2019/03/14

Saúde pública é de todos

Enquanto o governo atracado à direita dos negócios chorudos continua a tentar fazer da saúde um negócio privado, há quem recorde os bons exemplos que guindaram o SNS aos melhores lugares dos rankings da saúde, a saber: completa separação entre o SNS e os negócios privados e o estabelecimento de um quadro estável de profissionais dignamente remunerados em dedicação exclusiva. Foi isso que aconteceu, entre 1990 e 2009, quando o SNS floresceu.

Saúde: a nuvem por Juno (I)
(Jorge Seabra, AbrilAbril, 2019/02/21)

Para garantir a fixação dos médicos e de outros profissionais ao SNS, não é preciso nenhuma medida coerciva que os «prenda» ao serviço público, menos ainda sob o falso e demagógico pretexto de estarem a «pagar» uma dívida que contraíram para com o Estado.

2019/03/11

Para um Contexto da Primavera Venezuelana

As aventuras guerreiras do império da pastilha elástica
(Grazia-Tanta, 2019/02/14)

Hoje na Venezuela, ontem na Síria, Líbia, Iraque, Afeganistão. A gula das multinacionais encontra sempre um apoio nos governos dos EUA e na sua propensão para a guerra.

As últimas intervenções militares dos EUA no exterior, nas últimas décadas, prendem-se quase sempre com combustíveis fósseis. Certamente que não é uma coincidência.

É muito longa a lista das intervenções e guerras dos EUA no âmbito do continente americano, desde as guerras contra o México e a absorção do Texas no século XIX e os muitos golpes de estado, sobretudo através de militares aliciados ou subornados para o efeito, no âmbito da doutrina Monroe segundo a qual a América é dos americanos… embora haja uns que se arrogam ao direito de intervir e decidir o que convém aos outros: para além, claro, do esmagamento das nações índias, cujos membros só deixaram de ser considerados formalmente estrangeiros (!) no século XX.

2019 – Venezuela, um apetecível filão

2019/03/10

Censura, Censuradas Ocultadas Pelos Media Corporativos

«Ontem estive numa manifestação com uns largos milhares de pessoas, mulheres, homens, novas e velhos, velhas e novos, jovens e menos jovens, destas e daqueles, descemos todos juntos dos Restauradores ao Cais das Colunas a festejar o Dia Internacional da Mulher, por um mundo de liberdade, igualdade e fraternidade, contra as discriminações todas, pelos direitos todos, pelos deveres todos, contra a violência doméstica e as outras violências todas, incluindo as dos patrões que voltaram a despedir a Cristina Tavares, pela Paz, pelo Pão pelo Trabalho. Durante o trajecto, quando passávamos no Terreiro do Paço, olhei para a esquerda e vi um molhinho com umas cem, talvez duzentas pessoas, reunidas contra a violência doméstica. Achei bem, fiquei contente, achei bem que se manifestassem apenas contra uma parte do problema já que (ainda?) não conseguiam ver todas as outras faces do mesmo problema, e segui em frente, continuei com os milhares de homens e mulheres que desceram dos Restauradores ao Cais das Colunas a lutar por tudo e por todas. Há minutos vi a abertura de um telejornal de um canal da família balsemão. Vi a cobertura da reunião das 100 pessoas e não vi nada, rigorosamente nada, nem uma imagem, nem uma palavra, nada, sobre a manifestação de uns largos milhares de Mulheres e Homens que desceram dos Restauradores ao Cais da Colunas. A negra censura voltou a abater-se sobre o Portugal que já viu Abril. Agora sem lápis azul, agora feita pelos jornaleiros que se atascam nas produtoras de conteúdos dos balsemões deste mundo.»

E depois reúnem-se nuns restaurantes e nuns palácios para discutirem, com semblante de grande preocupação, a propagação de #fakeNews que eles próprios produzem?

Quem é que esses vermes querem enganar?

Poderia dar outros exemplos de um silenciamento que tem anos, mas seria chover no molhado, entretanto fica aqui a opinião de Fernanda Mateus, da Comissão Politica do PCP, sobre o silenciamento selectivo que se abateu sobre a manifestação do MDM, só para futura @Refer&ncia.

Registos sobre a luta pelos direitos das mulheres
(Fernada Mateus, Avante!, 2019/03/14)
Muitos milhares de mulheres compreenderam e responderam positivamente ao convite do MDM para comemorar o Dia Internacional da Mulher na Manifestação Nacional de Mulheres realizada no passado sábado, 9 de Março.

A Mentir Sobre a Venezuela Desde 2002

ONU Esconde Relatório de Enviado da ONU Sobre a Venezuela
(Carlos Drummond, Desacato/O Lado Oculto, 2019/03/08)

A Organização das Nações Unidas ignora até hoje o relatório sobre a situação na Venezuela apresentado em Setembro por um especialista independente enviado pela própria ONU ao país sob bloqueio económico dos Estados Unidos desde 2013. Primeiro emissário da ONU no país latino-americano em 21 anos, Alfred de Zayas acredita que as suas conclusões num relatório sobre a Promoção da Ordem Internacional Democrática e Equitativa não foram analisadas porque vão contra a narrativa dominante de que a Venezuela precisa de uma mudança de regime. O próprio Conselho dos Direitos Humanos não fez mais que breves considerações sobre o trabalho.

2019/03/08

Eu assino por baixo

No Manifesto74 o Miguel Tiago continua a escrever contra a corrente da ideologia dominante e a impor uma frescura e combatividade que por vezes nos falta, por isso, e porque também eu apoio o PCP por muitas das razões que ele enumera, tenho de reproduzir aqui este texto para futura @Refer&ncia.

PCPorquê?
(Miguel Tiago, Manifesto 74, 2019/02/25)

Para lá do campeonato das bandeirinhas entre quem conseguiu o quê nos orçamentos do estado e nos debates parlamentares e outras dimensões da vida institucional e política nacional, há todo um verdadeiro conjunto de motivos para apoiar o PCP e as estruturas eleitorais em que participa, como a CDU.

2019/03/07

São eles contra o mundo ou o mundo contra eles?

Actualmente, na ONU, estão representados 193 estados soberanos, 193 países, 193 governos. Há poucos dias, num artigo d'O Lado Oculto, ficámos a saber que os EUA têm 800 bases militares espalhadas por cerca de 80 países. Agora, noutro artigo da mesma newsletter, Stephanie Savell, da Universidade de Brown, compilou 80 países onde os EUA estão actualmente a "intervir" a coberto daquilo a que eles próprios chamam "guerra global ao terrorismo". As "intervenções" são dos mais variados tipos, desde invasões como a do Afeganistão, da Síria ou do Iraque, passando por destacamentos militares ou missões conjuntas, como na Líbia ou no Iémen, bombardeamentos ou ataques com drones, como no Paquistão, na Tunísia, na Somália, no Mali ou no Quénia, até ao mais genérico guarda chuva das missões de "treino e assistência" a decorrerem em 65 países e onde os "treinadores" e "assistentes" são bastas vezes condecorados com medalhas por "Extrema Bravura em Combate", normalmente atribuídas a quem arrisca a vida em combates fora das casernas e dos campos de treino.

Pergunto-me. A fazerem a guerra, fora de portas, em 80 países, são eles contra o mundo ou é o mundo que não gosta deles?

Guerra dos EUA "Contra o Terrorismo" Trava-se em 80 Países
(Stephanie Savell, TomDispatch/O Lado Oculto, 2019/03/03)

Em Setembro de 2001, a administração de George W. Bush lançou a “Guerra global contra o terrorismo”. Embora o termo “global” há muito tenha desaparecido da designação, eles não estavam a brincar.

2019/03/04

Israel: A Assassinar Impunemente Palestinianos Desde 1948

Comissão da ONU Acusa Israel de Crimes de Guerra
(Sylvie Moreira, O Lado Oculto, 2019/03/01)

Uma Comissão Independente criada no âmbito da Comissão dos Direitos Humanos da ONU apurou que existem “fundamentos razoáveis” para concluir que o exército de Israel “cometeu crimes de guerra” contra a população da Faixa de Gaza ao reprimir as manifestações pacíficas realizadas todas as sextas-feiras, desde 30 de Março de 2018, no âmbito da “ Grande Marcha do Regresso”.

Soldados israelitas “cometeram violações dos direitos humanos e das leis humanitárias”, algumas das quais “podem constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade e devem ser imediatamente investigadas por Israel”, declarou o presidente da Comissão, o argentino Santiago Canton, durante a apresentação do relatório em Genebra, no dia 28 de Fevereiro.

2019/03/03

A meio da ponte ou ao lado do povo?

Há momentos na história em que não podemos ficar a meio da ponte.

Perguntar-me-ão se gosto do Maduro. Honestamente, o pouco que conheço sobre o personagem chega-me dos media corporativos: o prolongamento de um natal, a antecipação de um carnaval, um jantar em Istambul, com um trinchador a dançar em vez de cortar a carne, meia dúzia de discursos pouco inspirados, enfim, uma tristeza, e por isso, não, não gosto do Maduro.

E depois?

O que dizer dos dois milhões de habitações que a revolução bolivariana já distribuiu pelos venezuelanos carenciados? E da brutal diminuição da pobreza conseguida pelo chavismo e agora parcialmente revertida pelo bloqueio dos eua? E da brutal diminuição do analfabetismo? E sobre o acesso a um sistema de saúde conseguido graças à importação de médicos cubanos, anteriormente inexistente, e que agora sofre com a falta de medicamentos que os eua não deixam a Venezuela importar? E o que dizer de um país querer gerir os seus próprios recursos, usufruir desses recursos e pô-los ao serviço do seu povo?

Precisamente! Gostar ou não do Maduro é absolutamente irrelevante.

Estamos num daqueles momentos da história em que só podemos estar ao lado do povo venezuelano, do povo, não dos guaidós que pedem invasões, nem das dondocas que ostentam os "welcome trump", nem do lumpen que queima camiões na Colômbia com coktails molotov ou dos presos "políticos" que puseram Caracas a ferro e fogo com as guarimbas.

Liberdade para o povo venezuelano? Esse é livre. São as dondocas e os guaidós e os guarimbistas que se queixam da ausência de liberdade para continuarem a roubar a ferro e fogo e são as agências de informação pagas pelas osf's, ned's & cia's que lhes dão visibilidade, essas, os media corporativos e aqueles que, como estranha e infelizmente o esquerda.net, teimam em ficar parados a meio da ponte.

#Venezuela #Refer&ncia #GolpeNaVenezuela #AbrilAbril #AIP #Maduro #Chavismo #AssembleiaInternacionalDosPovos #TrumpManosFueraDeVenezuela #TrumpHandsOutOfVenezuela

Mas agora fiquemo-nos com os que, como nós, atravessam a ponte para se juntarem ao martirizado povo venezuelano na Assembleia Internacional dos Povos.