2022/03/01

4 Opiniões Sobre a Guerra da Ucrânia e dois epílogos servidos frios

 

Agora, depois de muitos se pronunciarem sobre a catástrofe que se abateu sobre a Europa, tive a oportunidade de encontrar quatro coincidentes olhares de quatro indivíduos. São pessoas com as quais estou geralmente em desacordo, se bem que em graus diversos, porque, se o mundo é a cores, as mentes humanas são universos de cor. Pena é que as queiram reduzir a um mesmo cinzento próprio dos tempos negros que varreram o mundo faz agora uns provectos oitenta anos, quase um século.

Arrisco começar com a perspetiva de um douto constitucionalista da nossa praça, passando em seguida pelo olhar de um perigoso extremista, de onde navegaremos para a visão de um pequeno-burguês com tribuna nos media corporativos, para terminar com um dos oráculos nacionais. Todos eles partilhando a mesma categoria de reais cripto-comunistas mascarados de anti-comunistas ferrenhos ao longo dos últimos 30 anos. Como sobremesa, sirvo os conselhos de Henry Kissinger, envelhecidos em cascos de carvalho desde 2014 e a posição dos comunistas portugueses, a frio, em cima da ceia, como sorvete que pare a digestão de tão lauto banquete, farto de bom senso tardio.

Contra a invasão da Ucrânia
(Por Vital Moreira, in Blog Causa Nostra, 25/02/2022)

1. Não é admissível o silêncio sobre a invasão militar da Ucrânia pela Rússia, a maior operação bélica na Europa desde a II Guerra Mundial. Por mais previsível que fosse, não deixa de ser uma agressão, em grosseira violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, que só pode merecer condenação geral. Só é de lamentar que a Ucrânia e a Nato tenham fornecido pretextos à Rússia para esta ofensiva, desde o abandono do estatuto de neutralidade ucraniana (que tinha sido condição explícita do reconhecimento da independência ucraniana por Moscovo), logo substituída pelo pedido de adesão à Nato (uma óbvia provocação à Rússia), até ao incumprimento do acordo de Minsk de 2015 sobre a autonomia dos territórios russófonos do leste da Ucrânia (que Kiev manteve sob constante assédio militar).

Quando se mora ao lado de um gigante ressentido, convém não lhe dar pretextos para a agressão.

2. Para além dos imprevisíveis custos humanos, materiais e financeiros da guerra para os biligerantes e dos seus reflexos económicos negativos sobre terceiros países, especialmente na Europa (aumento dos custos da energia, inflação, travagem da retoma económica) – agravados pelas sanções e contrassanções -, esta lamentável guerra na Europa vem reestabelecer a inimizade estratégica entre o ocidente (EUA e UE) e a Rússia, que se julgava superada desde o desmoronar da União Soviética há três décadas, desvalorizando a oposição sistémica com a China, entretanto tornada uma potência económica e militar de primeiro plano e apostada em ocupar um lugar hegemónico num futuro próximo.

Se há uma capital que pode tirar proveito desta guerra europeia, é Pequim.
v Adenda Sobre o risco sério de estagflação (estagnação económica acompanhada de inflação) ver este texto de Nouriel Roubini (reservado a assinantes).

Adenda 2

A propósito de atual coro quase unâmine de condenação da invasão russa, noto que muitos dos críticos aplaudiram entusiasticamente, num passado não muito longínquo, agressões externas não menos ilegítimas e condenáveis, como a agressão da Nato à Sérvia, em 1999 (a pretexto de um suposto “genocídio” no Kosovo, que não passava de repressão do separatismo kosovar) e da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003 (a pretexto de alegadas “armas de destruição maciça”, que depois se provou não existirem). Duplicidade de critérios, portanto!

Adenda 3

Um leitor pergunta porque é que a projetada adesão da Ucrânia à Nato seria uma “provocação à Rússia”. A resposta é: pela mesma razão que os Estados Unidos não tolerariam nenhuma aliança militar de um país seu vizinho com uma potência hostil, tendo por isso considerado uma intolerável provocação a instalação de mísseis soviéticos em Cuba, em 1962 (aliás em resposta à instalação de mísseis norte-americanos na Turquia), emitindo um ultimato para a sua retirada e pondo o mundo à beira de uma guerra nuclear. Nenhuma potência admite mísseis de outra apontados contra si no quintal do vizinho.

Adenda 4

Um leitor comenta que Putin quer ocupar a Ucrânia e destituir o governo, para depois conseguir, numa posição de força, obter os seus dois objetivos (neutralidade militar e política ucraniana e autonomia das províncias russófonas), a troco da desocupação e de um pacto de segurança do País. Pode ser que tal seja o resultado deste conflito, mas a invasão russa e as feridas da guerra terão destruído qualquer possibilidade de vizinhança respeitosa entre os dois países, além de uma nova “guerra fria” entre o ocidente e a Rússia.

Adenda (27/2)

Um leitor argumenta que o único modo de um país não-nuclear se sentir seguro é integrar uma aliança militar poderosa. Mas há também o estatuto de neutralidade, especialmente protegido pelo direito internacional, que nem mesmo Hitler ousou violar em relação à Suíça e à Suécia. Não consta que Ucrânia tenha sido ameaçada de invasão russa enquanto manteve o estatuto de neutralidade, até 2014. A propósito, a Suécia e a Finlândia, com fronteiras com a Rússia, cuidaram de reiterar que não pretendem abandonar o estatuto de neutralidade e aderir à Nato…

A Europa e a guerra da Ucrânia
(Boaventura Sousa Santos, in Diário de Notícias, 21/01/2022)

Os exigentes desafios que o mundo enfrenta neste momento – da crise climática à pandemia, do agravamento da Guerra Fria ao perigo de uma confrontação nuclear, do aumento das violações dos direitos humanos ao crescimento exponencial do número de refugiados e de pessoas com fome – exigem mais do que nunca uma intervenção ativa do ONU, cujo mandato inclui a manutenção da paz e da segurança coletivas e a defesa e promoção dos direitos humanos. Entre muitas áreas de intervenção em que a ONU pode intervir, uma das mais importantes é a da paz e segurança, e respeita concretamente ao agravamento da Guerra Fria. Iniciada por Donald Trump e prosseguida com entusiasmo por Joe Biden, está em curso uma nova Guerra Fria que tem aparentemente dois alvos, a China e a Rússia, e duas frentes, Taiwan e Ucrânia. À partida, parece insensato que uma potência em declínio, como são os EUA, se envolva numa confrontação em duas frentes simultaneamente. Para mais, ao contrário do que se passou com a Guerra Fria anterior, visando a União Soviética, a China é uma potência de grande poder económico e um importante credor da dívida pública dos EUA. Está a ponto de ultrapassar os EUA como a maior economia mundial e, segundo a National Science Foundation dos EUA, teve pela primeira vez em 2018 uma produção científica superior à dos EUA. Acresce que a lógica aconselharia os EUA a ter a Rússia como aliada e não como inimiga, não só para a separar da China, como para acautelar as necessidades energéticas e geoestratégicas da sua aliada histórica, a Europa. A mesma lógica aconselharia a UE a ter presente as relações históricas e económicas da Europa central com a Rússia (até à Ostpolitik de Willy Brandt).

É particularmente preocupante que os neocons (os políticos e estrategas ultraconservadores que desde o ataque às Torres Gémeas em 2001 dominam a política externa dos EUA) acirrem simultaneamente as hostilidades com a Rússia e apelem para que os EUA se preparem para uma guerra com a China no final da década, uma guerra quente de tipo novo (a guerra com os meios da inteligência artificial).

O poder mediático internacional dos neocons é impressionante. Tal como aconteceu em 2003 com os preparativos da invasão do Iraque, assistimos a um unanimismo alarmante dos comentadores de política externa no mundo ocidental. De repente, a China, que até agora era um parceiro comercial importante e fiável, passa a ser uma ditadura que viola massivamente os direitos humanos e uma potência malévola que quer controlar o mundo, desígnios que têm de ser neutralizados a todo o custo.

Por sua vez, a Rússia, até agora um parceiro estratégico (caso do acordo nuclear com o Irão), é agora um país governado por um presidente autoritário e agressivo, Vladimir Putin, que quer invadir a democrática Ucrânia. Para a defender, os EUA ajudarão militarmente e, para isso, a Ucrânia deve juntar-se à Nato. Esta narrativa, apesar de ser falsa, é reproduzida sem contraditório no The Washington Post e no The New York Times, é depois ampliada pela Reuters e a Associated Press e secundada pelos briefings das embaixadas dos EUA. Os comentadores ocidentais apenas a regurgitam acriticamente. Perante isto, é urgente que se faça ouvir e sentir a intervenção da ONU para travar a deriva de uma terceira guerra mundial.

A ONU tem informação abundante que lhe permite contrariar esta narrativa e intervir ativamente para neutralizar o seu potencial destrutivo. A Ucrânia é um país etnolinguisticamente dividido entre um ocidente predominantemente ucraniano e um oriente predominantemente russo. Ao longo da década de 2000, as eleições e os inquéritos de opinião revelaram a oposição entre um ocidente pró-União Europeia e pró-NATO, por um lado, e um oriente pró-Rússia, por outro. Em termos de recursos energéticos, a Ucrânia depende em 72% do gás natural da Rússia, tal como acontece com outros países europeus (a Alemanha depende em 39%), o que dá uma ideia do poder de negociação da Rússia neste domínio. Desde o fim da União Soviética, os EUA têm vindo a tentar retirar a Ucrânia da órbita da Rússia e integrá-la na do mundo ocidental e, de facto, transformá-la num bastião pró-norte-americano na fronteira da Rússia. Esta estratégia tem tido pilares: integrar a Ucrânia militarmente na NATO (aprovada na Cimeira de Bucareste de 2008, tal como a Geórgia, outro país com fronteira com a Rússia) e economicamente na União Europeia. A revolução laranja, ou melhor, o golpe de 22 de fevereiro de 2014, fortemente apoiado pelos EUA, foi o pretexto para acelerar a estratégia ocidental. Teve a sua causa imediata na recusa do presidente Yanukóvytch em assinar um acordo de integração económica com a UE que deixava de fora a Rússia. Seguiram-se protestos, muita agitação social e uma repressão governamental brutal que se saldaram em mais de 60 mortes (sabe-se hoje que havia grupos fascistas fortemente armados entre os manifestantes). Em 22 de fevereiro, o presidente foi obrigado a sair do país. A “promoção da democracia” conduzida pelos EUA tinha dado resultado: a “revolução laranja” iniciava a sua política antirrussa. A Rússia tinha avisado que a integração na NATO e a integração exclusiva na UE constituía uma “ameaça direta” à Rússia. Nos meses seguintes, a Rússia ocupou a Crimeia onde já tinha uma importante base militar.

Em 2014 e 2015 celebraram-se os protocolos de Minsk com a intermediação de Rússia, França e Alemanha. Reconhecia-se a especificidade etnolinguística da região do rio Don (Donbas) (maioritariamente de língua russa) e previa-se o estabelecimento, a cargo da Ucrânia e segundo a lei ucraniana, de um sistema de autogoverno para a região (que abrange áreas dos distritos de Donetsk e Luhansk). Estes protocolos nunca foram cumpridos pela Ucrânia. A tensão voltou agora a aumentar com a suposta intenção da Rússia de invadir a Ucrânia. E é mesmo provável que o faça (certamente limitada à Ucrânia oriental etnicamente russa) se a NATO, os EUA e a UE continuarem a sua política de hostilização.

Perante tudo isto, é de perguntar se quem tem vindo a criar perturbação nesta região do mundo é a Rússia ou os EUA. Todos nos recordamos da crise dos mísseis de 1962, quando a União Soviética se propôs instalar mísseis em Cuba. A reação norte-americana foi terminante; tratava-se de uma ameaça direta à soberania dos EUA e em nenhum caso se aceitariam tais armas na sua fronteira. Chegou a soar o alarme de uma guerra nuclear. Foi esta reação muito diferente da reação atual da Rússia perante a perspetiva de a Ucrânia vir a integrar a NATO?

Em 2017 foi tornado público o relato da reunião entre o secretário de Estado norte-americano James Baker e Mikhail Gorbachev realizada em 9 de fevereiro de 1990. Nessa reunião foi acordado que se a Rússia facilitasse a reunificação da Alemanha, a NATO “não se expandiria um centímetro para leste” (http://nsarchive.gwu.edu). Apesar disso e de extinto o pacto de Varsóvia, nove anos depois Polónia, Hungria e República Checa juntavam-se à NATO.

E nenhum comentador se lembra de que em 2000, quando chegou ao poder, Vladimir Putin manifestou publicamente o desejo de a Rússia vir a integrar a NATO e também a UE para a Rússia “não ficar isolada na Europa”. Ambos os pedidos foram recusados.

Em face disto, a ONU sabe que a Rússia não é a única potência agressiva no conflito atual, e que bastaria que os acordos de Minsk fossem cumpridos pela Ucrânia para a hostilidade cessar. Porque é que a Ucrânia não pode permanecer um país neutro como a Finlândia, a Áustria ou a Suécia?

Se houver guerra nesta região, o teatro de guerra será a Europa, e não os EUA. A mesma Europa que há pouco mais de setenta anos se ergueu de um inferno de duas guerras mundiais que se saldaram em cerca de 100 milhões de mortes. Se a ONU quer ser a voz da paz e da segurança que consta do seu mandato, tem de assumir uma posição muito mais ativa e mais independente da dos países envolvidos.

Tem de averiguar in situ o que se passa nos territórios onde as grandes potências se digladiam e se preparam para guerras de hegemonia em que provavelmente serão os aliados menores a sofrer as consequências e a pagar com vidas (Taiwan ou Ucrânia) – as chamadas proxy wars – mesmo se a política agressiva do regime change visa a Rússia e a China, eventualmente com resultados semelhantes aos que teve no Iraque, na Líbia ou no Afeganistão. O mundo precisa de ouvir vozes autorizadas que não repitam o script imposto pelos rivais. A mais autorizada de todas é a da ONU.


Guerra e paz
(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 26/02/2022)

Sim, invadiu. Vinte e quatro horas depois de ter insistido que estava ainda aberto a negociações “sé rias e honestas”, Putin invadiu a Ucrânia e, pelo que se sabia até ontem à tarde, em larga escala.

Faço ideia da satisfação intelectual de tantos que passaram semanas a anunciar a invasão, às vezes parecendo mesmo desejá-la para poderem ver as suas previsões confirmadas. Não é o meu caso: sempre acreditei que Vladimir Putin não daria este passo extremo, com o qual tem muito mais a ganhar do que a perder, e que semanas e semanas de tensão a acumular-se eram pretexto e tempo suficiente para que os tão falados “esforços diplomáticos” conseguissem evitar uma guerra desta dimensão na Europa.

Porque, talvez ainda não tenham percebido bem, mas esta guerra não vai doer apenas aos ucranianos, com os seus mortos e o seu país ocupado, vai doer a todos na Europa e para além dela — e se a coisa ficar pela Ucrânia. Não tardará muito tempo até que aqui mesmo, em Portugal, o comum das pessoas se interrogue por que razão os que podiam não fizeram todos os esforços para evitar esta guerra e as suas consequências.

Em 19 de Janeiro passado, escrevi aqui isto: “Tudo o que a Rússia pede é a garantia de que nem a Ucrânia nem a Geórgia, nas suas fronteiras, vão aderir à NATO. Em troca, o que a NATO pode exigir à Rússia é a garantia de que não invadirá a Ucrânia. Custa assim tanto evitar a guerra?” Passaram cinco semanas desde então e o único esforço diplomático visível feito pelo Ocidente foi a ida de Macron a Moscovo. Veio de lá com algum optimismo, depois de ter ouvido Putin dizer que aceitava como base negocial o regresso aos Acordos de Minsk-2 (que, por si sós, impediam a Ucrânia de aderir à NATO sem o acordo das províncias russófonas). Mas logo no dia seguinte Putin lembrou que Macron não respondia pela NATO e a verdade é que da parte da organização nem uma palavra foi dita ou um avanço foi feito no sentido de negociar a questão com base nos Acordos de Minsk. E nada mais foi feito do lado de cá em matéria de esforços diplomáticos: apenas ameaças de sanções, reforço de meios militares nas fronteiras da Ucrânia e constantes avisos de que estava iminente a invasão russa, enquanto toda a gente continuava sentada, de braços cruzados, pronta a assistir. Particularmente chocante, quando ouvimos agora Ursula von der Leyen falar da diplomacia tentada, é pensar na absoluta inércia da União Europeia, prestes a enfrentar uma guerra no seu território, a arcar com o grosso das consequências económicas e políticas, e que não mexeu uma palha para a evitar, para se colocar como mediadora do conflito e que, como sempre, só sabe acenar com dinheiro a posteriori. E enquanto nada se passava na frente diplomática, ainda tivemos, segunda-feira passada, a ida do Presidente ucraniano, Zelensky, à cimeira da Segurança e Cooperação Europeia, em Munique, lançar a última acha na fogueira, queixando-se das armas nucleares (soviéticas) que afirmou lhe terem sido retiradas quando a Ucrânia se tornou independente e exigir a sua entrada imediata na NATO, desafiando os países recalcitrantes a assumirem-se ali e então. (Duas horas depois, talvez por ter chegado atrasado ou se ter perdido na tradução, o nosso ministro da Defesa dizia que essa questão “não estava em cima da mesa”, pelo que não havia fundamento para uma invasão russa.) Insisto: a invasão russa talvez pudesse ter sido evitada se tivesse havido uma vontade e um esforço sério de negociação do lado ocidental, que não houve.

E digo talvez porque não posso saber o que ia e vai na cabeça de um homem perigoso como Vladimir Putin. Mas a todo o tempo e em todos os lados se negociou com homens perigosos a benefício de um bem maior, que é a salvaguarda da paz — Kim Jong-il, da Coreia do Norte, ou os imãs do Irão são apenas os últimos e mais óbvios exemplos. O facto é que, não tendo negociado antes, deixando apenas a Putin a opção de se retirar publicamente humilhado e conformado a ver a Ucrânia juntar-se aos 14 países que antes faziam parte da URSS ou do Pacto de Varsóvia e que a NATO já juntou à sua colecção, assim cercando a Rússia de alto a baixo, do Báltico até ao Bósforo, o Ocidente vai agora ter de negociar com ele em posição de força. A menos que um dos lados, ou ambos, tenha endoidecido e esteja disposto a arriscar uma guerra total na Europa.

Negociar com Putin em posição de força não vai ser fácil. Na sua declaração de guerra, ele disse que a Rússia estava preparada para enfrentar as consequências e, a médio prazo, está economicamente bem mais preparada do que a Europa em matéria de abastecimento de energia, cereais e matérias-primas essenciais.

São as consequências políticas da invasão o grande preço a pagar.

Não tardará muito tempo até que aqui mesmo, em Portugal, o comum das pessoas se interrogue por que razão os que podiam não fizeram todos os esforços para evitar esta guerra e as suas consequências.

Apesar daquilo a que chamaram a sua “lição de história sobre a Ucrânia” conter muito mais verdades do que falsidades ou invenções, ele sabe que isso não lhe acrescenta qualquer validade política para invadir o que outrora foi terra russa: os tempos mudam, a vontade dos povos também e a poeira da História fica nos livros. Recuperar militarmente e manter a Ucrânia toda na Federação russa é um projecto politicamente insano, que a longo prazo sairá caro a Moscovo e ao povo russo.

Mas agora vamos entrar numa nova dimensão, chamada realpolitik — não sei se se lembram do que era, antes de alguém ter declarado que a História tinha acabado quando a URSS implodiu e a Guerra Fria terminou com a vitória do Ocidente. O Donbas, Odessa, Mariupol, pelo menos, nunca mais voltarão à posse da Ucrânia e esta nunca poderá ser membro da NATO — isto será o mínimo que Putin vai exigir. O resto, desde que Putin não queira uma Ucrânia “normalizada”, talvez seja negociável — é isso a realpolitik. Aquilo que resta quando se andou a brincar à guerra e paz com análises simplistas de aplicação universal e intemporal, como nos nossos livros de infância, em que os bons éramos sempre nós e os maus os peles-vermelhas.

Tenho lido e escutado vários “especialistas” na matéria a defender que negociar com Putin terá o mesmo e funesto efeito que teve negociar com Hitler em 1938. É mais uma análise de aplicação universal e intemporal cuja utilidade está agora a ser provada pelos ucranianos. Para começar, e embora haja historiadores para todos os gostos, Putin não é Hitler. E, depois, a situação não é igual nem comparável: em 38, Hitler já tinha consumado o Anschluss sobre a Áustria, queria os Sudetas, que Chamberlain e Daladier lhe deram em Munique, e não escondia que a seguir engoliria toda a Checoslováquia. Mas, sobretudo e diferentemente da Rússia de 2022, era a Alemanha que ameaçava a Europa, e não a Europa que ameaçava a Alemanha, com um cordão de países unidos numa aliança militar cercando-a por todos os lados.

Há dias, numa das suas proclamações “ao mundo”, Joe Biden dizia sobre Putin: “Quem pensa ele que é?” Bom, agora já deve saber quem é e do que é capaz. É pena que antes disso não lhe tivessem explicado: “O Putin, sr. Presidente? É Presidente do segundo maior país e da segunda maior potência nuclear do mundo, com quem ao longo de décadas temos mantido negociações e tratados de limite de armas nucleares, graças aos quais o mundo evitou uma terceira guerra mundial devastadora nos últimos 50 anos. Ele agora está furioso porque a Ucrânia se quer juntar a 14 outros paí ses membros da NATO que já cercam a Rússia e que, a partir daí, podem atingir território russo com mísseis nucleares em questão de minutos. Eu aconselho a que fale com ele.”


Olhar a cores, decidir a preto e branco
(Pacheco Pereira, in Público, 26/02/2022)

Era de manhã cedo e uma pequena delegação da NATO estava à espera de ser recebida no Ministério da Defesa russo, pouco tempo depois do fim da URSS, com uma Federação Russa, ainda indefinida no seu novo estatuto de ex-URSS, e existia a Comunidade de Estados Independentes como instituição de transição. Havia um português, eu, um americano militar ligado aos serviços de informação do exército, sempre à civil, um holandês e um general inglês, que alternava a farda com roupa civil, e que trazia um ajudante de campo que lhe transportava a mala. Um grupo bizarro, num tempo bizarro, num sítio não menos bizarro, e altamente improvável. Estava-se num período excepcional, em que se deu uma genuína possibilidade de transformar o fim da Guerra Fria numa relação pelo menos amigável entre os dois blocos inimigos. Havia a Partnership for Peace e uma vontade de aproximação que durou pouco, e que talvez nunca tivesse condições para durar muito. Ninguém era imune às suas ilusões e, como se sabe, isso é sempre muito perigoso. Houve depois uma sucessão de erros que podemos identificar a posteriori, mas havia muita história complicada, em cima e por baixo, e também demasiada geografia. Lembrei-me muitas vezes do ditado polaco que dizia “trocamos a nossa gloriosa história por uma melhor geografia”.

No meio do bulício da entrada, com militares a passar apressados, a segurança nos portões e gente por todo o lado, chegou uma senhora de bata branca, um lenço branco na cabeça, uma mãe russa com ar cansado, indiferente a tudo, vinda de umas cozinhas algures no gigantesco edifício, empurrando um carrinho com sopa quente, com as canecas a fumegar. Dirigia-se lentamente aos gabinetes do interior. Era invisível, ninguém falava com ela.

Num daqueles momentos difíceis de explicar, os homens sentados à espera, nós, parámos de falar e houve um súbito silêncio. O nosso americano, talvez o mais expansivo de todo o grupo, quebrou-o, dizendo mais ou menos isto: “Nós pensávamos que estávamos a lidar com uma grande potência e esmagámo-los”. Não havia uma ponta de arrogância na frase, havia uma estranha pena. O “esmagámos” não era para os militares, com fardas cheias de condecorações, era para a senhora do carrinho.

Ninguém disse nada e o silêncio tornou-se incómodo. A URSS era uma grande potência militar e aqueles homens sabiam disso muito bem. Mas o nosso olhar agora via outras coisas, as cortinas puídas, a água com um sabor miserável, um enorme cansaço colectivo todos os dias à vista nas ruas, com homens e mulheres de saco na mão a tentar encontrar as coisas de que precisavam e que, umas vezes chegavam, outras não. E, nos contactos com os poderosos, percebia-se uma brutalidade inscrita nas relações de poder, que ia das ruas ao topo da hierarquia. Não havia pobreza? Aparentemente não, nas cidades que conheci, pelo menos pobreza ostensiva, embora houvesse alguns sinais de pobreza escondida que se via nas filas de pessoas a vender coisas que tinham em casa à porta das estações de metro. Mas isto são impressões. Havia felicidade? Claro que havia no meio daquilo tudo, as pessoas têm uma capacidade infinita de se adaptar e a vida é única.

Mas, de um modo geral, a vida era difícil, num grau de exaustão quotidiana que era o dia-a-dia do russo comum, e em breve ir-se-ia tornar ainda mais difícil quando as experiências liberais, trazidas pelos economistas de Chicago que tomaram conta das Finanças, distribuíram a riqueza da URSS em vouchers que não valiam nada, e foram comprados em massa pelos novos oligarcas em formação. Estes ficaram com os bens nacionais, numa distribuição em que a família de Ieltsin teve um papel relevante, e os que se portavam bem politicamente estão hoje com Putin. Os outros estão na cadeia. Seguiram-se as violentas expulsões de casas apetecíveis no mercado, e a ostentação mais chocante. Já não sei se nessa viagem ou noutra, recordo-me de ir a um dos novos restaurantes na moda em Moscovo, com uma menina que tocava harpa, comida imitada dos restaurantes franceses e de um modo geral tão má quanto cara, e cá fora filas de carros de luxo e dezenas de guarda-costas.

Quando subimos para o nosso encontro estava Shaposhnikov e passou Akromeyev, cada um com a sua carga de história em cima, no passado e no futuro. Ambos iriam ter nesses anos de revolução um papel relevante, Yevgeny Ivanovich Shaposhnikov viria a fazer a transição que muitos russos do topo da hierarquia fizeram, de ser o último ministro da Defesa da URSS, o chefe das Forças Armadas da CEI, para acabar nos negócios de armamento à frente da poderosa Rosoboronexport. Em vez de morrer das habituais maleitas, Shaposhnikov morreu também com a história, de covid. Sergey Fyodorovich Akhromeyev, um militar com uma carreira brilhante, com um papel na invasão do Afeganistão, era conhecido no Ocidente pelas suas “explicações” do abate do avião civil coreano pelos soviéticos em 1983. Também teve como futuro as habituais armadilhas da história: participou no golpe contra Ieltsin em 1991, e suicidou-se. Tudo boa gente.

Numa altura em que Putin – um antigo agente do KGB e depois do FSB, que ascendeu ao poder com uma provocação mortífera atribuída aos chechenos independentistas, para ter um pretexto para “corrigir” a derrota militar que os russos tinham tido em Grozny e acabar com a independência da Chechénia – está a colocar a Ucrânia a ferro e fogo, lembrei-me da frase do americano no Ministério da Defesa e da senhora de bata branca.

Na verdade, nós não vimos muita coisa ao “esmagá-los”, e não vimos o poder da humilhação quando é sentida por todo um povo. Não vimos o papel do patriotismo, por exemplo. Uma coisa que achamos que temos por cá, mas não temos nada. Mas os russos e americanos têm, de formas muito diferentes. O patriotismo russo é alicerçado numa memória trágica de muitos milhões de mortos e destruições sem paralelo, a maior parte na Bielorrússia e na Ucrânia.

E se tivéssemos melhor conhecimento da “máquina da historia” percebíamos que há muito tempo Putin manifestou com clareza a sua pena com o fim da URSS, e levou essa pena à prática na Chechénia, na Geórgia, na Crimeia, e recebeu de herança a Transnístria na Moldova. E percebíamos, como quase todos os russos e todos os ucranianos, o que significa chamar “nazi” aos dirigentes ucranianos, num país em que no lado ocidental abundam os memoriais a Stepan Bandera e no lado oriental as estátuas de Lenine ficaram de pé.

Fique bem claro, antes de começarem os disparates nas “redes sociais”, que eu condeno sem ambiguidades a invasão da Ucrânia, por razões que são mais do que evidentes. Putin e a nostalgia imperial são muito perigosos numa Europa sem defesa a não ser os americanos. Acresce que, por muito dividida que esteja a Ucrânia, a sua independência é fundamental para conter a Rússia e manter a face do direito internacional que, mesmo que seja apenas a face, é importante para as democracias.

Mas a obrigação para quem tem uma escrita pública é perceber que a complexidade da história pode e deve ser compreendida, e que não olhar para as coisas a preto e branco não impede que se tenha posição, bem pelo contrário. Nestes tempos de enorme simplificação, em que o conforto de ver a preto e branco domina as posições e induz ao clubismo politico, nunca quis deixar de ver a cores, ou seja a tentar perceber a complexidade de qualquer humano assunto.

Isso não ajuda a legitimar Putin, mas a combatê-lo com mais eficácia.

Para resolver a crise na Ucrânia, comecem pelo fim 
(Henry Kissinger, in Washington Post, 05/03/2014, trad. Resistir)

A discussão pública sobre a Ucrânia tem tudo a ver com confronto. Mas sabemos para onde vamos? Na minha vida, vi quatro guerras começarem com grande entusiasmo e apoio público, mas em todas elas não sabíamos como iam terminar e em três delas retirámo-nos unilateralmente. O teste da política é como elas terminam, não como começam.

Com demasiada frequência, a questão ucraniana é apresentada como um confronto: se a Ucrânia se junta ao Leste ou ao Ocidente. Mas para que a Ucrânia sobreviva e prospere, não deve ser o posto avançado de nenhum dos lados contra o outro – deve funcionar como uma ponte entre eles.

A Rússia deve aceitar que tentar forçar a Ucrânia a um estatuto de satélite e, assim, mover as fronteiras da Rússia novamente, condenaria Moscovo a repetir a sua história de ciclos auto-realizáveis ​​de pressões recíprocas com a Europa e os Estados Unidos.

O Ocidente deve entender que, para a Rússia, a Ucrânia nunca pode ser apenas um país estrangeiro. A história russa começou no que foi chamado de Kievan-Rus. A religião russa espalhou-se a partir daí. A Ucrânia faz parte da Rússia há séculos, e as suas histórias estavam entrelaçadas antes disso. Algumas das batalhas mais importantes pela liberdade russa, começando com a Batalha de Poltava em 1709, foram travadas em solo ucraniano. A Frota do Mar Negro – o meio da Rússia de projetar poder no Mediterrâneo – é baseada no arrendamento a longo prazo de Sebastopol, na Crimeia. Até mesmo dissidentes famosos como Aleksandr Solzhenitsyn e Joseph Brodsky insistiam que a Ucrânia era parte integrante da história russa e, de facto, da Rússia.

A União Europeia deve reconhecer que a sua lentidão burocrática e a subordinação do elemento estratégico à política interna na negociação da relação da Ucrânia com a Europa contribuíram para transformar uma negociação em crise. A política externa é a arte de estabelecer prioridades.

Os ucranianos são o elemento decisivo. Eles vivem num país com uma história complexa e uma composição poliglota. A parte ocidental foi incorporada na União Soviética em 1939, quando Stalin e Hitler dividiram os despojos. A Crimeia, cuja população é 60% russa, tornou-se parte da Ucrânia apenas em 1954, quando Nikita Khrushchev, ucraniano de nascimento, a concedeu como parte da celebração dos 300 anos de um acordo russo com os cossacos. O oeste é em grande parte católico; o leste em grande parte ortodoxo russo. O oeste fala ucraniano; o leste fala principalmente russo. Qualquer tentativa de uma ala da Ucrânia de dominar a outra – como tem sido o padrão – levaria eventualmente à guerra civil ou ao rompimento. Tratar a Ucrânia como parte de um confronto Leste-Oeste arruinaria por décadas qualquer perspectiva de trazer a Rússia e o Ocidente – especialmente Rússia e Europa – para um sistema de cooperação internacional.

A Ucrânia é independente há apenas 23 anos; anteriormente estava sob algum tipo de domínio estrangeiro desde o século XIV. Não surpreendentemente, os seus líderes não aprenderam a arte do compromisso, muito menos a perspectiva histórica. A política da Ucrânia pós-independência demonstra claramente que a raiz do problema está nos esforços dos políticos ucranianos para impor sua vontade às partes recalcitrantes do país, primeiro por uma facção, depois pela outra. Essa é a essência do conflito entre Viktor Yanukovych e sua principal rival política, Yulia Tymoshenko. Eles representam as duas alas da Ucrânia e não estão dispostos a dividir o poder. Uma política sábia dos EUA em relação à Ucrânia buscaria uma maneira de as duas partes do país cooperarem entre si. Devemos buscar a reconciliação, não a dominação de uma facção.

A Rússia e o Ocidente, e muito menos as várias facções na Ucrânia, não agiram de acordo com esse princípio. Cada um piorou a situação. A Rússia não conseguiria impor uma solução militar sem se isolar num momento em que muitas das suas fronteiras já são precárias. Para o Ocidente, a demonização de Vladimir Putin não é uma política; é um álibi para a ausência de uma política.

Putin deve perceber que, quaisquer que sejam as suas queixas, uma política de imposições militares produziria outra Guerra Fria. De sua parte, os Estados Unidos precisam evitar tratar a Rússia como uma aberração ao ser pacientemente ensinada sobre as regras de conduta estabelecidas por Washington. Putin é um estratega sério – nas premissas da história russa. Compreender os valores e a psicologia dos EUA não é o seu ponto forte. A compreensão da história e da psicologia russas também não foi um ponto forte dos formuladores das políticas dos EUA.

Líderes de todos os lados devem voltar a examinar os resultados, não competir em postura. Aqui está minha noção de um resultado compatível com os valores e interesses de segurança de todos os lados:

1. A Ucrânia deve ter o direito de escolher livremente suas associações económicas e políticas, inclusive com a Europa.

2. A Ucrânia não deve aderir à NATO, posição que assumi há sete anos, quando surgiu pela última vez.

3. A Ucrânia deve ser livre para criar qualquer governo compatível com a vontade expressa de seu povo. Os sábios líderes ucranianos optariam então por uma política de reconciliação entre as várias partes do seu país. Internacionalmente, devem seguir uma postura comparável à da Finlândia. Essa nação não deixa dúvidas sobre sua feroz independência e coopera com o Ocidente na maioria dos campos, mas evita cuidadosamente a hostilidade institucional em relação à Rússia.

4. É incompatível com as regras da ordem mundial existente a Rússia anexar a Crimeia. Mas deve ser possível colocar o relacionamento da Crimeia com a Ucrânia numa base menos tensa. Para esse fim, a Rússia reconheceria a soberania da Ucrânia sobre a Crimeia. A Ucrânia deve reforçar a autonomia da Crimeia nas eleições realizadas na presença de observadores internacionais. O processo incluiria a remoção de quaisquer ambiguidades sobre o estatuto da Frota do Mar Negro em Sebastopol.

Estes são princípios, não prescrições. As pessoas familiarizadas com a região saberão que nem todos serão palatáveis ​​para todas as partes. O teste não é a satisfação absoluta, mas a insatisfação equilibrada. Se alguma solução baseada nesses ou em elementos comparáveis ​​não for alcançada, a tendência para o confronto acelerará. A hora para isso chegará em breve.


Sobre os recentes desenvolvimentos no Leste da Europa 
(NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP, 22 Fevereiro 2022)

O PCP expressa a sua profunda preocupação com os desenvolvimentos da situação no Leste da Europa.

A actual situação e seus desenvolvimentos recentes são inseparáveis de décadas de política de tensão e crescente confrontação dos EUA e da NATO contra a Federação Russa, nos planos militar, económico e político, em que avulta o contínuo alargamento da NATO e o sistemático avanço da instalação de meios e contingentes militares deste bloco político-militar cada vez mais próximo das fronteiras da Federação Russa.

A situação na Ucrânia não pode ainda deixar de ser dissociada do golpe de Estado de 2014, promovido pelos EUA, a NATO e a UE, protagonizado por grupos fascistas, e que levou à imposição de um regime xenófobo e belicista, cuja violenta acção é responsável pelo agravamento de fracturas e divisões, pela discriminação e negação de direitos fundamentais e de cidadania da população, e pela deflagração da guerra naquele País.

Quando alguns demonstram agora a sua preocupação com os acordos de Minsk, assinados há sete anos, é importante ter presente que o regime ucraniano não só nunca os cumpriu, inclusivé de forma assumida, como impediu a concretização de uma solução política para o conflito no Donbass, sendo responsável por constantes violações do cessar-fogo, por sucessivas provocações e por uma massiva concentração de forças militares junto à linha de demarcação – acção que se incrementou significativamente nas últimas semanas –, ameaçando lançar uma acção militar em larga escala nessa região. A decisão agora assumida pela Federação Russa não pode ser olhada à margem desta conjuntura e dos seus desenvolvimentos.

O PCP reafirma a necessidade do desenvolvimento de iniciativas que contribuam para o desanuviamento e que privilegiem um processo de diálogo com vista a uma solução pacífica para o conflito, assim como à promoção da paz e da segurança na Europa, no respeito dos princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia.

O PCP denuncia a perigosa estratégia de tensão e propaganda belicista promovida pelos EUA, a NATO e a UE, e apela ao desenvolvimento da acção em defesa da solução pacífica dos conflitos internacionais, pelo fim das agressões e ingerências do imperialismo, pela rejeição do alargamento da NATO e pela sua dissolução, contra a militarização da União Europeia, pelos princípios de paz e desarmamento inscritos na Constituição da República Portuguesa.

2 comentários:

  1. Caro amigo,
    Li agora o seu comentário no blog «Ladrões de Bicicletas» acerca do comando nazi «Azov» e quando este aterrar na Portela, o Zé Povinho deixará de bater palmas e estou 100% de acordo consigo.
    Infelizmente, não posso comentar no Ladrões de Bicicletas, porque este blog tornou-se um tanto ou quanto medroso e como o medo arrasta ao pânico, à suspeição e ao «politicamente correcto», qualquer dos meus comentários não é bem-vindo e, por isso, censurado ou anulado.
    No entanto, vou seguir este seu blogue. Promete mais.
    Um abraço

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    1. Obrigado, comentários são sempre bem vindos ;-) (podemos é levar uns dias a vê-los, e por isso peço-lhe desculpa)

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