2019/02/20

EUA - Os Donos do Mundo

Bases Planetárias dos EUA: O Império do Terror
(Jorge Fonseca de Almeida, O Lado Oculto, 2019/02/16)

A Organização das Nações unidas (ONU) agrega 193 estados soberanos, a quase totalidade dos que existem sobre a Terra. Alguns são gigantescos como a Rússia, o Canadá, os Estados Unidos e a China, outros são minúsculos como o Vaticano, o Mónaco, o Nauru, o Tuvalu ou São Marino. Maior que número de países do mundo é, contudo, o número de bases militares norte-americanas instaladas fora do seu território.

São cerca de 800 as bases militares norte-americanas espalhadas pelo mundo, e se bem distribuídas dariam para estacionar quatro em cada país do planeta (Férnandez, 2018). Esta rede de bases constitui uma forte tenaz que impede os países de acederem verdadeiramente à independência plena e é um dos pilares do império norte-americano sobre vastas regiões do planeta. Nenhum país pode ser verdadeiramente independente quando está ocupado por tropas estrangeiras.

Estas bases situam-se em cerca de 80 países, metade dos existentes no mundo. Há países completamente ocupados com dezenas de bases, como é o caso da Alemanha, da Itália, do Japão e da Coreia do Sul e outros, mais pequenos ou menos importantes, em que a presença militar americana é assegurada por apenas uma base.

Poucas são as nações que se encontram fora do controlo norte-americano e estas são geralmente consideradas inimigas e uma ameaça, prosseguindo activamente os EUA a intenção de as incorporar no seu império. E estas poucas encontram-se cercadas por países que acolhem bases norte-americanas, e normalmente sob fortes sanções económicas que lhes tolhem o desenvolvimento.

Estados Unidos – único verdadeiramente global

Com bases militares em cerca de 80 países, metade dos que existem, os Estados Unidos são hoje a única potência militar com um alcance verdadeiramente global, capaz de travar guerras, promover mudanças de regime, invadir e ocupar países e territórios em qualquer ponto do planeta.

Presença militar norte-americana no mundo em 2002. Fonte: Departamento da Defesa dos EUA

Outros países com bases no estrangeiro

Comparadas com as cerca de 800 bases americanas espalhadas pelo mundo, as 40 bases exteriores mantidas pela totalidade dos outros países do mundo são, na realidade, uma insignificância.

Bases militares externas no Mundo

Acresce que destas 40 bases militares externas não-americanas uma boa parte pertence a países aliados dos Estados Unidos, nomeadamente o Reino Unido com 10 bases exteriores, a França com 8 bases exteriores, a Grécia com uma no Chipre, a Itália com duas.

Bases Francesas em África. Fonte: Lersch e Sarti, 2014

Nenhum dos países mais atacados pelos EUA, o Irão, a Venezuela, a Coreia do Norte, Cuba tem qualquer base militar no exterior. Pelo contrário, os EUA mantêm uma base fortemente armada em território cubano – Guantánamo.

A China dispõe apenas de uma base militar no exterior – no Djibuti. E a Rússia de um número inferior a 10.

Com o fim da URSS a Rússia retraiu-se e várias das suas bases militares estão hoje na posse dos norte-americanos. Por exemplo a principal base americana aérea no Afeganistão, sediada em Bagram, a Norte de Cabul foi construída pelos soviéticos.

Com mais de 95% das bases militares exteriores do mundo, a superioridade norte-americana seria esmagadora e total não fora a nuclearização da Rússia e da China, que se podem abrigar sob essa poderosa arma de destruição massiva.

VFA e SOFA

As forças norte-americanas estacionadas noutros países encontram-se ao abrigo de dois tipos de acordos que os EUA obrigam esses Estados a assinar: os Acordos sobre Forças Visitantes (VFA – Visiting Forces Agreement) de caracter temporário, podendo significar várias décadas ou mesmo séculos, e o de caracter mais permanente os SOFA (Status of Force Agreement). Ambos podem ter carácter bilateral ou multilateral.

As forças norte-americanas na Europa no âmbito da NATO tem em geral um estatuto SOFA. Enquanto as que se encontram na Mongólia aí permanecem ao abrigo de um acordo VFA (Lersch e Sarti, 2014).

Plano Colômbia

O Plano Colômbia, também conhecido como Guerras às Drogas, foi uma forma utilizada pelas Forças Armadas norte-americanas para imporem a sua presença num conjunto vasto de países da América Latina. Este plano, lançado em 1999 pela Administração Clinton, continha uma vertente económica e outra militar, mas na verdade a vertente militar absorvia entre 80% a 90% dos fundos alocados em cada ano.

Do ponto de vista de combate às drogas, o Plano foi efectivamente um fracasso, mas do ponto de vista de penetração americana na Colômbia foi um sucesso. Existem hoje várias bases norte-americanas na Colômbia contendo um número considerável de tropas.

Sucesso também na imposição de uma derrota militar às FARC, grupo guerrilheiro da oposição de esquerda na Colômbia.

Em 2015 o Plano Colômbia terminou formalmente, mas foi substituído pelo plano Paz na Colômbia.

América Latina e Caraíbas

Na América Latina, considerada sua coutada exclusiva, os Estados Unidos dispõem de 76 bases militares. Note-se que na América Latina e nas Caraíbas existem apenas 33 países.

Os Estados Unidos têm um ramo das suas Forças Armadas sempre pronto a intervir na América Latina. Trata-se do Southern Comando ou Southcom ou Comando do Sul (ver página na Internet https://www.southcom.mil/) com sede em Miami e com forças em território norte-americano mas também com dezenas de pontos de apoio e bases no exterior, algumas assumidas, outras de caracter reservado e algumas mesmo secretas.

De acordo com o site do Comando do Sul, a sua estrutura é a constante do organigrama abaixo. Aí são referidas as maiores bases americanas em solo estrangeiro como a de Guantánamo, a das Honduras, e apenas no mapa a de Curaçao (Antilhas holandesas).

Estrutura do Comando do Sul das Forças norte-americanas. Fonte: SouthCom

Entre as bases não mencionadas no Quadro do SouthCom conta-se a base de Comalapa em El Salvador com tropas da marinha e da força aérea.

Outras de grande dimensão localizam-se em Aruba e Porto Rico (Bitar, 2016). Porque não são mencionadas estas e as restantes? Porque a opinião pública de muitos países da América Latina se opôs à presença militar norte-americana e em alguns casos a cedência de bases foi mesmo chumbada por instância judiciais.

Assim, os Estados Unidos negociaram com esses países a instalação de bases clandestinas, ou bases juridicamente comuns mas claramente nas mãos dos norte-americanos, que não possam configurar juridicamente a cedência de território nacional a forças armadas estrangeiras. É o que Sebatian Bitar chama de quase-bases. Em termos militares, são bases norte-americanas, mas em termos jurídicos o Estado local mantém uma ficção de soberania. Algumas destas bases americanas são designadas como Localizações de Segurança Cooperativa (CSL).

Como refere o site do SouthCom, “As CSL não são bases” … mas “O Southern Comando controla as operações das CSL … e a Task-Force conjunta interagências de Key West, Florida, coordena a utilização dos meios aéreos americanos e as operações” (South Comando, 2019).

Estas quase-bases existem no Peru, nas Honduras, na Costa Rica, no Panamá e na Colômbia (Bitar, 2016). Mas também no Chile e na Argentina.

No Peru as esquadras norte-americanas usam em permanência três portos incluindo Callao, a principal instalação da marinha de guerra peruana. Para além desta presença existem cerca de seis instalações militares norte-americanas secretas (Nikandrov, 2015).

A Colômbia assume-se como o maior aliado norte-americano na região, o que não deixa de ser curioso já que foram os Estados Unidos que promoveram a independência do Panamá, por causa do canal cujas negociações estavam difíceis, que pertencia à Colômbia. Em 2009 foi assinado o Acordo de Cooperação na Defesa entre a Colômbia e os Estados Unidos ao abrigo do qual se tem processado uma intensa presença americana naquele país.

No Chile, o Presidente Obama avançou com a construção de uma base em Cóncon em 2012. Na Argentina a descoberta de hidrocarbonetos despoletou a imediata vontade americana de aí colocar bases militares, o que de facto já sucedeu.

O Haiti permanece ocupado há décadas. Nas Bahamas existem duas bases norte-americanas: o Mayaguana Army Airfield e a Andreos Island Naval Air Station. Na Antígua e Barbuda, para além de outra presença militar os EUA dispõem aí de uma base de rastreio de satélites. No Paraguai, a base de Mariscal Estigarribia permanece um mistério.

No Brasil o recém-eleito presidente Bolsonaro já admitiu a abertura para negociar a instalação de tropas americanas no seu país.

Conclusão

Os Estados Unidos são a única potência militar com alcance verdadeiramente planetário. Possui e gere cerca de 800 bases militares em 80 países diferentes – metade dos países do mundo estão ocupados militarmente com bases norte-americanas. Outros países também possuem bases no exterior, mas a dimensão dessas forças é muito menor. A Rússia, a França e o Reino Unido possuem cerca de 10 bases noutros países, a China somente uma.

Na América Latina, os Estados Unidos adoptaram, face à hostilidade das opiniões públicas, uma política de não reconhecer formalmente as suas bases, transformando-as legalmente numa forma hibrida em que a soberania do país de acolhimento é formalmente mantida mas as forças norte-americanas continuam a ocupar o terreno.

A forte presença no continente latino-americano, nomeadamente na Colômbia, um país que os Estados Unidos retalharam no passado e que hoje continuam a humilhar, bem como as bases nos países das Caraíbas podem servir para lançar ataques contra países como a Venezuela, Cuba ou outros que pretendam seguir um caminho diferente daquele que lhes é ditado de Washington.

*Economista, MBA

Referências

Bitar, Sebastian E. (2016) US Military Bases, Quasi-bases, and Domestic Politics in Latin America, Londres, Palgrave MacMillan

Fernández, Raúl Capote (2018) U.S. military presence in Latin America & the Caribbean, Granma, [online] http://en.granma.cu/mundo/2018-08-15/us-military-presence-in-latin-america-the-caribbean, acedido a 10 de Fevereiro de 2019

Lersch, Bruna dos Santos e Josiane Simão Sarti (2014), The establishment of Foreign Military Bases and the International Distribution of Power, FRGS Model United Nations, Volume 2, pp 83-135

Nikandrov, Ivan (2015), Act of Treason: Secret US Sites in Peru, Strategic Culture Foundation, [online] https://www.strategic-culture.org/news/2015/10/13/act-of-treason-secret-us-sites-in-peru.html, acedido em 10 de Fevereiro de 2019

South Comando (2019), Cooperative Security Locations, [online] https://www.southcom.mil/Media/Special-Coverage/Cooperative-Security-Locations/, acedido a 12 de Fevereiro 2019


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2019/02/19

Grupo de Lima ou da Lima?

Olhe-se para as credenciais do grupo de Lima, o também autoproclamado grande democratador, reunido para democratar a Venezuela com a troca "pacífica e negociada" de um presidente Maduro acabado de eleger com 68% de votos por um pró-cônsul que mete dó e nem para presidente da assembleia nacional foi eleito.

Honduras - Depois de aprovar legislação para impedir a investigação de acusações de corrupção que sobre ele recaem, Juan Orlando alterou a lei para se poder recandidatar a umas eleições cuja vitória não foi reconhecida pela OEA devido a graves fraudes antes e durante a contagem dos votos. Donald Trump já reconheceu o presidente eleito com a magna chapelada.

Argentina - Com uma inflação de 94% e em plena intervenção do FMI, Mauricio Macri enfrenta uma vaga de contestação nas ruas onde diversas organizações exigem ao governo que «declare a emergência alimentar» e trave «o aumento da fome» entre as camadas mais desfavorecidas. 200 mil pessoas participaram em Buenos Aires e um milhão em toda a Argentina na jornada de luta contra a «fome e os tarifazos», exigindo «pão, casa e trabalho». Aguarda-se ajuda humanitária dos EUA.

Brasil - O atual presidente foi eleito depois do golpe de estado paralamentar da bancada evangélico-democratadora que prendeu o seu principal opositor e demitiu a presidente Dilma Roussef com os votos de mais de 100 deputados indiciados por corrupção. Um admirador do trumpismo eleito pelas #fakenews do whatsapp.

Chile - O presidente Piñeras venceu umas presidenciais com 51% de abstenção e continua a assassinar impunemente o povo Mapuche. Um verdadeiro democratador credenciado pelos EUA como legítimo representante de wall street.

Colômbia - O maior exportador mundial de cocaína onde já foram assassinados mais de 539 ativistas sociais em três anos. Uma verdadeira democratadura ao serviço dos barões da droga.

Guatemala - O único governo que até ao momento seguiu o rasto trumpista de transferir a embaixada para Jerusalém ao arrepio de todas as decisões da ONU sobre o estatuto da cidade das religiões do livro.

Panamá - O país onde os EUA entraram em 1856 e de onde nunca mais saíram. 8 intervenções, a última em 1989 para derrubar um alegado barão da droga posto no poder, uns anos antes, pelos próprios EUA. Um canal democratado.

Paraguai - O país onde, depois do golpe contra Fernando Lugo, reina uma democratação neo-liberal imposta pela ajuda militária dos EUA.

#Honduras
#Argentina
#Brasil
#Chile
#Colômbia
#Panamá
#Venezuela
#GolpeNaVenezuela
#GrupoDeLima
#GrupoDaLima

2019/02/15

10 Mentiras Sobre A venezuela

Dez mentiras sobre a Venezuela que, de tanto se repetirem, se tornaram base para opinião
(Katu Arkonada, in Crónicas do Sul, 12/02/2019)

A Venezuela entrou numa nova fase de um golpe que se iniciou em 11 de abril de 2002, se intensificou em 2013 depois da morte de Chávez, e recrudesceu com a violência opositora das “guarimbas” em 2014 e 2017. A guerra híbrida que a Venezuela vive tem a desinformação e a manipulação mediática como armas de combate. Lemos e escutamos mentiras que analistas que nunca estiveram na Venezuela repetem tantas vezes que se convertem em realidade para a opinião pública.

1. A Venezuela tem 2 presidentes. Falso. A constituição Venezuelana estabelece no artigo 233 como falta absoluta de Presidente os casos de morte, renúncia, destituição pelo Supremo Tribunal Federal, incapacidade física ou mental decretada por uma junta médica, o abandono do cargo ou a revogação popular de seu mandato, além disso, se houver absoluta falta do Presidente é o Vice-Presidente que assume a presidência e convoca eleições. Guaidó não tem nenhum argumento Constitucional para se auto-proclamar Presidente.

2019/02/11

A Guerra Que Eles Tanto Querem

Os sociopatas e os seus seguidores
(José Goulão, AbrilAbril, 2019/02/08)

Para os países alinhados com Washington já não se trata apenas de violar grosseiramente a democracia. Os governos que seguem de braço dado com a administração Trump enveredaram pela carreira do crime.

Houve ocasiões – raras – em que os principais governos da União Europeia se distanciaram do comportamento boçal, truculento e neofascista da administração norte-americana gerida por Donald Trump. É certo que as razões nem eram louváveis, uma espécie de escrever direito por linhas tortas porque contrapor à política de fortaleza comercial de Washington o neoliberalíssimo «comércio livre» global, que serve meia dúzia de grandes conglomerados económico-financeiros, não é propriamente um comportamento honroso.

2019/02/08

Quem é o pró-cônsul Guaidó?

Se não existisse tinha de ser inventado. O Lado oculto tornou-se uma ferramenta informativa essencial para quem pretenda saber como vai o mundo. Eis de onde vem o pró-consul nomeado pelo império e aceite por meia europa. @Refer&ncia

Para Saber Tudo Sobre o Golpista Juan Guaidó
(Max Blumenthal* e Dan Cohen**, The Grayzone Project/O Lado Oculto, 2017/02/05)

Antes do fatídico dia 22 de Janeiro, menos de um em cada cinco venezuelanos tinha ouvido falar de Juan Guaidó. Há apenas alguns meses, este homem com 35 anos era um personagem obscuro de um grupo de extrema-direita politicamente marginal e associado a tenebrosos actos de violência nas ruas. Mesmo no seu próprio partido, Guaidó não passara de uma figura de nível médio na Assembleia Nacional dominada pela oposição e que agora age como um órgão que despreza a Constituição da Venezuela.

Porém, após um único telefonema do vice-presidente dos Estados Unidos da América, Michael Pence, Guaidó proclamou-se presidente da Venezuela. Ungido em Washington como dirigente máximo do seu país, um personagem político anteriormente desconhecido foi colocado nos palcos internacionais como chefe de uma nação que possui as maiores reservas petrolíferas do mundo.

Porquê umas e não outras?

«Porquê umas e não outras?» Perguntava o Vitor Vieira num comentário a um post do Vitor Dias a propósito das declarações do Zapatero antes de o patrão lhos ter apertado. E deixava alguns dados que consultou nas duas CNE:

- O Maduro obteve 67,8% dos votos expressos, o que correspondeu a 31,7% do total de eleitores inscritos, com 54% de abstenção.

- O Marcelo obteve 52% dos votos expressos, o que correspondeu a 24,8% do total de eleitores inscritos, com 51,3% de abstenção

- O primeiro ganha em dois indicadores e até a abstenção foi semelhante, com uma diferença inferior a 3 pontos percentuais.

Qual a diferença? Respondo eu, a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo verificadas do planeta.

Não, não são todos iguais!

Porque estes desmentidos vão ter, nos media corporativos, uma visibilidade muito inferior à da peça de uma jornaleira em busca de fama fácil, preciso de os ter aqui bem à mão para os esclarecimentos que se avizinham. Mas a coisa resume-se assim:

- A Câmara Municipal não é das mais endividadas do país, pelo contrário, é dos municípios com melhor eficiência financeira (18º entre os 308 do país), maiores resultados económicos (9º), maior diminuição da dívida (13º) e maior diminuição do IMI (19º entre 308).

- Sobre a contratação de apoios técnicos aos vereadores com pelouro todos sabemos que ninguém em parte alguma do país os contrata por concurso público.

- Ainda importa frisar que «a contratação foi deliberada por unanimidade, em 23 de novembro de 2017, e nos termos da lei, com os votos dos vereadores da CDU, PS, PSD e BE. [...] Trata-se de uma deliberação semelhante à tomada em diversas câmaras municipais, de várias cores políticas, mas que fica muito aquém de outras, quer em termos do número de contratados, quer em termos dos valores que representa, dando como exemplo a Câmara Municipal de Lisboa, onde cada vereador tem direito a seis assessores e dois administrativos […] muito acima da Câmara Municipal do Seixal, não se questionando a legitimidade da Câmara Municipal de Lisboa a ter os apoios que considera necessários. O que se regista é a ostensiva opção da TVI de prosseguir com uma manipulação política, que a peça editada deliberadamente faz.»

- Dos veículos que a jornaleira afirma serem de luxo, um é uma carrinha, em tudo semelhante à que a jornaleira usou para se deslocar com a sua equipa técnica, o outro, veio substituir o veículo com 12 anos ao serviço da Presidência da Câmara, todos adquiridos através de concurso público num processo de renovação da frota automóvel. @Referência

2019/02/07

Os EUA como Paradigma da Democracia

Após 25 eleições em vinte anos, das quais o chavismo venceu 23, os EUA decidiram que a Venezuela precisa de ser democratada. Vale a pena passar em revista a qualidade das "eleições" presidenciais no seio do império que decide quem deve e quem não deve ser democratado.

O ocupante da cadeira da casa branca não é nomeado em resultado de eleições directas "cada-pessoa-um-voto", mas por um colégio eleitoral. Lembram-se do salazarismo?

O tal colégio eleitoral emerge de uma eleições em que, tradicionalmente e principalmente pelos métodos valores financeiros envolvidos nas campanhas, só dois candidatos podem almejar à nomeação: o candidato do partido (neoliberal) democrático e o candidato do partido (neoliberal) republicano.

O actual ocupante da casa branca, que decretou a necessidade de democratar a Venezuela, teve 46% de votos nas urnas, menos 5% de votos do que a derrotada, do partido neoliberal democrático, mas "conseguiu" a maioria do colégio eleitoral.

Os dois últimos ocupantes da casa branca pelo partido neoliberal republicano foram nomeados pelo colégio eleitoral com menos votos nas urnas do que o candidato derrotado do partido neoliberal democrático.

Na primeira votação que conduziu à nomeação do Bush Jr. foram inúmeras as irregularidades e fraudes reportadas, tendo a recontagem dos votos sido suspensa pelo Supremo Tribunal quando o candidato Al Gore estava já prestes a ganhar o decisivo estado da Florida.

Algumas das irregularidades passaram pela remoção de milhares de afro-americanos dos cadernos eleitorais milhares nos estados do sul e pela utilização, na Florida, dos famosos boletins borboleta em que o eleitor premia o botão para votar num candidato e o cartão ficava perfurado noutro, de tal forma que num circulo de maioria judaica venceu um candidato neonazi.

O Bush Jr. foi nomeado pelo colégio eleitoral com menos 1% de votos e menos 500 000 votos do que o derrotada Al Gore, tendo este ficado conhecido como o primeiro ex-futuro presidente dos EUA.

O candidato do partido neoliberal democrático é nomeado por um colégio eleitoral em que 2/3 dos grandes eleitores são eleitos e 1/3 é nomeado pela nomenclatura do partido neoliberal democrático, o que permitiu que o candidato Bernie Sanders tivesse vencido as "directas" mas perdido a nomeação pelo colégio eleitoral do partido neoliberal democrático a favor de uma outra candidata mais neoliberal.

Alguém vê num regime destes alguma legitimidade para se pronunciar sobre a democraticidade do que quer que seja ou pela necessidade de democratar o que quer que seja?


Ajuda Humanitária à Venezuela Apreendida nas Fronteiras

O regime português de Costa tentou infiltrar paramilitares armados na Venezuela. Em resposta as forças da ordem venezuelanas limitaram-se a devolver ao remetente as armas e os paramilitares. Nenhum paramilitar ao serviço do palácio de São Bento foi preso por tentativa de ingerência militar num país soberano. Foi assim que a generalidade dos jornais nacionais noticiaram a forma como o governo da República Bolivariana da Venezuela impediu a tentativa de infiltração de paramilitares do regime de Costa. Não foi? Não foi assim? Não noticiaram? Pois, foi isso, a maioria esqueceu-se e o outro acusou os malditos venezuelanos de não deixarem entrar estrangeiros armado no seu território. Malandros!

A policia venezuelana apreendeu armamento enviado pelo regime de Trump destinado a terroristas infiltrados na Venezuela. Foi este o teor da abertura da generalidade dos telejornais de ontem, onde se fazia referência ao facto de Trump, nomeado presidente dos EUA por um colégio eleitoral, resultante de uma votação marcada por acusações de fraude e ingerência estrangeira, ter obtido apenas 46% de votos numa ida ás urnas com elevadíssima abstenção e com menos 5% do que a candidata da oposição democrática. Não? Não foi assim? Não disseram nada sobre as armas apreendidas? Só mencionaram o bloqueio da ponte por onde o regime de Trump quer infiltrar ajuda-militária na Venezuela? Malandros!

2019/02/06

Pergunta o Pedro Tadeu no DN

A queda de Maduro é boa para quem?
(Pedro Tadeu, Diário de Noticias, 2019/01/30)

Nicolas Maduro é um desastre político e o regime da Venezuela é condenável por se suportar no culto da personalidade, no abuso da autoridade, na burocratização, na corrupção e numa economia rentista, dependente do preço do petróleo.

E, no entanto, o que vejo nos jornais e nas TVs sobre a crise política venezuelana deixa-me cada vez mais certezas de que a oposição a Maduro conduz o país a um desastre, reforça-me a convicção de que a queda de Maduro, nestas condições, prejudica o povo da Venezuela e, sobretudo, aumenta-me o número de perguntas sem respostas

Diz o Domingos Lopes no Público

Venezuela, para que conste
(Domingos Lopes, Público, 2019/02/05)

Não há ninguém com o mínimo de honestidade intelectual que não aceite que a crise venezuelana, para além da incompetência e dos erros da ação governativa, enfrenta pressões e ingerências dos EUA. É para vergar o regime pela miséria que se juntam os que querem as riquezas daquele país.

Há, em torno da crise venezuelana, um redemoinho infernal de notícias. A grande maioria das notícias foca a realidade do que se passa naquele país do seguinte modo: há um ditador e uma ditadura nascida com o chavismo de um lado e, do outro, os opositores à ditadura, que, neste momento, têm Guaidó como cabeça, e que é o presidente da Assembleia Nacional (Parlamento). Isto é, há um Parlamento eleito democraticamente. Estranha ditadura... que chegou com Chávez, Presidente eleito em todas eleições a que concorreu, e reconhecidas por todo o mundo como tendo sido livres e limpas. Portanto, na Venezuela, não houve e não há uma ditadura.

Os Gostos Discutem-se e Muito

Sem Titulo
(Manuel Rocha, Forum "Pensar a Educação", 2019/02/03)

“Gostos não se discutem”, diz-se por aí como quem profere a mais límpida das verdades. Acontece, porém, que aqui dentro, e porque o tema é “pensar a educação”, os gostos discutem-se e muito, por ser a partir dos gostos que os lugares são assim ou assado, que a nossa relação com os demais é esta ou aquela, que a nossa visão do mundo tem mais ou menos futuro.

Nas notícias da passada semana dava-se conta de que um grupo de jovens portugueses presentes nas Jornadas Mundiais da Juventude, no Panamá, tinha adoptado como hino da sua passagem pelas américas a canção “Toda a Noite". Mau gosto, disse eu para comigo, que sou dos que acham que os gostos se discutem. Mas o pior da notícia viria a seguir, sob a forma de uma declaração do responsável do grupo que referiu que a canção, entretanto depurada do conteúdo brejeiro, “manifesta a alegria de sermos portugueses”.

2019/02/04

O que eles escondem

Venezuela: O que eles esquecem
(Romain Migus, Resistir.info, 209/01/28)

O presidente francês, Emmanuel Macron, ordena a Nicolas Maduro que não reprima a oposição MAS ELE ESQUECE as 3 300 prisões e os 2 000 feridos ligados à repressão do movimento dos coletes amarelos.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sanchez, dá oito dias a Nicolas Maduro para organizar eleições MAS ELE ESQUECE que não está no seu posto senão graças a uma moção de censura e não por eleições livres.

2019/02/02

A Cronologia de Uma Intervenção Estado-Unidense

« A culpa é toda tua ! » : Crise da Venezuela para totós
(Romain Mingus, 2018/11)

É óbvio que o motivo da crise se chama « Petróleo », o chamado « Ouro Negro ». A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo mundiais, bem como uma das maiores reservas planetárias de minério aurífero. O subsolo contém ainda outros recursos valiosos, como o denominado coltan – columbite/tantalite, minerais de onde se extraem o nióbio e o tântalo, tão em voga na fabricação dos nossos dispositivos electrónicos portáteis –, tório – potencial combustível nuclear, utlizado para fortalecer certas ligas metálicas e com inúmeras utilizações na indústria química –, bauxite – mezcla natural a partir da qual se extrai o alumínio –, minério de ferro, água doce, gás natural, diamantes…percebe-se assim o interesse e o apetite de alguns predadores.

Mas quais são as razões, para além das riquezas do subsolo, que levam a querer matar à fome e martirizar todo um Povo ?

2019/02/01

Mundo Real 2019/02/01

Numa semana marcada pela tentativa de golpe ainda em curso na Venezuela, é natural que mais do que um destaque, ocupemos o Mundo Real de hoje a tentar contrapor algum bom senso ao senso comum veiculado pelos media corporativos. Para o fim, ficou um artigo de Agosto de 2018 com uma síntese do que era a Venezuela antes do chavismo, e duas peças de Bruno Carvalho sobre a realidade que encontrou quando por lá passou recentemente, destinam-se principalmente aos que de entre nós ainda acreditam em democratações.

Venezuela prende grupo de terroristas contratados pela oposição: As autoridades venezuelanas revelaram ter capturado um grupo de mercenários contratados pela oposição venezuelana para cometer assassinatos selectivos, no âmbito da chamada «Operação Constituição» (AbrilAbril, 2019/02/01)

Falsas Bandeiras em Caracas: O presidente do parlamento autoproclamou-se presidente interino. Uma lufada de ar fresco na asfixia democrática na Venezuela? Engana-se quem acha que se apaga fogo com gasolina. (Joana Mortágua, esquerda.net, 2019/02/01)

Cabello denuncia acção «irresponsável» da UE ao promover ingerência na Venezuela: O presidente da ANC denunciou a «irresponsabilidade» da UE por fomentar a ingerência na Venezuela. Esta quinta-feira, o PE reconheceu Guaidó como «presidente interino legítimo» do país sul-americano.(AbrilAbril, 2019/01/31)

Trumpistas: Trump quer escolher o Presidente da Venezuela. Os fascistas Bolsonaro e Netanyahu também. A comunicação social das mentiras de guerra ladra em coro. Governos de países da UE proclamam ser contra Trump e o ascenso da extrema-direita. Mas o que os separa de Trump são 'oito dias'.(Jorge Cadima, Avante!, 2019/01/31)

Como se fabrica um golpe de Estado: A declaração do MNE português de que «não está em curso um golpe de Estado na Venezuela», para além da cínica hipocrisia que exprime, é um sinal do vergonhoso e efectivo alinhamento do governo PS nesta conspiração. Bastaria registar os intervenientes que os EUA nela colocaram - como o delinquente Elliot Abrams, com um longo historial criminoso e golpista - para desmentir Santos Silva. (Lidia Falcón, ODiário.info, 2019/01/31)

Mãos fora da Venezuela Bolivariana! O povo da Venezuela mantém o apoio ao presidente legítimo, Nicolás Maduro, face à tentativa golpista dirigida pelos Estados Unidos com o apoio de aliados e da oposição de direita venezuelana.

Os assaltantes de gasolineiras do mundo: John Bolton, conselheiro da Segurança Nacional dos EUA, fez saber na segunda-feira que a Casa Branca agravará a asfixia económica da Venezuela, desta vez através da imposição de sanções contra a sua empresa petrolífera estatal, a PDVSA. Entre «congelamento» de activos e perdas em exportações, o castigo dos EUA deverá custar mais de 18 mil milhões de dólares ao povo venezuelano.(António Santos, Avante!, 2019/01/31)

Venezuela - para a história da vigarice 2: Um pivot a falar em milhares de apoiantes e a mostrar meia-dúzia de tristes em redor do pró-consul, uma loira que aterrou em Caracas a por em cima da mesa o que o silva dos negócios estrangeiros empurrou para debaixo do tapete. (Rerer&ncia, 2019/01/31)

Supremo venezuelano congela contas de Guaidó e proíbe-o de sair do país: O Supremo Tribunal de Justiça decretou várias medidas cautelares contra Juan Guaidó, o autoproclamado «presidente interino» da Venezuela, após um pedido efectuado nesse sentido pelo Ministério Público.(AbrilAbril, 2019/01/30)

Abrams: Restabelecer democracias é com ele: Elliot Abrams, o enviado de Trump para a Venezuela com a missão de “assessorar” o “presidente interino”, Juan Guaidó, no golpe de Estado comandado de Washington, é dono de um dos currículos mais sinistros e sangrentos das intervenções norte-americanas no estrangeiro. Nicarágua, EL Salvador, Irão/Contras e duas condenações por mentir no congresso são alguns dos pontos fortes do individuo. (José Goulão, O Lado Oculto, 2019/01/29)

União Europeia ao lado de Trump contra a Venezuela: É importante, para memória futura e inevitável exigência de responsabilidades políticas e humanitárias, anotar os governos que, na Venezuela, virão a ser responsáveis por uma chacina de vidas humanas.
(José Goulão, AbrilAbril, 2019/01/28)

Trump brinca com o fogo: Ao contrário do que a barragem mediática quer fazer crer, o alinhamento internacional com a nova iniciativa golpista promovida pelos EUA na Venezuela é limitado. Compreende-se porquê: qualquer pessoa de bom-senso, mesmo muito anti-bolivariana, percebe que a aventura pode correr mal. E é lamentável que a social-democracia portuguesa, representada nomeadamente pelo governo PS e por António Guterres, tenha escolhido a subserviência face ao agressor em vez da solidariedade face ao agredido.(Atilio Borón, ODiário.info, 2019/01/26)

Não São Fake News é Mesmo Pura Vigarice : A operação de vigarização desinformativa em curso sobre a Venezuela é um exemplo paradigmático da completa ausência de credibilidade dos media corporativos. (Rerer&ncia, 2019/01/26)

OEA Não Apoia Golpe na Venezuela: A Organização dos Estados Americanos (OEA) não conseguiu reunir o número de votos necessários para aprovar uma declaração reconhecendo a auto proclamação de Juan Guaidió como “presidente interino” da Venezuela.(José Goulão, O Lado Oculto, 2019/07/25)

Venezuela - o golpe de Estado programado: Está em marcha uma nova etapa da ofensiva dos EUA e dos seus lacaios contra a Venezuela. O formato seguido é idêntico ao utilizado na Líbia e na Síria. A não ser derrotado, os resultados serão uma tragédia de incalculáveis proporções. É uma vergonha para o Portugal democrático que o governo do PS, com o seu inenarrável ministro Santos Silva, alinhe no apoio a esta monstruosa manobra. (Christian Rodriguez, ODiário.info, 2019/01/25)

O golpe estado na Venezuela: Está em desenvolvimento um golpe de estado iniciado pelo imperialismo norte-americano, os governos lacaios da América Latina e a direita servil-apátrida venezuelana, afirmou em 25 de Janeiro o secretário-geral do Comité Central do PCV, Oscar Figuera, em conferência de imprensa.(PCV, Resistir.info, 2019/01/25)

Os Dias Antes do Golpe

Trump Dispara Golpe na Venezuela: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disparou o golpe de Estado na Venezuela ao reconhecer o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como chefe de Estado "interino". O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, Brasil, Colômbia, Peru, Paraguai, Equador e Costa Rica, pronunciaram-se no mesmo sentido logo que Trump fez a declaração. Guaidó autoproclamou-se presidente alegando a "ilegitimidade" de Nicolás Maduro, vencedor das eleições de Maio com 67% dos votos, e afirma que vai nomear um "Conselho de Transição".(José Goulão, O Lado Oculto, 2029/01/23)

O BE defende um golpe militar na Venezuela? O Bloco de Esquerda publica um artigo inenarrável contra a Venezuela que defende um golpe militar, assinado por Tomás Marquez, que repete o argumentário utilizado pelos governos, partidos de direita e órgãos de comunicação social alinhados com o imperialismo.(Bruno Carvalho, Manifesto74, 2019/01/18)

«Quintal das traseiras» a ferro e fogo: A velha doutrina de Washington parece caminhar sobre rodas, mas uma agressão dos Estados Unidos e colónias contra a Venezuela soberana pode não ser uma simples e vingativa degola de inocentes.(José Goulão AbrilAbril, 2019/01/17)

Ao Arrepio dos Media Corporativos

A Venezuela que eu vi: Nos dias anteriores à minha chegada, dizia-se que a maioria dos semáforos em Caracas estavam avariados. Passaram-se dias até encontrar um que não funcionasse.(Bruno de Carvalho, AbrilAbril, 2019/12/08)

A Venezuela que eu vi (II): Jornais, rádios e televisões repetem até à exaustão que há uma ditadura e uma crise humanitária na Venezuela. E eu flutuo numa realidade paralela. Parto à procura dessa crise humanitária de que todos falam.(Bruno de Carvalho, AbrilAbril, 2019/12/16)

Para Entender a Venezuela Hoje É Preciso Saber Como Era Antes da "Revolução-Bolivariana": Não é possível se entender a atual crise da Venezuela e tampouco o regime chavista sem se compreender como era esse país antes da “revolução bolivariana” e qual o seu significado geopolítico para os EUA. (Marcelo Zero, Viomundo, 2018/08/08)

Entre o Trump e a UE Há 8 dias de Diferença

Trumpistas
(Jorge Cadima, Avante!, 2019/01/31)

Trump quer escolher o Presidente da Venezuela. Os fascistas Bolsonaro e Netanyahu também. A comunicação social das mentiras de guerra ladra em coro. Governos de países da UE proclamam ser contra Trump e o ascenso da extrema-direita. Mas o que os separa de Trump são 'oito dias'. O Governo PS, pela voz do MNE Santos Silva, não quer esperar tanto: o Presidente eleito e constitucional da Venezuela «tem de se ir embora». Não ficou saciado com a Líbia, Ucrânia, Síria, Iraque. O BE diz que «tem estado em contacto» com o Governo, cuja posição «é sensata». O PS diz que «este é o momento para responder à manifestação da vontade clara dos venezuelanos». Mas alguém pode negar que o momento foi escolhido por Trump? Até o Wall Street Journal (25.1.19) confessa: «O plano secreto do Governo Trump para dar apoio ao chefe da oposição Juan Guaidó foi previamente concebido e coordenado de forma estreita» durante várias semanas. A luz verde chegou na véspera da auto-proclamação do homem que o povo venezuelano não elegeu, através dum telefonema do Vice-Presidente Pence. «Vontade clara do povo da Venezuela»? Não: vontade clara do imperialismo esmagar um país e povo independentes e lançar mãos das maiores reservas petrolíferas comprovadas (24,9% do total mundial, segundo o Boletim Estatístico da OPEP, 2018), maiores que as da Arábia Saudita. Já começou o saque dos bens da Venezuela no estrangeiro.

Estamos perante uma tentativa de golpe, comandada de fora. Mais uma. É assim desde a eleição de Chávez em 1998. O problema não é ‘Maduro’, nem uma suposta ‘ditadura’. O problema é que o imperialismo não tolera países soberanos. A Arábia Saudita pode até esquartejar impunemente nos seus consulados, porque é um vassalo. Alguém acredita que Trump, Bolsonaro, Macrí ou Macron se preocupam com a democracia ou os povos?

Na Venezuela a oposição tem televisões, jornais, representação política (quando quer). Ganhou dois dos 25 actos eleitorais destes 20 anos. São os que os EUA/UE reconhecem. Perdeu os restantes 23, mas as grandes potências capitalistas fazem como nos referendos da UE: ignorá-los e seguir em frente. Com a sabotagem e bloqueio económico, o terror nas ruas, as infindáveis mentiras, as tentativas de assassinato do Presidente. Preparando o golpe e, se possível, a invasão. É o guião do «Assad tem de partir». Maduro foi reeleito há 9 meses, em eleições concordadas com a oposição – após negociações mediadas pelo ex-PM espanhol Zapatero – que à última hora não assinou os acordos. O veto veio de Washington: já preparava o golpe. Aguardava Bolsonaro. Mas o povo da Venezuela, face a enormes adversidades, tem sabido mobilizar-se e resistir. Como nas manifestações destes dias em apoio ao seu Presidente, silenciadas na comunicação social golpista e belicista que nos submerge com mentiras de guerra. É um testemunho da vitalidade, base popular e conquistas da Revolução Bolivariana. Mas a revolução precisa da solidariedade dos povos e dos seus amigos.

Em Portugal, confirma-se o pior da história do PS e das suas alianças com a direita mais extrema e o imperialismo. O BE segue no encalce. Mas não é óbvio que o monstro fascista alimentado por cada nova guerra e golpe não se vai querer ficar pela Ucrânia, o Brasil ou a Venezuela?

Venezuela: As Verdades Escondidas

Para Entender a Venezuela Hoje É Preciso Saber Como Era Antes da "Revolução-Bolivariana"
(Marcelo Zero, Viomundo, 2017/08/08)

I – Antecedentes

Não é possível se entender a atual crise da Venezuela e tampouco o regime chavista sem se compreender como era esse país antes da “revolução bolivariana” e qual o seu significado geopolítico para os EUA.

A Venezuela está sentada na maior reserva provada de petróleo do mundo. São 298,3 bilhões de barris, ou 17,5% de todo o petróleo do mundo. Este petróleo está a apenas 4 ou 5 dias de navio das grandes refinarias do Texas. Em comparação, o petróleo do Oriente Médio está entre 35 a 40 dias de navio dos EUA, maior consumidor de óleo do planeta.

Essas imensas reservas começaram a ser exploradas no governo de Juan Vicente Gómez (1908-1935).

Elliot Abrams: Um Tenebroso Democratador

O Lado Oculto continua a ser uma fonte de preciosa informação. É graças a ele que ficamos a saber quem é o democratador que os governos da UE e o silva os negócios estrangeiros aceitam como cão de fila encarregue de gerir o pró-consul estado-unidense para a Venezuela. @Refer&ncia

Abrams: Restabelecer democracias é com ele
(José Goulão, O Lado Oculto, 2019/01/29)

Elliot Abrams, o enviado de Donald Trump para a Venezuela com a missão de “assessorar” o “presidente interino”, Juan Guaidó, no golpe de Estado comandado de Washington, é dono de um dos currículos mais sinistros e sangrentos das intervenções norte-americanas no estrangeiro, principalmente na América Latina. A sua escolha é um verdadeiro livro aberto sobre as intenções reais dos Estados Unidos neste processo e que deveria ser de leitura obrigatória para todos os governos que caminham ao lado de Trump na operação.

2019/01/31

Venezuela: para a história da vigarice 2

Por volta das 8 da noite de hoje, um senhor, com uma granda lata e que não morreu a rir, dizia no telejornal da RTP1 que "milhares de manifestantes apoiaram hoje nas ruas de Caracas" o pró-consul norte-americano para a Venezuela, enquanto as imagens por trás dele mostravam meia dúzia de maduros incluindo jornalistas em volta da tal marioneta trumpista.

Ao mesmo tempo, na TVI, uma senhora que apanhou o avião para Caracaras, afirmava em direto, numa rua com árvores e uns transeuntes a passearem-lhe por trás, e sem se partir toda a rir, que, segundo as fontes dela, o sr. silva dos negócios estrangeiros teria dito que Portugal poderia enviar tropas para a Venezuela para proteger os seus cidadãos, se bem que tal ainda não estivesse em cima da mesa. Mas alguém diz à tal senhora o que é que está e não está em cima da mesa?

No dia do golpe pudemos ouvir o Rogeiro-pra-todo-o-serviço, na SIC a dizer que tinha estado pouca gente na manifestação chavista enquanto as imagens da manifestação chavista, ainda a decorrer, mostravam em direto centenas de milhares de "pouca gente".

Mas eles julgam que são todos broncos? Ou só estão mesmo interessados em enganar tolos?

2019/01/26

Não São Fake News é Mesmo Pura Vigarice

A operação de vigarização desinformativa em curso sobre a Venezuela é um exemplo paradigmático da completa ausência de credibilidade dos media corporativos.

Não, não era "pouca gente"
No dia do golpe foi possível ouvir o Nuno Rogeiro a afirmar na sic noticias que a manifestação chavista teria "pouca gente" enquanto as imagens de fundo, com a hashtag #LasCallesSonChavistas mostravam a manifestação chavista com centenas de milhares de pessoas.

Não, não basta autoproclamar-se
A constituição venezuelana estabelece que em caso de vacância de poder presidencial o Presidente da Assembleia Nacional pode ser convidado pelo Supremo Tribunal a assumir interinamente a presidência. O Supremo Tribunal não convidou o golpista a assumir rigorosamente nada. Pelo contrário o Supremo Tribunal de Justiça declarou "inconstitucional" e "usurpadora" a iniciativa do golpista.

Não, a OEA não reconheceu o golpista
De acordo com o regimento da Organização de Estados Americanos, para que uma proposta de um dos países membros se transforme numa resolução da OEA são necessários 2/3 de votos, num total de 23 dos 34 países representados. A proposta do Macri teve 16 votos, menos de metade e muito menos do que os 23 necessários, pelo que o escrito do Macri não passa de uma proposta rejeitada pela OEA.

Sim as Eleições Foram Livres e Democráticas
Maduro foi eleito com 67% de votos numa eleição com 54% de abstenção. Para contextualizar estes números lembremos que Piñera, um discipulo e seguidor de Pinochet, foi eleito no Chile com 55% e uma abstenção de 55% e que trump foi eleito com 46% e uma abstenção a rondar os 50%. Não houve fraude tal como certificam várias instituições, incluindo a insuspeita fundação Carter. Tal como se pode ler n'O Lado Oculto «As eleições de 20 de Maio de 2018, que definiram o mandato para o qual Maduro foi empossado em 10 de Janeiro último foram livres, abertas e democráticas, conforme comprovaram 14 comissões técnicas eleitorais enviadas de oito países e duas missões técnicas eleitorais. Apresentaram-se seis candidatos à presidência em eleições que mobilizaram 26 partidos políticos. O acto eleitoral decorreu segundo a mesma legislação e as mesmas condições técnicas das eleições para a Assembleia Nacional de Dezembro de 2015, ganhas pela oposição que agora pretende derrubar o presidente. Nicolás Maduro ganhou as eleições com 67% dos votos, seguido por Henri Falcón, com 20,93%. Efectuaram-se 18 auditorias do sistema automatizado, públicas e transmitidas pelos meios de comunicação social; representantes do candidato Henri Falcón participaram em todas as reuniões relacionadas com o processo eleitoral e assinaram todas as actas. Nenhum candidato impugnou os resultados e não foi apresentada qualquer acusação ou qualquer prova de fraude.»

Não Resolução da OEA Não Foi Noticia

OEA Não Apoia Golpe na Venezuela
(José Goulão, O Lado Oculto, 2019/07/25)

A Organização dos Estados Americanos (OEA) não conseguiu reunir o número de votos necessários para aprovar uma declaração reconhecendo a auto proclamação de Juan Guaidió como “presidente interino” da Venezuela. A moção nesse sentido, apresentada pelo governo argentino fascizante de Maurício Macri, não alcançou sequer o apoio de metade dos 34 membros da organização, apesar das pressões directas do presidente dos Estados Unidos efectuadas através do seu secretário de segurança, Michael Pompeo, presente na reunião.

Segundo os resultados apurados durante a reunião de quinta-feira do Conselho Permanente da OEA, os 16 votos alcançados pela proposta de Macri estão longe dos dois terços necessários para ser transformada em declaração oficial da OEA (23) e ficaram mesmo três votos aquém dos 19 que, há duas semanas, consideraram “ilegítimo” o mandato presidencial de Nicolás Maduro alcançado através das eleições livres e democráticas realizadas em Maio de 2018.

2019/01/25

Eleições Livres? Sim!

Trump Dispara Golpe na Venezuela
(José Goulão, O Lado Oculto, 2029/01/23)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disparou o golpe de Estado na Venezuela ao reconhecer o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como chefe de Estado "interino". O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro, Brasil, Colômbia, Peru, Paraguai, Equador e Costa Rica, pronunciaram-se no mesmo sentido logo que Trump fez a declaração. Guaidó autoproclamou-se presidente alegando a "ilegitimidade" de Nicolás Maduro, vencedor das eleições de Maio com 67% dos votos, e afirma que vai nomear um "Conselho de Transição". O Supremo Tribunal de Justiça declarou "inconstitucional" e "usurpadora" a iniciativa de Guaidó. A Venezuela cortou relações com os Estados Unidos.

2019/01/24

De Que Lado Estás?

Governos que renovaram o apoio ao Presidente da República Bolivariana da Venezuela eleito com 67% dos votos expressos:
Bolivia
China
Cuba
Irão
México
Nicarágua
Palestina
Rússia
San Vicente e Las Granadinas
Turquia
Uruguai e mais 173 países que mantêm normais relações diplomáticas com a Venezuela e não viram necessidade de se pronunciarem.

Governos que expressaram apoio ao pró-consul norte americano para a Venezuela
Argentina (neo-liberal eleito c/ 52%)
Brasil (fascista eleito c/ 55%)
Canada
Chile (neo-liberal eleito c/ 55%)
Colombia (Assassinados 387 activistas sociais em 2018)
Costa Rica
Guatemala (neo-liberal acusado de corrupção por um organismo da ONU)
Honduras (neo-liberal "eleito" em fraude eleitoral)
Panama
Peru

2019/01/22

Palestina: Um Trágico Balanço de 2018

2018, mais um ano negro para os palestinos: 295 mortos, 29.000 feridos, 6500 presos
(MPPM, 2018/12/30)

Um total de 295 palestinos foram mortos e mais de 29 000 foram feridos em 2018 pelas forças israelitas, informa o OCHA (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários) num relatório divulgado no final da semana passada(*).

Trata-se do maior número de mortos num único ano desde a agressão israelita à Faixa de Gaza em 2014 (a chamada «Operação Margem Protectora») e o maior número de feridos registados desde que em 2005 o OCHA começou a documentar as baixas nos territórios palestinos ocupados (TPO).

O Tribunal das Corporações e a Reforma do Capitalismo

A "sociedade civil" que não travou o CETA parece ter acordado para o horror do tribunal das corporações imposto por esse mesmo CETA. Chama-se Investor-State Dispute Settlement (ISDS) em anglo-saxonês e serve para as corporações multarem as democracias quando estas não lhes andarem ao jeito. A par da chantagem com a especulação capitalista sobre as dividas soberanas este é mais um instrumento de sujeição do poder civil democrático ao poder financeiro. Porque interessa pensar neste instrumento neo-liberal-capitalista de sujeição das democracias á luz da reforma do capitalism deixo aqui duas opiniões recentemente vindas a lume no âmbito da luta europeia contra estes tribunais. O problema é que enquanto andamos a lutar contra estes tribunais o capital vai pensando noutra forma de sujeitar as leis dos estado soberanos ás "regras dos mercados". Conintuo a acreditar que a única solução é mesmo acabar com o Capitalismo, t o d o! @Refer&ncia

2019/01/21

Noticia de Última Hora Abre Noticiários em Todas as TVs

Não? Não abriu? Não passou? Não aconteceu? Ninguém disse nada? Sobre o roubo e a recuperação das armas roubadas pela Guarda Nacional Bolivariana? Pois! Os donos disto tudo chamam-lhe critérios editoriais.@Refer&ncia

Forças Armadas venezuelanas frustraram «tentativa de atentar contra a paz»
(AbrilAbril, 2019/01/21)

Os militares revelaram ter detido «o grupo reduzido de assaltantes», membros da Guarda Nacional Bolivariana, que roubaram armamento do destacamento de Segurança Urbana em Sucre (estado de Miranda). O armamento roubado no assalto desta madrugada ao destacamento de Segurança Urbana de Petare, em Sucre, já foi recuperado pelas autoridades venezuelanas

2019/01/19

BE Mais Uma Vez Contra as Democracias Latino-Americanas

Já sobre a Nicarágua tive a oportunidade de ler uns escritos no esquerda.net claramente inspirados nas narrativas mais bolorentas do imperialismo estado unidense que pôs no poder brasileiro o fascista bolsonaro. Na altura tentei comentá-los mas a democracia implementada no site do BE não mo permitiu. Desta vez o alvo é a Venezuela. Pergunto-me: estarão os opinadeiros desses escritos a ser financiados com os trinta dinheiros das democratadoras fundações do George Soros? @Refer&ncia

O BE defende um golpe militar na Venezuela?
(Bruno Carvalho, Manifesto74, 2019/01/18)

O Bloco de Esquerda publica um artigo inenarrável contra a Venezuela que defende um golpe militar, assinado por Tomás Marquez, que repete o argumentário utilizado pelos governos, partidos de direita e órgãos de comunicação social alinhados com o imperialismo. Vamos desmontar, ponto por ponto, uma posição que se inscreve na linha histórica do BE de se orientar na sua reflexão sobre política internacional por aquilo que é dito por Washington ou pela União Europeia.

2019/01/18

Mundo Real 2019/01/18

O destaque poderia ser a invasão do Iémene pelas tropas sauditas ou a prisão de uma jornalista americana pelo governo dos EUA, mas, na semana em que a Palestina assume a presidência do Grupo dos 77 e que uma nova força politica de esquerda emerge naquele país ocupado, importa dar-lhe a importância negada pelo silêncio dos media corporativos.

PALESTINA
Palestina assume a presidência do Grupo dos 77 + China: Na cerimónia de assunção da presidência rotativa anual, secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou «a liderança histórica do Estado da Palestina» como novo Presidente do Grupo dos 77. «A Palestina e os seus cidadãos têm experiência em primeira mão de algumas das questões globais mais desafiadoras e dramáticas que enfrentamos», declarou Guterres.

Nasce Alternativa à FATAH e ao HAMAS: Aliança Democrática Palestiniana é a nova força política do povo da Palestina, que pretende quebrar o domínio bipartidário estabelecido pela Fatah e pelo Hamas. Resulta da coligação de cinco organizações da esquerda palestiniana, integra personalidades independentes e tentará conseguir que sejam ultrapassadas as divisões internas enquistadas entre as organizações dominantes.(José Goulão com Edward Barnes)

Pela libertação de Ahmad Sa'adat e demais presos políticos palestinianos: No início da Semana Internacional pela Liberdade de Ahmad Sa'adat, o MPPM insta todos os que no nosso país «prezam a liberdade e a justiça» a darem voz aos palestinianos presos nas cadeias israelitas.

Palestina rejeita anunciado «acordo de paz» dos EUA sem a totalidade de Jerusalém Oriental como capital: A Autoridade Palestina reagiu a notícias acerca do conteúdo do chamado «acordo do século» dos EUA declarando que «qualquer plano de paz que não inclua um Estado palestino independente com Jerusalém Oriental como capital nas fronteiras de 1967 está destinado a falhar».

Tribunais militares de Israel multam palestinos em 14 milhões de euros em 3 anos: Os tribunais militares de Israel impuseram multas no valor de 60 milhões de shekels (14 milhões de euros) aos palestinos da Cisjordânia ocupada entre 2015 e 2017.

2019/01/15

Uma Palestina Mais Forte

Nasceu uma nova realidade politica na Palestina e, na medida em que pode potenciar o fim da ocupação israelita, tal como seria de esperar o facto foi amplamente noticiado nos media corporativos! Não? Ninguém viu nada? Ninguém leu nada? Nem jornais, nem televisões? Nada? De certeza? Nem acredito, felizmente O Lado Oculto fala-nos do facto.@Refer&ncia

Palestina - Nasce Alternativa à FATAH e ao HAMAS
(José Goulão com Edward Barnes, O Lado Oculto, 2018/01/10)

Dirigentes das cinco organizações constituintes e independentes encabeçam uma das primeiras manifestações promovidas pela nova Aliança Democrática Palestiniana.

Aliança Democrática Palestiniana é a nova força política do povo da Palestina, que pretende quebrar o domínio bipartidário estabelecido pela Fatah e pelo Hamas. Resulta da coligação de cinco organizações da esquerda palestiniana, integra personalidades independentes e tentará conseguir que sejam ultrapassadas as divisões internas enquistadas entre as organizações dominantes.

2019/01/12

Por uma Europa dos Trabalhadores e dos Povos

Apelo comum para as eleições para o Parlamento Europeu
(Gabinete de Imprensa do PCP, 2019/01/11)

Apelo comum para as eleições para o Parlamento Europeu «Por uma Europa dos trabalhadores e dos povos»

As eleições para o Parlamento Europeu realizam-se numa conjuntura em que os trabalhadores e os povos dos Estados-membros da União Europeia (UE) enfrentam enormes problemas e impasses. Os trabalhadores são confrontados com a precariedade no trabalho e a fragilização da sua situação social, com as desigualdades, com a pobreza, com os ataques aos salários, às pensões e aos seus direitos. Os povos e, em particular, os jovens são confrontados com o desemprego, a migração económica forçada, o acesso cada vez mais difícil à educação, à saúde e à habitação. Realidade que é reflexo das políticas de intensificação da exploração e de empobrecimento promovidas pela UE.

Aprofundam-se as assimetrias e as desigualdades de desenvolvimento entre os Estados-membros da UE. A própria UE permanece em crise e enfrenta uma séria turbulência.

A UE, as classes dominantes e as forças que as representam já não podem dissimular o descontentamento social provocado pelas suas políticas: o neoliberalismo na economia, a natureza anti-democrática e centralizada do seu funcionamento, o militarismo e o intervencionismo nas relações internacionais. Hoje, alastra o reconhecimento de que as declarações e promessas da UE e das forças que a lideram foram refutadas. A realidade com que os povos dos nossos países estão confrontados é bem diferente.

2019/01/11

Mundo Real 2019/01/11

Quando um patriota social-democrata toma posse na América-Latina, não importa se gostamos ou não dele, importa dar-lhe o destaque que os media corporativos lhe roubam. Maduro foi eleito com 67% dos votos numa eleição em que houve 53% de abstenção. Só como comparação, o Trump foi eleito com 47% numa eleição em que houve 44% de abstenção e o Marcelo num sufrágio com 52% de abstenção. Factos são factos.

VENEZUELA
Maduro: «Estou pronto para levar a Pátria a um futuro melhor»: Nicolás Maduro tomou posse, esta quinta-feira, como presidente da Venezuela. O mandatário comprometeu-se a conduzir o país a «um destino melhor», a defender a paz, a soberania e a integração regional.

«Imperialismo não impedirá Nicolás Maduro de tomar posse»: O governo da Venezuela repudia a «declaração extravagante» do Grupo de Lima e as «acções hostis» promovidas pelos EUA, reafirmando que o imperialismo não impedirá Nicolás Maduro de assumir o cargo.

Nicolas Maduro toma posse entre ameaças e ingerências: O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolas Maduro, toma hoje posse para um novo mandato, que, garante, marcará uma nova etapa na «construção do socialismo» no país.

As Policias do Capital

Polícias eleitorais ou as duas faces da mesma moeda
(José Goulão, O Lado Oculto, 2019/01/10)

As fake news e as novelas das supostas ingerências externas em actos eleitorais são o pretexto para a criação de corpos transnacionais de polícia eleitoral e o reforço do neoliberalismo como fascismo social.

A par da convergência dos populismos e neofascismos para as muitas campanhas eleitorais que aí vêm no plano internacional, está também em campo uma variante aglutinadora que contribui para replicar, mais coisa menos coisa, as eleições presidenciais norte-americanas de 2016. Incluindo aquilo a que o mainstream parece reduzir a política de hoje: as fake news e as novelas das supostas ingerências externas em actos eleitorais. Tudo a funcionar como nevoeiro para disfarçar o grande objectivo em jogo: reforçar o neoliberalismo como fascismo social – com mais ou menos fascismo político.

2019/01/10

Venezuela - A Tomada de Posse que o Capital Censurou (1)

Do muito que tenho aqui visto sobre a tomada de posse de Nicolas Maduro,há algumas coisas que me saltam à vista :

A imprensa do capital diz que Nicolas Maduro está isolado,no entanto 98 países enviaram delegações à sua tomada de posse.

Jair Bolsonaro foi contemplado com 46 delegações,entre elas,para vergonha nossa,a portuguesa.

Marcelo disse que se recusou a ir à tomada de posse de Maduro porque a sua eleição não representa a vontade da maioria dos venezuelanos,recordo que Maduro ganhou as presidenciais de Maio com 67% dos votos expressos,já Marcelo ganhou a sua presidência com 52% dos votos expressos.No entanto Marcelo diz que a eleição não vincula os venezuelanos pois só 47% votaram,é curioso que pela narrativa de Marcelo a sua própria eleição também não vincula os portugueses pois "apenas" votaram 48,66% dos portugueses em 2016.

O hilariante aconteceu no Uruguai,uma manifestação com milhares de pessoas de apoio ao mandatário venezuelano,teve o mesmo impacto que a manifestação dum anormal em frente à embaixada da Venezuela em Montevideu.

No fim de contas,estou-me nas tintas para tudo isto pois aquilo que mais dou valor é ao Povo venezuelano,e esse está nas ruas de Caracas apoiando o seu mandatário presidencial.

Por fim,recordo as palavras de Hugo Chávez para esta trupe política reaccionária :
"¡Váyanse al carajo, yanquis de mierda, que aquí hay un pueblo digno".
Agora é só trocar o "ianques" por "capitalistas"!
Para nota mesmo final,eu não sou apoiante de Maduro,sou apoiante do Povo venezuelano e se eles gritam "Viva Maduro",então eu grito com eles!
Texto de : Rui Miguel torres.

O Euro É Um Instrumento Neoliberal ao Serviço do Capital

20 Anos do Euro
(Miguel Viegas, Café Central, 2019/01/08)

Assinala-se neste momento 20 anos sobre a criação do euro. A moeda única foi apresentada na altura como o instrumento fundamental que iria acelerar a convergência social e territorial dentro da União Europeia. A realidade das últimas duas décadas demonstra que o euro, longe de cumprir com as expectativas, promoveu a divergência social e económica, convertendo-se num instrumento de domínio que impôs aos Estados nacionais as receitas neoliberais prescritas pela União Europeia. Neste sentido, a libertação dos constrangimentos que decorrem da presença de Portugal na União Económica e Monetária é hoje mais do que nunca indissociável do nosso projecto de uma política patriótica de esquerda.

A Privatização como Roubo Instituido

O esbulho da propriedade estatal tem sido constante e seguido sempre o mesmo guião. Degradar a empresa para criar mau estar, descapitalizar a empresa para lhe baixar o preço, retirar-lhe os setores improdutivos ou menos lucrativos para a tornar atraente e finalmente vender aos amigos ao preço da banana. Repescamos aqui mais um artigo sobre o golpe em preparação na CP.

Respostas aos afãs da Direita
(Manuel Carvalho da Silva in JN, 2018/09/01)

Os trabalhadores da CP e forças de Esquerda há muitos anos denunciam o crescendo de bloqueios à manutenção da capacidade operacional e à modernização desta empresa, e de outras que com ela se articulam, no contexto da afirmação da ferrovia como excelente solução para o transporte em geral e para a mobilidade das pessoas em particular.

2019/01/08

Não é populismo, é fascismo

Não é populismo, é fascismo
(Carvalho da Silva, DN, 2019/01/06)

É surpreendente que sociedades carregadas de injustiças e desigualdades, polarizadas em guetos, se tornem perigosas? Sociedades onde uma ínfima minoria é muita rica e manipula todos os poderes, uma grande parte é extremamente pobre e não tem voz, e no meio fica um enorme massa de seres humanos a deslizar para o lado da privação e da desesperança são sociedades em perigo. Neste contexto, será surpresa surgirem messias providenciais que, prometendo autoridade e segurança, encontram um público disponível para os apoiar e até para lhes propiciar vitórias eleitorais? Não, não é. Está a acontecer hoje o que já aconteceu no passado.

A Agressão Imperialista em Curso

EUA Assumem ataque a Venezuela
Confirmado: os EUA reconhecem que as sanções visam o colapso da Venezuela
(Missão Verdade in ODiario.info, 2018/02/09)

O Estado profundo no confessionário

[...] O chefe da CIA, Mike Pompeo, confessou num fórum do think-tank neoconservador American Enterprises Institute que o aparelho de informações que dirige trabalhou lado a lado com Trump as componentes operacionais das sanções contra a Venezuela.

Os media internacionais que registaram a declaração extraíram dela a parte mais rentável para as suas conveniências, encobrindo os detalhes que durante quase uma hora Pompeo expôs sobre o trajecto que deu lugar à institucionalização de sanções financeiras mediante uma Ordem Executiva (13692) e várias suspensões de reconhecimento por parte da OFAC/Departamento do Tesouro a mais de 30 funcionários de alto nível do Estado venezuelano.

2019/01/07

Mais-valia

Mais-valia
(António Vilarigues, O Castendo, 2018/12/14)

A jornada de trabalho divide-se em duas partes: trabalho necessário e sobretrabalho.

Na parte chamada trabalho necessário o trabalhador produz para si próprio, isto é, produz uma quantidade de valor correspondente ao valor dos seus meios de subsistência.

No sobretrabalho o trabalhador produz a mais-valia, ou seja, um valor a mais, que antes não existia e que, através da sua apropriação privada pelo capitalista, forma o lucro.

Se numa jornada de trabalho de 8 horas 2 são de trabalho necessário e 6 sobretrabalho, nesse caso a mais-valia equivale a 6 horas

Da emancipação social dos trabalhadores e dos povos

«A defesa da soberania nacional é indissociável do avanço no caminho da emancipação social dos trabalhadores e dos povos»
(João Ferreira, 2028/12/17)

Prezados amigos, estimados camaradas,

A integração de Portugal na União Europeia e no Euro é, desde há décadas, um elemento de suporte da política realizada por sucessivos governos, que influenciou decisiva e crescentemente a estruturação e a acção do Estado em variados domínios. A evolução do processo de integração limitou fortemente a soberania e a independência nacionais, tendo um impacto profundo na economia e na sociedade portuguesas.