2018/07/30

A Batalha Onde Nasceu Angola

A Batalha de Quifangondo
(Martinho Junior, Luanda, 2009/11/13)

A batalha de Quifangondo foi um das mais decisivas para a derrota da “operação de trespasse” de Angola, da bandeira de Portugal, para uma bandeira representativa das ingerências neo coloniais em África.

A partir da Conferência de Alvor, a 15 de Janeiro de 1975, a abdicação de Portugal abrindo espaço à “arquitectura” de Henry Kissinger, tinha de contar com um tempo curto, uma espécie de “contra relógio”, visando impedir a independência angolana e colocar em Luanda um regime dócil e de suas próprias conveniências, o que seria vital tanto para a sobrevivência do regime de Mobutu, quanto para a sobrevivência do regime do “apartheid” na África do Sul. (1)

De facto era imperioso para a “arquitectura” de Henry Kissinger evitar que com o MPLA se tornasse possível surgir em Angola alguém que assumisse que “na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul estivesse a continuação da nossa luta”, a continuação da luta contra o colonialismo português, num processo que correspondesse à descolonização total do continente africano. (2)

2018/07/29

Ahed Tamimi Finalmente em Liberdade

Passados os oito meses de prisão, a que foi condenada por ter dado um tabefe a um militar do exército de ocupação israelita, Ahmed Tamimi está novamente em liberdade. Até quando? #BoycottDisinvestmentSanctions #BDS

A Ideologia Dominante Reproduz-se

Demonstraram-no uns filósofos modernistas aí por meados do século XIX, e o papaguear do Miguel Boulsa Taverneiro é um bom exemplo, e se não, vejamos.

Defende o opinadeiro do alto da sua tribuna paga que sim sr., o sr. centeio tem toda a razão em defender um orçamento para todos os portugueses. Já está, com uma frase e dois chavões, o fazedor de cabeças resume meia dúzia de falsos pressupostos e uma dúzia de errados corolários, inculcados a camartelo nas cabeças dos leitores como insofismáveis verdades. Assim resumidamente, o vigaro com tribuna e o ministro ronaldo assumem, sem dizer nada a ninguém, que:

- Os 26% de irs que eu pago adiantados, me fazem tanta falta para comer, como à finança, para pagar os almoços dos administradores, fazem falta os 5% de irc pagos um ano depois, quando não consegue depositar os lucros no dorso de um caimão .

- Os portugueses são todos iguais, como se eu e os Espiritos Santos tirássemos igual partido do OE.

- A organização de media que lhe paga tribuna está legal e sectorialmente habilitada para defender os interesses da CIP, e da CAP, e das restantes 382 organizações patronais que dividem o bolo orçamental entre si, mas aqui d'el rei que os sindicatos não têm nada que exigir a contagem do tempo de serviço dos 9 anos de tempo de serviço em que não lhes foi aplicada a lei que o estado acordou com eles.

- Um dia de greve a menos, no salário mínimo de um trabalhador, vale o mesmo que dois almoços regados com champanhe no orçamento de uma agência de comunicação, quando todos sabemos que estes últimos são dedutíveis como despesas de representação.

- A falência do estado, que todos andamos a pagar em juros da dívida soberana, foi obra de um povo amante das boas ovas de esturjão regadas com veuve clicquot e não do esboroar das inexistentes dólaras, garantidas pelo rol da mercearia do sr. Santos, e contra as quais os irmãos limão apostavam no casino dos irmãos metralha.

- Os funcionários públicos todos juntos, coisa que nunca estiveram, e mais todos os sindicatos que os representam, desde os amarelentos assinadores de concertações patronais, aos encarniçadamente classistas, e mais os comunistas (cruz-credo-c'horror) e os broquistas (ai jasus t'arrenego) têm a mesma influência no conselho de ministros que a santa aliança Banca, Finança, import-export & Cia com quem os ministros almoçam, jantam e ceiam à mesa do orçamento, em alegre e desinteressada cavaqueira. Mentira facilmente desmontada pelo incessante agravar do fosso entre os poucos e cada-vez-menos-cada-vez-mais ricos e os muitos e cada-vez-mais-cada-vez-mais pobres, fosso esse escavado com benefícios bolsistas, parcerias para os privados e sazonais amnistias para repatriamento de lucros lavados com lixivia, tudo lavrado em letra de lei nos tais orçamentos de estado que têm de ser para todos os portugueses e não só para a finança que paga 5% de impostos sobre os multi-milionários lucros conseguidos com comissões sobre o meu dinheiro.

A lista de vigaras assunções podia continuar, mas fiquemo-nos por estes milhares de caracteres necessários para desmontar os três pontapés na gramática com que o opinadeiro com tribuna paga tenta esconder a realidade: o OE é um mecanismo de expropriação do trabalho e enriquecimento do capital e tudo o que possa contrariar essa realidade é benéfico para a grande maioria dos portugueses que vivem da venda da sua força de trabalho.

E sim, os trabalhadores têm de se organizar para conseguir forçar o poder a esbanjar menos em juros, swaps e parcerias para os privados e a investir mais no SNS, na educação pública e no consumo privado, principal fator de crescimento económico, como o próprio opinadeiro reconhece pouco mais à frente.

2018/07/28

Que a Terra lhe Pese os Mortos das Guerras

Fez ontem anos que o Esteves bateu as botas. Prendeu uns, maltratou outros, torturou e assassinou os mais recalcitrantes.

Manteve um país rural e ignorante, de luto, durante mais de 40 anos e enviou para as guerras de áfrica duas gerações de jovens.

Em jeito de festiva comemoração por ter batido as botas já depois de cair da cadeira, fica aqui um link para um texto da Diana Andringa publicado Entre As Brumas da Memória, e um poema de Jaime Cortesão ilustrativo do sentimento que nutro pelo bexigoso:

Maldição
(Poema a Salazar)

(Jaime Cortesão, publicado no jornal clandestino "A Verdade", 1934)

Por ti, pelo teu ódio à Liberdade
à Razão e à Verdade,
a tudo o que é viril, Humano e moço,
a fome e o luto apagaram os lares
e os homens agonizam aos milhares
no exílio, no hospital, no calabouço.

Por ti raivoso abutre
cujo apetite sôfrego se nutre
de lágrimas, de gritos, de aflições
gemem nas aspas da tortura
ou baixam em segredo à sepultura
os mártires que atiras às prisões.

A este claro Povo, herói dos povos,
que deu ao Mundo mundos novos,
mais estrelas ao Céu, mais luz ao dia;
a este livre e luminoso Apolo
atas as mãos, os pés e o colo,
e encerras numa lôbrega enxovia.

Falas do céu, como um doutor no templo
mas tu encarnação e vivo exemplo
da hipocrisia vil dos fariseus,
pelos sagrados laços que desunes,
pelos teus crimes, até hoje impunes
roubas ao mesmo crente a fé em Deus.

Passas... e mirra a erva nos caminhos,
as aves, com terror, fogem aos ninhos,
e ao ver-te o vulto gélido e felino,
mulheres e mães, lembrando os lastimosos
casos de irmãos, de filhos ou de esposos,
bradam crispadas as mãos: Assassino! Assassino!

Passas... e até os velhos, cujos anos
têm costumado a monstros e tiranos
dizem, com a boca cheia de ira e asco:
- Sobre esta Pátria mísera que oprimes,
jamais alguém foi réu de tantos crimes.
Vai-te! Basta de vítimas! Carrasco!

Passas... e ergue-se, vai de vale a cerro
dos hospitais, do fundo das masmorras
às inospitas plagas do desterro,
um coro de ais, de imprecações, de morras.

São multidões que rugem num só brado:
- Maldita a hora em que tu foste nado!
- Que se malogre tudo quanto almejas;
- Conturbem-se os teus dias de aflição;
- Neguem-te as fontes água, a terra pão
e as estrelas a luz - Maldito sejas!

2018/07/26

Quando o Pacheco Tem Razão

«Quando se pergunta de onde vem o súbito agravamento da situação internacional em vários focos, no Irão, na Coreia do Norte, no Médio Oriente, a resposta é Trump. Não é o único, mas é o principal. Foi ele que deu carta-branca à monarquia absolutista saudita e a Benjamim Netanyahu, e no dia seguinte, ainda o avião presidencial americano voava de regresso, a Arábia Saudita agravou as hostilidades no Iémen, e voltou-se contra o Qatar, e, em Israel, iniciou-se a mais inútil das escaladas com a deslocação da embaixada americana para Jerusalém em desprezo do direito internacional, e o Exército israelita começou a atirar a matar contra manifestantes em Gaza. Duas cartas-brancas e dois conflitos que imediatamente se agravaram, com Trump a colocar-se do lado sunita de uma velha guerra religiosa e geopolítica contra os xiitas, e a bater palmadinhas nas costas do seu “querido Bibi”, envolvido ele e a sua família em escândalos de dinheiros e benefícios próprios.»

Diz o Pacheco Pereira no Público de hoje. E sim, claro, a primeira coisa que fiz foi pensar muito bem no assunto, porque nestas e noutras coisas, quando estou de acordo com os meus inimigos de classe dá-me logo um estrondo na consciência. E depois de muito pensar, os factos dão-lhe razão: Irão, que sim que não, mas as sanções mantêm-se e a conversa sobe de tom, a RPC já começou a desmantelar o que acordou mas de comida e dólaras nem falar, na Síria lá sacaram os turbantes brancos da enrascada através de Isrsel, no Iémen a AS continua a bombardear, cercar e destruir, e cereja no topo do trump: a embaixada foi mesmo para a capital dos dois estados.

2018/07/25

A Censura do Diferente Molda as Mentalidades

Ali por volta de meados do século XIX, dois modernos filósofos, o Carlos e o Frederico, demonstraram que a ideologia dominante, naquele caso a burguesa, se reproduzia e mostraram como era o processo, hoje, no DN o Pedro Tadeu aborda uma das formas de reprodução da ideologia dominante: a censura da diferença. @Refer&ncia

Um mamilo de Rubens desafia o capitalismo?
(Pedro Tadeu, in Diário de Notícias, 2018/07/25)

Os dirigentes do Rubenshuis, de Antuérpia, decidiram gozar com o Facebook: filmaram um vídeo onde se veem dois supostos seguranças a percorrerem o museu, que mostra inúmeras pinturas do século XVI assinadas por Peter Paul Rubens.

Os dois capangas abordam visitantes e perguntam: “tem conta numa rede social?”. Quando o espantado turista responde que sim, os seguranças pedem desculpa mas, justificando-se com as regras em vigor das redes sociais, obrigam-no a afastar-se das pinturas de mulheres nuas que deram reputação de génio ao pintor flamengo e, provavelmente, ocuparam lugar de relevo entre os sonhos eróticos de certas realezas barrocas europeias, que mecenaram o artista.

2018/07/24

O Golpe de Estado em Curso na Nicarágua

Estas são imagens que não aparecem nas notícias sobre a Nicarágua.

Do golpe de estado em curso na Nicarágua, só aparecem nos jornais os mesmos "jovens estudantes" que instalaram a violência na Venezuela.

Do golpe de estado em curso na Nicarágua, só aparece no telejornal o mesmo "jovem violinista", que tocava ao lado dos mesmos capacetes de mota, armados com fisgas e espingardas, que já vimos nas ruas da Venezuela.

Do golpe de estado em curso na Nicarágua, só ouvimos a versão dos bispos católicos, que escondem nas suas igrejas as armas artesanais com que os "jovens estudantes" aterrorizam o povo nicaraguense.

Ao golpe de estado em curso na Nicarágua, a cartelização censórea chama "violência nas ruas", ao mesmo tempo que entrevista os mesmos jovens armados de pedras, bastões e fisgas que, há quatro anos, semeavam a morte nas ruas de Caracas. Não, claro que não são "os mesmos", mas se tirarmos o som, são iguaizinhos aos outros.

Sobre a oposição ao golpe de estado em curso na Nicarágua os caneiros televisivos e os jornaleiros escondem as manifestações populares que mobilizam milhares de nicaraguenses contra a violência da direita financiada pelo capital.

Será que, sem petróleo, a Nicarágua vai conseguir resistir ao golpe como a Venezuela tem conseguido, apesar da constante intervenção da CIA?

Será que nos vamos conseguir mobilizar para evitar na Nicarágua o golpe que já deram no Brasil e que continuam a tentar dar na Venezuela?

2018/07/23

Em épocas de grande turbulência, importa não perder o norte

A propósito de um esboço de ideias do António Abreu que me pareceu especialmente preocupante, ocorrem-me três bengalas para manter o norte em tempos de grandes turbulências: 1. cuidado com os optimismos voluntaristas, 2. não confundamos o conjuntural com o estrutural e 3. lembremos sempre a história como fonte de conhecimento.

1. Cuidado com os optimismos voluntaristas
Confesso. Ver os meus inimigos às turras, é algo que sempre me deu prazer, e é com real deleite que observo as guerras de alecrim e manjerona no seio da NATO, que assisto à traulitada entre o Capital produtivo e o Capital financeiro, entre globalismos e nacionalismos, às guerrilhas comerciais entre uns EUA em declínio e uma China emergente, aos brexites e às desavenças entre os neofascismos xenófobos e as democracias cristãs, sobre como tapar o sol com a peneira, perdão, como emparedar o oceano, desculpem, queria dizer estancar as migrações. Mas cuidado, ao ver uma luta entre cobras não fico a aplaudir uma e a vaiar a outra, antes aproveito para lhes ir aos ninhos e partir-lhes os ovos(*). Para mim, actualmente, a questão é: como aproveitar estas guerras intestinas para defender e fortalecer os direitos, liberdades e garantias do trabalho? Como criar condições para algo mais do que isso? Como aproveitar o consenso crítico contra o mais troglodítico capitalismo para forçar a emergência de consensos contra o capitalismo todo, seja ele troglodita, neoliberal, sustentável ou socialmente preocupado, de consensos em redor de alternativas ao capitalismo. Concluindo: prefiro de longe a leitura do Goulão no AbrilAbril e só posso apoiar o seu final «O ideal seria mesmo que as forças mundiais da paz, da cidadania, da igualdade e do desenvolvimento social percebessem a oportunidade que está aberta e soubessem tirar proveito destes tempos de explosão das contradições capitalistas.»

2. Não confundamos o conjuntural com o estrutural
O meu inimigo é o capital, seja ele financeiro, produtivo, imperialista ou emergente. Os socialismos acabaram-se. A Rússia é um império tão imperialista como o outro com a capital em Washington e governo em Wall Street. Conjunturalmente estou disposto a apoiar a primeira contra o segundo? Estou, "no problema", o Putin ainda tem muito que aprender até chegar aos calcanhares de quem manda no mundo e os EUA ainda são o grande perigo para a sobrevivência do planeta ... tanto mais quanto a aposta dos "donos" dele nos combustíveis fosseis é mesmo para levar a sério. Não me pronuncio sobre o gigante amarelo porque só isso daria para uns milhões de posts.

3. lembremos sempre a história como fonte de conhecimento
Ainda me lembro (por leituras várias) dos tempos em que os camisas castanhas punham a tónica no socialismo do nacional enquanto arremetiam de porrete em punho contras as manifestações de comunistas alemães. Não me esqueço das fortunas que levaram aos ombros o cabo de bigodes da prisão até à guerra. Também eles, como o trumpismo, acabaram eleitos pelo lumpen, alemão em 32, norte-americano em 2016. Também em 32 houve quem visse no nacionalismo de Hitler uma alternativa ao capitalismo desbragado antes de acabar, em 39, a fazer tijolo à saída do forno. Não caros amigos, é mesmo importante se é cão ou gato, se começamos a usar cães para caçar ratos ainda acabamos a apoiar as touradas como "expressões da cultura popular". Até podemos usar os pobres dos cães durante uns tempos, Lenine conseguiu usá-los entre 21 e 28 e se não lhe têm posto fim provavelmente ainda tínhamos aí socialismo para dar e vender, quem sabe, mas é sempre algo de conjuntural, muito conjuntural: o inimigo do meu inimigo só é meu amigo até se acabar a carcaça do animal ;-)

(*) Salvo seja que as cobras já fazem mal a ninguém por estas latitudes.

P.S. : e mais dois comentários ainda a quente para refer&ncia futura
Sobre o ponto 2 do post original:
Importa separar o desgastado e ideologicamente fabricado "Politicamente Correto" e as sensibilidades mais ou menos sensíveis dos padrões de comportamento comunistas que são parte integrante da nossa cultura: humanismo, evolução, primado da ciência etc são valores não relativizáveis nem dialeticamente dependentes de contextos. Houve quem na construção dos socialismos reais relativizasse a herança humanista e viu-se no que deu, quem trocasse a evolução real pela que lhe dava jeito e viu-se no que deu. Tenho pena, não vou proibir o hijab, mas recuso-me a aceitar a burka em nome das expressões de cultura popular.
Sobre o ponto 4 do post original:
ai ai ai ai, mas é que as atitudes racistas, anti ambientais, sexistas, xenófobas etc etc etc (estou-me nas tintas para as troca tintas e as contradições porque no final do dia querem sempre dizer a mesma coisa: mais para o capital menos para o trabalho e a embaixada foi mesmo para Jerusalém!). Vocês vivem numa redoma? Conversam com alguém fora do vosso circulo politico? "Visitam" sites de discussão nas redes sociais onde não reine o simmismo partidário do sim estou de acordo camarada tens toda a razão? Ninguém aqui deu pela explosão de racismo, xenofobismo, sexismo, homofobismo, trauliteirismo após a eleição de um gajo que acha bem partilhar com um quase desconhecido que apalpou a coisa a não sei quem? Ninguém aqui percebe que até há uns anos atrás "parecia mal" ser xenófobo, sexistas, homofóbico, trauliteiro e que neste momento isso não é o mais grave de tudo? Não, claro que não é o mais grave, concordo! Mais grave é apostar nos combustíveis fósseis, rasgar o tratado com o Irão, transferir a embaixada para jerusalém, prender crianças na fronteira como nós fazemos no aeroporto de Lisboa (devem ser padrões de comportamento político necessariamente passageiros porque dialeticamente influenciados pelo real), acabar de vez com os sindicatos, mesmo com os mafiosos, ... mas aqueles ismos todos ajudam muito a criar uma sociedade mais selvagem, uma sociedade em que tudo o que é realmente importante; a paz, o pão, a habitação, a saúde, a educação, a liberdade serão muito mais facilmente roubadas.

Um Estado Terrorista e Agora Assumidamente Racista

O estado israelita nasceu como estado confessional, um estado com o judaismo como religião oficial. Sempre tentou escondê-lo mas é um facto assumido nas suas leis fundadoras, isso, a par de uma liberdade religiosa de onde a igualdade está excluída.

O estado israelita já de há muito se assumiu como declarada e abertamente terrorista. Ao premiar o atirador e punir quem divulgou o filmou, ao prender menores, crianças e velhos, ao assassinar manifestantes com claro excesso de força, ao financiar, treinar, armar e salvar outros terroristas assumiu o que já não podia esconder.

O estado judaico na Palestina já há muito pratica o apartheid.

Agora deu um segundo grande passo no seu rumo à mais desbragada selvajaria. Assumiu-se em letra de lei como estado de uma raça, a raça judaica, e de uma só lingua, o hebraico, erigindo assim o apartheid como política de estado. Israel é agora, vinte anos depois de derrotado o apartheid na África do Sul, o único estado de apartheid no mundo.

É chegado o momento de o confrontar como a humanidade confrontou a África do Sul hà mais de trinta anos: #BDS #BoycottDisinvestmentSanctions.

Aqui ficam para refer&ncia futura as ligações para algumas noticias, opiniões e posições sobre o assunto.
- AbrilAbril, 2018/07/23
- Diogo Andrade no Público., 2018/07/23.
- Hora do Povo, 2018/07/20.
- TSF Rádio Noticias, 2018/07/19.
- Jornal de Noticias, 2018/07/18
- Globo, 2017/03.

2018/07/18

0 Rei dos Terroristas Radicais Religiosos

Comunicado do MPPM

O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente condena brutal agravamento das medidas punitivas de Israel contra a Faixa de Gaza

O MPPM condena o brutal agravamento das criminosas medidas agressivas e punitivas de Israel contra a população da Faixa de Gaza.

No passado fim-de-semana, Israel lançou os seus maiores ataques aéreos desde a agressão de 2014 (Operação Margem Protectora) contra a Faixa de Gaza, fazendo duas vítimas mortais – dois adolescentes de 15 e 16 anos respectivamente que brincavam no parque público de al-Khatiba – provocando ferimentos em dezenas de outras pessoas, e acentuando ainda mais o terrível quadro de devastação que ali se vive. Estes ataques são apenas os mais recentes numa longa série. Já em 29 de Maio passado, drones e aviões israelitas atacaram mais de 30 alvos no interior da Faixa de Gaza. Entretanto, prossegue, desde 30 de Março, a bárbara repressão por Israel das manifestações não armadas da Grande Marcha do Retorno, que se salda já em cerca de 140 mortos e mais de 14.000 feridos, muitos dos quais com gravíssimos ferimentos provocados pelos tipos de munições usadas por Israel.

2018/07/17

Só com os valores de Abril Portugal terá futuro

As desigualdades na distribuição do rendimento e as funções constitucionais do Estado
(Miguel Tiago in O Militante, 2018/07)

Estamos perante uma utilização crescente de uma grande parte dos instrumentos formais do Estado – a força, a lei, a fiscalidade, a educação e a cultura – ao serviço da classe dominante e da acumulação e domínio monopolista, com o contributo decisivo dos partidos ao serviço desses interesses. A fiscalidade que constitucionalmente se estabelece como ferramenta para uma das incumbências prioritárias do Estado (Art.º 81.º da CRP) é afinal de contas utilizada como uma ferramenta de concentração de riqueza e de privilégio dos grandes grupos económicos em que se concentram os benefícios fiscais. A política fiscal que devia orientar-se para a distribuição da riqueza, directa e indirectamente, está objectivamente ao serviço das grandes empresas e dos que vivem de rendas, lucros e juros que continuam a ser taxados com uma exigência e uma incidência muito inferior aos rendimentos do trabalho. Ao mesmo tempo, a lei e a força são, não raras vezes, utilizadas para diminuir e conter direitos dos trabalhadores e manter a ordem da grande burguesia, quer no conflito laboral, quer no conflito social. A Educação e a Cultura estão igualmente – e o seu subfinanciamento é um mecanismo para a obtenção desse desígnio – a ser gradual e crescentemente colocadas ao serviço da reprodução da cultura da classe dominante, sendo convertidas em câmaras de ressonância da ideologia burguesa e simultaneamente em mercadorias.

#BoycottAmazon

2018/07/14

O Rabo na Boca da Fertagus

Coincidência ou nem por isso a verdade é que duas opiniões juntas valem três vezes mais.

Esta semana ficámos a saber, pela boca do presidente da CP, que o que lá falta é material circulante e pessoal para por a funcionar o que está avariado.

Ficámos também a saber, pela boca desse mesmo infiltrado do Capital, que a solução não vai passar por contratar mais trabalhadores para arranjar o material avariado, mas subcontratar os arranjinhos no estrangeiro e, em vez de comprar material circulante, porque o Centeno da Costa não deixa, aluga-se à renfe aqui dos nuestros hermanos que por uma vez não serão germanos.

A despropósito disso e muito mais, esta semana, o Manuel Gouveia escreve no Avante!, sobre o dinheiro que o país tem para resolver esses problemas mas o PS prefere gastar em juros da dívida e prebendas ao Capital sob forma de PPP's.

Interessante é notar que a Crista de galinha aproveita essa mesma falta de tudo que os privados impôem na CP para defender a Parceria Para os Privados com a fertagus que vende passes a mais de 130 euros por mês. Agora a propósito: sabiam que a concessão do comboio da ponte acaba em 2019? Podiamos acabar com essa PPP! Queremos? Quem quer e quem não quer? @Refer&ncia

2018/07/13

Sobre os Preocupados com o Interior

Haja Paciência
(Anabela Fino in Avante!, 2018/07/05)

O interior está na moda. Melhor dizendo, as alegadas «preocupações» com o interior estão na ordem do dia, pelo menos no que à agenda política de alguns partidos diz respeito. Dando de barato o absurdo da insistente e persistente tónica posta no termo interior aplicado a um país que tem como comprimento máximo pouco mais de 500 km e uma largura que não vai além dos 218 km, mais a mais com um relevo em que, no continente, a montanha mais alta não chega aos dois mil metros e menos de 12 por cento do território está acima dos 700 metros de altitude, o que objectivamente faz de Portugal uma língua – e estreita –, dando de barato tamanho absurdo, dizia, ocorre perguntar o que faz correr os novos defensores do interior.

2018/07/10

A Ofensiva do Capital Contra o Trabalho

Acabou finalmente o fim de semana em que um outro assunto marcou a ordem do dia e as acaloradas discussões nas redes sociais versaram outras animalidades.

Eu ainda não fiz as pazes com os apoiantes das «expressões de cultura popular» muito pouco populares e ainda não percebi bem se e quando virei a fazê-las, mas é tempo de olhar para o que, não fora a atitude impensada de alguns,  deveria ter sido o tema dos debates deste último fim de semana: as formas de por termo à ofensiva anti-laboral do capital.

O Armando Farias descreve-a, a nós compete-nos combatê-los por todos os meios ao nosso alcance: a ofensiva anti-laboral do Capital está a ser feita «articulando quatro eixos principais:

- a precarização da relação laboral, por via da liberalização e embaratecimento do despedimento individual, da generalização das formas precárias de trabalho e do alargamento do período experimental;

- a desregulação da organização do trabalho e a desregulamentação dos horários, a par da introdução dos bancos de horas e de outros regimes incluídos no pacote das chamadas flexibilidades e adaptabilidades;

- a diminuição dos rendimentos do trabalho, seja pela contenção salarial, seja por outras vias de aumentar a exploração dos trabalhadores, como o aumento do trabalho não remunerado;

- a imposição de regras que visam fragilizar o direito à contratação colectiva, nomeadamente o regime da caducidade, a possibilidade de adesão individual às convenções colectivas de trabalho; a eliminação do principio do tratamento mais favorável aos trabalhadores, a generalização do contrato individual de trabalho, a redução do direito de greve, através do alargamento dos serviços mínimos a vários sectores de actividade.

Não surpreende, portanto, que a apreciação da CIP tenha, também ela, um mesmo fio condutor. Se o anterior presidente daquela organização patronal se regozijava por Vieira da Silva fazer melhor trabalho que um governo de direita, o actual presidente, António Saraiva, não se mostrou menos agradado com a escolha do mesmo homem para Ministro do Trabalho no actual Governo do PS/António Costa.»

Quem neles votar é porque se deixou enganar ;-) @Refer&ncia


2018/07/08

E a terceira via?


Eu nunca fui adepto das terceiras vias, mas há sempre uma excepção à regra. Ganhavam os toiros porque continuavam com a boa vida da campina sem a tortura final, ganhavam os adeptos que podiam gozar o espectáculo sem o sangue, ganhavam os seres humanos que podiam ir ver a potência do touro a bater-se em igualdade com os humanos. Só ficam de fora os sado-zoofilicos, nenhum animal fica prejudicado. Note-se que a ideia não é minha podendo ser livremente reutilizada sob licensa GNU genérica: podem usar e implementar e lucrar mas não podem registar patentes ou direitos exclusivos.

Expressões de Cultura Popular?

Ainda aceito a argumentação do Miguel Tiago que consegue evitar, navegando entre escolhos, as «expressões da cultura popular».

Não aceito que o pcp se vergue aos olés dos filhos dos latifundiários que nos incendiaram os centros de trabalho há 45 anos.

O PCP é ... Comunista ... isso implica ser a vanguarda do proletariado (eu sei, eu sei, são conceitos muito pesados), isso implica estar à frente, liderar a evolução ética, estética, social, política da época.

Estamos em 2018, o sofrimento animal, à medida que ganhamos consciência de que o planeta não está aqui para nos servir, vai-se tornando inaceitável. Em vez de liderarmos o processo, pior do que deixar a liderança para a burguesia, contrariamos o processo?

Interessante notar que enquanto os comunistas lideraram a luta pela evolução estética, cultural, social, política e ética, até meados do séc XX, fomos crescendo de forma imparável, não só no seio do proletariado, mas também entre todos os que se identificavam com essa liderança coletiva, com essa vanguarda.

Quando se consolidou o realismo-socialista como a verdadeira arte e "as tradições populares" como real expressão da cultura popular, deixámos de liderar, passámos a deixar arrastar-nos pela conjuntura. Foi causa, consequência, ou foram meros fenómenos correlacionados, ambos consequências de algum outro fator?

Sabiamos a polémica que ia dar? Se não adivinhávamos é porque continuamos muito afastados da realidade, pelo menos tanto como quando perdemos Almada na freguesia da Sobreda. Sabiamos que podia (e devia?) ser usado para ocultar a luta dos outros mamíferos, dos racionais, por melhores condições de vida? Tinhamos de pensar estrategicamente a posição face às touradas e taticamente face à proposta de projeto de lei. Não temos tempo para isso? Como também não soubemos ter sobre a morte medicamente assistida? E como não tivemos para ver a realidade na véspera de perder Almada?

Não temos tempo para tudo? Temos poucos deputados para o serviço? Uma declaração do tipo «votamos contra porque este tema é relevante e merece ser devidamente apreciado e legislado e somos contra esta tentativa de esconder a discussão (hoje!) da melhoria da qualidade de vida dos animais racionais que lhes foi roubada». Isto eu aceitaria e batia palmas. Sabia que assim que tivessemos oportunidade teriamos legislação à altura sobre a selvajaria tauromáquica.

Mas defesa das «expressões de cultura popular»!??

Quais "popular"? Dos cavaleiros de oliveira filhos e netos dos latifundiários que incendiaram (e voltavam a queimar e a matar, se pudessem, nas praças de touros!) os nossos centros de trabalho?

Popular??? Popular o Spinola e os seus apaniguados?? O Spinola das vésperas do 28 de Setembro, a apelar à maioria silenciosa que das bancadas aplaudia o seu bolorento salazarista e vaiava o Primeiro Ministro Vasco Gonçalves?

Cultura? Qual "cultura"? A da arte de espetar ferros no dorso do mamífero e fugir com os quadris do cavalo à investida dos cornos cerrados?

Cultura??? Qual? A do marialva? Da porrada na mulher quando o Benfica perde?

Qual "expressão"? A de regozijo por um ferro bem espetado nas trombas dos basbaques faz-de-conta-que-sou-latifundiário e dos quero-ter-um-porshe-comó-dele?

Se o PCP quisesse fazer alguma coisa para começar a limitar a barbárie das touradas, mesmo evitando a proibição, e eu tenho horror às proibições, por isso uso o menos possível, podia propor o fim do financiamento público das touradas, o fim da emissão das touradas, remetê-la para os canais pagos, proibir-lhe a publicidade em locais públicos como se faz com outros tipo de pornografia, aumentar o IVA dessa "indústria de entretenimento" e aproveitar para voltar a propor a diminuição do IVA na cultura, do teatro e da música, ... legislar sobre o tamanho e espessura dos ferros que se podem espetar no dorso do mamífero e sobre a àrea de dorso que pode ser, legalmente, coberta de sangue e sobre os decilitros de sangue que o mamífero pode cuspir até ser retirado da arena, ainda vivo, e libertado na campina até ao fim de semana seguinte.

Se o PCP se opusesse à proposta do pan pelas suas fragilidades, ou pelo momento em que foi apresentada, tinha bom remédio, apresentava outro projeto de lei ou dizia claramente: votamos contra porque isto é uma provocação destinada a esconder o que hoje se vota de realmente relevante: o direito a uma vida condigna para os animais racionais, vamos deixar a discussão a sério dos direitos dos irracionais para outra altura.

Não o fez. Embrulhou-se na defesa de um conceito retrógrado e semi-paternalista de cultura popular.

Um dos erros desta posição reside nessa visão retrógrada e semi-paternalista de cultura-popular, uma visão que no limite ainda obrigaria a legitimar outras "tradições", bem mais “populares, diga-se de passagem, recentemente proibidas (por iniciativa de quem, com propostas de quem e os votos de quem?) no âmbito de legislação apropriada. Barbariedades como queimar gatos para subirem a postes, ou as há mais tempo ilegalizadas lutas de cães, nunca chegaram a cair debaixo do recente guarda chuva pseudo-cultural e neo-patrioteiro das «expressões de cultura popular», expressões de selvajaria antes apadrinhadas por um fascismo salazarento como forma de deixar os basbaques verem os filhos dos latifundiários a pavonear-se em cavalos ajaezados e que nós tão bem caricaturizámos pela voz do Fernando Tordo vão lá mais de 40 anos.

O meu problema é ver o pcp a deixar cair o caráter decisivo de vanguarda para se remeter a pseudo-multiculturalismos que relativizam os aspetos retrógrados das “tradições”, mais das vezes impostas como escapes por um fascismo salazarento. O meu problema é vê-lo a vergar a neo-patriotismos conjunturais e seguidistas. Irrita-me, deixa-me triste e preocupado, muito preocupado. Pela segunda vez em poucos meses.

2018/07/07

Internet Livre? Boas Noticias!

Sem Titulo
(António Abreu in Facebroncas, 2018/07/05)

Os eurodeputados chumbaram ontem as regras de limitações de uso da Internet a pretexto da defesa dos direitos de autor.

O Parlamento Europeu votou contra a nova proposta de directiva para os direitos de autor na Internet. O resultado motivou uma ronda de aplausos em plenário e faz com que o texto seja novamente discutido pelos eurodeputados em Setembro.

A proposta de regras tinha o objectivo de limitar a pirataria online. Mas várias organizações de activistas de direitos digitais — entre as quais a associação portuguesa D3 (Defesa dos Direitos Digitais) e o departamento português da Internet Society —, bem como académicos e personalidades da Internet (entre as quais o inventor da Web, Tim Berners-Lee), argumentam que a forma como foi formulada podia representar uma ameaça à liberdade na Internet.

Com o Capital, Sempre Com o Capital

Até chateia! Realmente importante, hoje, foi a rejeição pela direitalha-canalha das alterações à legislação laboral propostas por comunistas e bloquistas.

Coisas tão básicas como os 25 dias de férias  p a r a    t o d o s, a recuperação das compensações por despedimentos roubadas pelo pafismo, a revogação da liberalização troikista dos despedimentos por inadaptação e das alterações ao despedimento coletivo e por extinção do posto de trabalho.

E estas são questões que têm de ser alteradas agora, com a geringonça existente, porque no momento em o centrão-vigarão se reconstituir só vamos ter mais retrocessos, laborais, sociais, politicos, económicos e por aí fora.

Duas curtas interessantes, a sempre curta do tempo das cerejas e um comentário do facebroncas de que não posso deixar passar a refer&ncia.

Por Assim Dizer
(José Gabriel in Facebroncas, 2018/07/05)

Hoje, a lide - por assim dizer - na Assembleia da República teve dois tércios - por assim dizer: no primeiro, discutiam-se as touradas; no segundo, o governo e o seu braço (cada vez mais corporativo) designado por "concertação social" tenta tourear os trabalhadores com a nova legislação laboral. Receio que os comentários venham a investir - por assim dizer - sobre o primeiro. É que ele está lá para servir de capa - por assim dizer....

2018/07/06

É uma Questão de Meses

É cada vez mais uma questão de tempo, de pouco tempo, talvez meses, no máximo um ou dois anos.

Como "espetáculo" já poucos bilhetes vende.

Como "economia" emprega o quê? 300 pessoas? 350 em todo o país?

Como atração turística, já foi, já não tem peso.

O que é que lhes resta? Os alfaiates dos fatos? Os fardos de palha? A exibição da selvajaria?

Não foi agora, é em Janeiro. Não foi desta, é da próxima. Já ninguém no seu perfeito juizo quer ver imagens destas.

E eu sei, eu sei. Cada verão a mais são mais 40 ou 50 ou 60 animais torturados no altar da bestialidade deshumana e é por isso que cada dia que passa é o eternizar de um sadismo em que ninguém pediu autorização ao torturado.

Mas também porque, por principio, sou um forte opositor às proibições, raramente lhes encontro utilidade e, as mais das vezes, acabam a varrer para debaixo do tapete, realidades que se vão tornando ilegalmente apetecíveis, talvez o caminho que há a fazer seja «[...] o da efectiva responsabilização do Estado na promoção de uma relação mais saudável entre os animais e os seres humanos, acompanhada de uma acção pedagógica com o objectivo de sensibilizar os cidadãos, em particular as crianças e os jovens, para a importância do bem-estar animal e a sua efectiva protecção»

Agora, por favor, não lhe chamem «expressão da cultura-popular» nem apelem ao «respeito pela diversidade cultural». A selvajaria tauromáquica do cavaleiro, filho e neto de latifundiários, vestido de berloques a espetar ferros no dorso do animal não tem nada de popular e muito menos de cultural.

A bestialidade de queimar gatos para os fazer subir ao poste não é tradição, nem popular e muito menos cultura, é tão só o transbordar de um sadismo endémico de uma população a quem foi negada a música e o bailado e que ficou entregue á miséria permanente e ao purificador fogo sazonal  durante os anos e anos do fascismo salazarento.

A bestialidade de espetar ferros em mamiferos, para gáudio dos sádicos que já usaram as mesmas praças na repressão de operários e camponeses, não é tradição, nem popular e muito menos cultura, é tão só a passadeira vermelha para o sadismo endémico de uma casta que aplaude o sangue com as mesmas mãos com que resa ao sábado e distribui esmolas aos pobrezinhos, desde que estes fiquem longe da vista, porque essa gente não tem coração, só lhe ficou a raiva de ver o titere a cair da cadeira, em sentido literal e figurado.

Para terminar resta-me perguntar onde anda esse partido que se afirma de vanguarda? Vanguarda na defesa de que valores? Eu não o reconheço nesta defesa dos mais retrógrados gostos de uma minoria. Por onde anda esse partido a quem os cavaleiros de hoje voltariam a queimar os centros de trabalho que os pais e os avós deles queimaram há 45 anos? Faz-me falta um partido que consiga ser de facto uma vanguarda, um que reconheça a evolução onde ela está e a defenda com vigor.

Mas porque gosto de ter à mão de semear várias e diferentes perspetivas sobre estes temas, aparentemente mais distantes dos palcos onde se desenrola a decisiva luta de classes, deixo aqui alguns "alegados" argumentos com sabor a desculpas esfarrapadas. Só para futuras refer&ncias.


Sharons e Netanyahus Todos Genocidas

Das Pedras de David aos Tanques de Golias
(José Saramago in Público, 2002/05/03)

Afirmam algumas autoridades em questões bíblicas que o Primeiro Livro de Samuel foi escrito ou na época de Salomão ou no período imediato, em qualquer caso antes do cativeiro da Babilónia.

Outros estudiosos não menos competentes argumentam que não apenas o Primeiro, mas também o Segundo Livro de Samuel, foram redigidos depois do exílio da Babilônia, obedecendo a sua composição ao que é denominado por estrutura histórico-político-religiosa do esquema deuteronomista, isto é, sucessivamente, a aliança de Deus com o seu povo, a infidelidade do povo, o castigo de Deus, a súplica do povo, o perdão de Deus.

35 Horas Para Todos

A propósito de uns comentários à fronha do Miguel Boulsa Taverneiro algures num grupo de uma rede social convém perceber quem está com o trabalho e quem está ao lado do capital..

1. Emprego para a vida? Eu sou funcionário público precário há 22 anos. Vivo hà 22 anos com contratos renovados a cada dois anos, mediante parecer dos pares. Vou entrar para o quadro em Agosto, mas daqui a cinco anos sou novamente avaliado pelos meus pares e só se tiver produzido bem terei lugar no quadro ... a 5 anos da reforma ;-)

2. Se quem se afirma funcionário público o fosse de facto, saberia que já não há na função pública "empregos para a vida", saberia que a realidade é outra bem diferente.

3. Precisamente porque é injusto uns trabalharem 35 e outros 40 é que é justo t o d o s trabalharem 3 5 h o r a s. É isso que o PCP propõe: 35 horas/semana sem perda de salário para todos, trabalhadores do setor público e do setor privado, 35 horas para públicos e privados.

4. Nem todos os escravos se libertaram ao mesmo tempo, nem o horário das 8h/dia se tornou universal no mesmo instante, são processos, começam pelos que mais organizadamente os conquistam e estendem-se aos restantes com a luta destes e a solidariedade dos primeiros. Ainda hoje vemos afloramentos de esclavagismo e o dia de trabalho de 8 horas está cada vez mais longe para cada vez mais trabalhadores, incluindo os que como nós vivem na "terra do leite e do mel"

5. A semana de trabalho de 40 horas é um anacronismo. A produtividade do trabalho mais do que decuplicou (10xmais) desde os anos 50 do século XX. Para manter a distribuição de riqueza e o roubo da mais valia dos anos 50 do século XX a semana de trabalho deveria estar reduzida a ... 4 horas de trabalho por semana, como tal não aconteceu o Capital está a expropriar 10 x mais mais valia do trabalho do que no final da 2ª guerra mundial.

6. A única forma de reduzir o desemprego massivo que se avizinha com o crescimento exponencial da robotização e da sua generalização ao setor terciário (serviços) é começar já hoje a diminuir o dia de trabalho e assim: a. diminuir o desemprego, b. aumentar a massa de contribuintes para a segurança social, c. combater o crescimento do fosso entre o 1% de "ricos" e os 99% de "pobres".

Ninguém "dá" nada a ninguém. As 35 horas na função pública foram arrancadas com luta: greves (e cada dia de greve é menos um dia de salário!), manifestações, votos em quem defende os nossos direitos.

O mais triste é ver os beneficiários da luta dos outros a defenderem o "se é mau para uns tem de ser mau para todos".

Felizmente a humanidade tem-se afastado da selvajaria porque a grande maioria dos deserdadados segue o principio de que:

"se é bom para uns, tem de se tornar bom para todos"

2018/07/05

Só Depende de Nós

As eleições aproximam-se a passos de gigante e, a julgar pelo comportamento do centrão-vigarão, podem chegar mais cedo do que se espera.

Tivemos 3 anos de acalmia.

A pressão da esquerda conseguiu estancar o processo terrorista de destruição acelerada do SNS, da Segurança Social, da Escola Pública, a grande maioria da população com mais fracos rendimentos conseguiu algumas melhorias, pela primeira vez em décadas.

Valeu a pena? Valeu! Como é que foi possível? Porque o PS foi forçado a dialogar com a esquerda.

No dia em que o Rio "O Esfaqueado" se alcandorou ao poder no PSD, o PS apercebeu-se que já tinha interlocutor á direita e não hesitou, voltou imediatamente ao seu tradicional comportamento: entre outras falcatruas, votou contra a reposição da contratação coletiva como pilar da negociação, acordou com o patronato a continuação da precariedade e fez tábua rasa da lei que votou, do orçamento que reconhecia o direito dos professores a verem contabilizados os 9 anos, 4 meses e 2 dias de tempo em que trabalharam sem verem progredir as suas carreiras.

Pela primeira vez desde o 25 de Abril tivemos três anos em que o centrão-vigarão ao serviço do Capital não conseguiu fazer tudo o que quis e muito bem lhe deu na gana, muito pelo contrário.

Agora é chegada a hora de começar a pensar a sério no que vamos fazer quando chegarem as eleições.

O que cada um de nós fizer a partir de hoje vai contribuir para manter e aprofundar a inflexão à esquerda destes últimos três anos ou abrir novamente a porta para a governação tachista do centrão-vigarão pela qual o PS tanto anseia. O que é que vamos fazer?

Assobiar para o ar e permitir o regresso do neoliberalismo desbragado do PSD? Não é uma alternativa. Voltar ao pão duro depois de provar brioches? Dar maiorias a um PS que acaba de demonstrar o seu alinhamento de classe: sempre, sempre ao lado do Capital? Outra vez? Já nos esquecemos das maiorias do trócaste e do Guterres?

A única alternativa é votar e convencer a votar á esquerda do PS. Eu voto comunista, nunca o escondi. Para mim, estres últimos três anos são a prova acabada de que o PCP tem razão quando afirma que só fortalecendo a presença dos comunistas na Assembleia da República será possível forçar uma política de esquerda, uma política do e com o trabalho e os trabalhadores. Mas há outras escolhas à esquerda do PS, alternativas que lhe bloqueiam as maiorias absolutas e o podem forçar a dialogar com a esquerda. Ocorrem-me em primeiro lugar os meus amigos bloquistas, mas existem outras, só depende de nós ;-)

2018/07/04

Foi Bom? Foi! Mas Acabou-se ...

Já todos tinhamos percebido que a capacidade do PS, para se reinventar à esquerda, se esgotou ali por volta do último congresso, algures entre o esquecimento da letra de lei relativa à contagem do tempo de serviço dos professores e o natural alinhamento com o patronato na continuidade dada à legislação anti-laboral pafista.

A recusa de repor a contratação coletiva como pilar da negociação e de regressar ao principio do tratamento mais favorável conquistado com o contrato social foram duas facadas que o PS deu no acordo possível para por fim ao terrorismo dos jotinhas pafistas.

As declarações do António Costa na 4ª inauguração antecipada do início do lançamento da 5ª pedra só vieram desenganar os mais crédulos. A Estátua de Sal refere duas crónicas sobre o tema, eu junto aqui as três, para Refer&ncia futura.

António Costa passou a ser um tipo banal?
(Pedro Tadeu, in Diário de Notícias, 04/07/2018)

Quando o primeiro-ministro António Costa decide ir cortar uma fita, para publicitar o início das obras de melhoria do IP3, não está a fazer nada de original na história da governação deste país: afinal não há fontanário, estatueta ou passeio público, construídos dentro destes 92.212 quilómetros quadrados de terreno a que chamamos Portugal, que não tenham merecido cerimoniais inaugurativos com a presença das mais altas e prestigiadas individualidades. É uma tradição.

2018/07/02

Obrador Eleito no México com 53%

Há dias que começam melhor do que outros e, por vezes, alguns desses começam de forma memorável.

Raramente, muito raramente, são segundas feiras.

Esta é uma excepcional excepção à regra.

Depois de duas vitórias consecutivas, nas presidenciais de 2006 e 2012, roubadas por duas imensas chapeladas, internacionalmente reconhecidas e mediaticamente abafadas pelas agências de desinformação ao serviço do capital, Andres Manuel López Obrador, candidato de centro-esquerda social-democrata foi eleito presidente do México para um mandato único de seis anos.

E sim, isto é uma possível reviravolta na sequência do golpismo que grassa pela américa latina, mesmo lembrando-nos nós das considerações tecidas pelos comunistas mexicanos em 2012 a propósito deste mesmo candidato «[...] em 2005 o EZLN lançou a «Sexta Declaração da Selva Lacandona», um movimento alternativo a esta esquerda dos de cima. Porque no México, alguns identificam Lopez Obrador como de esquerda, mas nós sabemos que ele representa os interesses monopolistas de Carlos Slim e da burguesia de Monterrey. Representa interesses do grande capital, não representa os interesses dos trabalhadores, apesar do discurso populista em defesa de políticas assistencialistas. Então, o ELZN disse que essa esquerda, a dos de cima, não representava os interesses dos trabalhadores, nem dos camponeses, nem das mulheres, nem do movimento indígena, nem do movimento lésbico-gay, nem dos trabalhadores subalternos, nem dos emigrantes, isto é, não representava a classe dos oprimidos e explorados».

E em cima da vitória cai-me no facebroncas uma cereja no topo do bolo, um link para um artigo imperdível. O Manuel "do violino" Rocha a escrever sobre o Chico Buarque.

Excelente forma de começar o dia.@Refer&ncia

Chico Buarque e a Revolução de Emoções
(Manuel Rocha in Avante!, 2018/06/21)

Das abundâncias que caracterizam o Brasil, a das canções é das mais indispensáveis. Muitas delas – e das mais belas, algumas – foram escritas por Francisco Buarque de Hollanda, o Chico Buarque que há várias décadas marca encontro com os públicos portugueses. Escreveu canções sozinho e em parceria, umas valendo por si, outras integrando dramaturgias e enredos de cinema. Cantou grande parte do que escreveu, e o modo de cantar tornou-se portador essencial e insubstituível das mensagens que – por fortuna da partilha do idioma – construíram muito da nossa noção de Brasil.

Brasil que é pátria de Rita, Bárbara, Beatriz, Carolina, Januária e Pedro (que era pedreiro), de Teresinha, Jorge Maravilha, Geni e tantos outros, que sendo nomes são condições – retratos de gente comum convertida em protagonista principal da grande aventura humana.

2018/07/01

Mais um Tavares

Mais uma entrada e duas notas de rodapé para Os coisos que dizem coisas:

Na sequência da crítica literária de Ricardo Santos publicada no Manifesto74, vi-me na necessidade de inserir uma nova entrada no top 100 dos coisificadores de serviço.

Rui Taverneiro
(Ex-bloguista, ex-eurodeputado, ex-independente, ex-toriador, ex-tudo-e-mais-alguma-coisa-e-o-seu-contrário)
- Kautskizinho nacional de pacotilha, tornou-se famoso por continuar a ocupar um sofá-cama euro-paralamentar de 17 000/mês mesmo depois de cortar relações com os camaradas broquistas que lhe estenderam o tapete. Atualmente dedica-se a pedinchar umas migalhas pelas boutades que escrevinha nas tribunas que lhe dão esmola. Por vezes parece acreditar no que escreve personificando o Paradoxo da Mediatização Forçada(1) sob a acção do Impulso "Viktor Dedaj"(2)

(1) O Paradoxo da Mediatização Forçada (aka Paradoxo de Viktor Dedaj) enuncia-se como uma questão do tipo "a galinha ou o ovo" através da pergunta: «É a mediatização que os torna assim ou são mediatizados por serem assim?». Obtendo da parte do filósofo a resposta de que «Provavelmente é as duas coisas ao mesmo tempo: são autorizados a entrar no campo mediático devido à compatibilidade do seu discurso com o quadro pré-estabelecido das expressões toleradas, e a sua presença continuada provoca por sua vez, através de uma espécie de instinto de sobrevivência no sentido de não se ver condenado a uma «morte mediática», uma conformação do seu discurso a esse quadro. Wikipédia (edição 2050)

(2) Impulso Viktor Dedaj - «Todo o corpo intelectual mergulhado num meio mediático amorfo sofre uma força vertical dirigida de cima para baixo, e oposta ao peso dos argumentos desenvolvidos. Esta força é designada Impulso Viktor Dedaj». Wikipédia (edição 2050)

O que me diverte neste vigarinho (vigarista pequenininho) é que aparentemente ele acredita nas boutades que escrevinha. Há vigarões (são os grandalhões) que a gente vê logo só estarem ali para receber "as dólaras" ao fim do mês, mas este não, aos olhos dos mais incautos até parece mesmo que não anda ali pelos óbulos. Acham que ele acredita mesmo nas vigarologias que escrevinha? Mas já chega de conversa fiada, passemos ao prato principal. @Refer&ncia

Tarefas Urgentes para Rui Tavares
(Ricardo M Santos in Manifesto74, 2018/06/20)

Rui Tavares acordou estremunhado, banhado em suores frios e percebeu que, afinal, está na hora de pegarmos em armas e combater o fascismo em todas as suas formas. Bem, não todas. Porque temos de escolher bem e combater o fascismo mas defender a UE. Já lá iremos. Um historiador estremunhado e assustado, nas manhãs de calor como as que temos vivido, pode ser um caso alarmante. Ao ponto de ser o próprio a referir que nunca pensou que “a versão atualizada [do fascismo] do século XXI viesse a ser tão caricaturalmente parecida com o original”. Um historiador como Rui Tavares, devia saber que a “História repete-se, pelo menos, duas vezes”, dizia Hegel, “a primeira como tragédia, a segunda como farsa”, disse Marx.

Apanhado de surpresa, Tavares esbraceja, alvoroçado, com o que está a passar-se em Itália, na Hungria, esquece Polónia e Ucrânia, Espanha, a vergonha do Mediterrâneo potenciada pelas intervenções externas a cobro – imagine-se – da UE nos países do Médio Oriente e norte de África, que Rui tavares tão bem conhece dos seus tempos de eurodeputado. Sem esquecer o tratado de extradição de refugiados assinado entre a progressista e europeísta Grécia e a Turquia.