)

Trump quer escolher o Presidente da Venezuela. Os fascistas Bolsonaro e Netanyahu também. A comunicação social das mentiras de guerra ladra em coro. Governos de países da UE proclamam ser contra Trump e o ascenso da extrema-direita. Mas o que os separa de Trump são 'oito dias'. O Governo PS, pela voz do MNE Santos Silva, não quer esperar tanto: o Presidente eleito e constitucional da Venezuela «tem de se ir embora». Não ficou saciado com a Líbia, Ucrânia, Síria, Iraque. O BE diz que «tem estado em contacto» com o Governo, cuja posição «é sensata». O PS diz que «este é o momento para responder à manifestação da vontade clara dos venezuelanos». Mas alguém pode negar que o momento foi escolhido por Trump? Até o Wall Street Journal (25.1.19) confessa: «O plano secreto do Governo Trump para dar apoio ao chefe da oposição Juan Guaidó foi previamente concebido e coordenado de forma estreita» durante várias semanas. A luz verde chegou na véspera da auto-proclamação do homem que o povo venezuelano não elegeu, através dum telefonema do Vice-Presidente Pence. «Vontade clara do povo da Venezuela»? Não: vontade clara do imperialismo esmagar um país e povo independentes e lançar mãos das maiores reservas petrolíferas comprovadas (24,9% do total mundial, segundo o Boletim Estatístico da OPEP, 2018), maiores que as da Arábia Saudita. Já começou o saque dos bens da Venezuela no estrangeiro.

Estamos perante uma tentativa de golpe, comandada de fora. Mais uma. É assim desde a eleição de Chávez em 1998. O problema não é ‘Maduro’, nem uma suposta ‘ditadura’. O problema é que o imperialismo não tolera países soberanos. A Arábia Saudita pode até esquartejar impunemente nos seus consulados, porque é um vassalo. Alguém acredita que Trump, Bolsonaro, Macrí ou Macron se preocupam com a democracia ou os povos?

Na Venezuela a oposição tem televisões, jornais, representação política (quando quer). Ganhou dois dos 25 actos eleitorais destes 20 anos. São os que os EUA/UE reconhecem. Perdeu os restantes 23, mas as grandes potências capitalistas fazem como nos referendos da UE: ignorá-los e seguir em frente. Com a sabotagem e bloqueio económico, o terror nas ruas, as infindáveis mentiras, as tentativas de assassinato do Presidente. Preparando o golpe e, se possível, a invasão. É o guião do «Assad tem de partir». Maduro foi reeleito há 9 meses, em eleições concordadas com a oposição – após negociações mediadas pelo ex-PM espanhol Zapatero – que à última hora não assinou os acordos. O veto veio de Washington: já preparava o golpe. Aguardava Bolsonaro. Mas o povo da Venezuela, face a enormes adversidades, tem sabido mobilizar-se e resistir. Como nas manifestações destes dias em apoio ao seu Presidente, silenciadas na comunicação social golpista e belicista que nos submerge com mentiras de guerra. É um testemunho da vitalidade, base popular e conquistas da Revolução Bolivariana. Mas a revolução precisa da solidariedade dos povos e dos seus amigos.

Em Portugal, confirma-se o pior da história do PS e das suas alianças com a direita mais extrema e o imperialismo. O BE segue no encalce. Mas não é óbvio que o monstro fascista alimentado por cada nova guerra e golpe não se vai querer ficar pela Ucrânia, o Brasil ou a Venezuela?

Venezuela: As Verdades Escondidas

Para Entender a Venezuela Hoje É Preciso Saber Como Era Antes da "Revolução-Bolivariana"
(Marcelo Zero, Viomundo, 2017/08/08)

I – Antecedentes

Não é possível se entender a atual crise da Venezuela e tampouco o regime chavista sem se compreender como era esse país antes da “revolução bolivariana” e qual o seu significado geopolítico para os EUA.

A Venezuela está sentada na maior reserva provada de petróleo do mundo. São 298,3 bilhões de barris, ou 17,5% de todo o petróleo do mundo. Este petróleo está a apenas 4 ou 5 dias de navio das grandes refinarias do Texas. Em comparação, o petróleo do Oriente Médio está entre 35 a 40 dias de navio dos EUA, maior consumidor de óleo do planeta.

Essas imensas reservas começaram a ser exploradas no governo de Juan Vicente Gómez (1908-1935).

Elliot Abrams: Um Tenebroso Democratador

O Lado Oculto continua a ser uma fonte de preciosa informação. É graças a ele que ficamos a saber quem é o democratador que os governos da UE e o silva os negócios estrangeiros aceitam como cão de fila encarregue de gerir o pró-consul estado-unidense para a Venezuela. @Refer&ncia

Abrams: Restabelecer democracias é com ele
(José Goulão, O Lado Oculto, 2019/01/29)

Elliot Abrams, o enviado de Donald Trump para a Venezuela com a missão de “assessorar” o “presidente interino”, Juan Guaidó, no golpe de Estado comandado de Washington, é dono de um dos currículos mais sinistros e sangrentos das intervenções norte-americanas no estrangeiro, principalmente na América Latina. A sua escolha é um verdadeiro livro aberto sobre as intenções reais dos Estados Unidos neste processo e que deveria ser de leitura obrigatória para todos os governos que caminham ao lado de Trump na operação.